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Amendoim: tradição que dá lucro Plantadores estão sendo estimulados a aumentar plantio para abastecer agroindústria Juracy Xangai Transformar a já tradicional cultura do amendoim do Quinari numa agroindústria com produtos diversificados que aumentem a renda dos produtores estimulando-os a aumentar seus plantios para gerar mais emprego e renda no município. Pouca gente passa por Senador Guiomard sem dar uma paradinha no bar do japonês para comprar pelo menos um pacote do amendoim do Quinari. Esse é o principal objetivo do projeto de implantação de uma Agroindústria de Amendoim em Senador Guiomard onde existem mais de 160 plantadores de amendoim. Muito embora cultivem áreas que vão de meio a um hectare, aí produzem uma média de 900 quilos desse grãos que é das lavouras a mais lucrativa, segundo eles próprios. O projeto surgiu a partir do secretário Municipal da Agricultura de Senador Guiomard, Neilton Lima Vasconcelos que procurou ajuda do Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-Ac)que articulou o apoio da Seater, Embrapa, Incra e gabinete do senador Siba Machado para este projeto. Seu financiamento está sendo feito através do programa de Desenvolvimento Regional Sustentável (DRS) da Fundação Banco do Brasil (FBB). De acordo com o último censo agrícola do IBGE, existiriam apenas 17 hectares de amendoim plantados na região do Quinari, mas os levantamentos iniciados pelas equipes do Sebrae e Seater em março deste ano descobriram a existência de pelo menos 160 produtores que juntos cultivam uma área de apelo menos 120 hectares. A construção da fábrica será iniciada no segundo semestre deste ano para principiar seu funcionamento no primeiro semestre do ano que vem quando acontecerá a colheita da safra que estará sendo plantada entre agosto a setembro deste ano. O projeto prevê a realização de cursos, treinamentos e até financiamentos para custear a melhoria e ampliação das lavouras para cem famílias. Hoje, o dinheiro produzido pelo amendoim representa 2% de toda a renda do município. Levantando a moral A maior parte dos produtores de amendoim está concentrada no projeto de assentamento da Limeira e no ramal Céus Abertos. O japonês que vende o tradicional amendoim torrado do Quinari é o principal comprador da produção pagando uma média de R$ 2,50 para o produto na casca e vendendo a uma média de R$ 18 o quilo descascado e torrado. Rita Gomes Moreira engenheira agrônoma da Secretaria Municipal da Agricultura de Senador Guiomard explicou o porque de tanto interesse da prefeitura nessa lavoura. “O plantio do amendoim já faz parte das tradições culturais do Quinari, sua produção é a mais lucrativa para o agricultor e há espaço para ampliar sua venda no mercado, então trata-se de um produto economicamente viável. Além disso é uma produção sustentável que vai aumentar a renda familiar nas pequenas propriedades”. Lucro garantido O agricultor José Pacheco Barbosa, 40 anos, pai de seis filhos, mais conhecido como “Zé Maria”, o qual vive no projeto de assentamento da Limeira cultiva amendoins há quatro anos. “Quando eu quis começar esta lavoura tive de adular o japonês para que ele me vendesse quatro quilos de semente. Paguei 16 reais por quilo, foi caro, mas valeu a pena porque delas colhi oito sacos e daí por diante venho guardando minhas sementes para não ficar dependente de ninguém. No ano passado plantei 15 quilos, dá pouco mais de meio hectare e vou colher pelo menos 40 sacos de amendoim em casca, com 30 quilos cada saco deve dar uns 1.200 quilos”. Zé Maria está sofrendo para conseguir arrancar sua produção, isto porque o plantio que deveria ter sido feito entre agosto e setembro só foi feito em final de outubro para novembro devido ao atraso na mecanização da terra. “A prefeitura faz o que pode para ajudar a gente, mas eles têm poucas máquinas e muito produtor. Como plantei muito atrasado, o amendoim demorou mais para amadurecer, com o verão a terra fica muito dura, a gente tem mais dificuldade para arrancar, isto sem contar que por causa disso muitas vagens ficam presas no chão”. Apesar do esforço redobrado que obriga Zé Maria a molhar as covas de tarde para arranca-las no outro dia, ele trabalha satisfeito e explica porque: “Essa é a melhor lavoura que nós temos para dar lucro. Para dar o dinheiro que consigo com apenas oito sacos de amendoim é preciso colher 120 sacos de milho. A gente só não aumenta a lavoura porque falta apoio com a mecanização na hora certa. Amendoim é o mesmo que dinheiro no bolso”, garante. Aproveitando a oportunidade A auxiliar de enfermagem aposentada, Maria Coelho Leduíno, 59, mãe de dois filhos tira boa parte do dia a catar pacientemente as vagens que vem dependuradas nas raízes dos pé de amendoim. Um a um vai recolhendo na bacia para secar ao sol e ensacar para que o filho Evaldo Gomes possa vender no mercado. “Gosto de fazer este trabalho que não é pesado e, segundo o pessoal, garante um bom lucro pra gente”. Evaldo, 40 anos, pai de um filho é o dono da colônia Limeira vizinha à do Zé Maria. “Esta é a primeira vez que estou planando amendoim, semeei quatro quilos de semente e a previ~soa é da gente colher entre oito e dez sacos. Considerando que estão pagando de R$ 2,50 a 3,0 o quilo em casca e entre R$ 5,0 e 7,0 o quilo descascado é uma lavoura de primeira. Por isso resolvi investir, comprei trator e vou planar pelo menos quatro hectares neste ano”. Na colônia de 12 hectares onde começa a plantar amendoim ele também cultiva milho, feijão e macaxeira mecanizadas. “Neste ano colhi 400 sacas de milho que vendi na base de R$ 15,0 cada um e 1.080 sacos de mandioca também a R$ 15 os dois em sacos de 50 quilos. Com o amendoim a gente fatura pelo menos R$ 75 por saco de 30 quilos. É uma lavoura muito boa”. |
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E x p e d i e n t e : |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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