COTIDIANO

Prefeitura de Sena aproveita verão para recuperar ramais

Município prevê melhorias em mais de mil quilômetros de acesso

Cedida
Prefeito Nilson Areal (E) acompanha
o desenvolvimento das obras
na zona rural do município


Cleber Borges

Credibilidade implica resultados positivos. Quando assumiu a prefeitura de Sena Madureira, as maiores reclamações que o prefeito Nilson Areal ouvia era de que a zona rural do município estava abandonada. Preocupado com a situação, mesmo com poucos recursos, em 2005 ele recuperou 600 quilômetros de ramais, no ano passado 890 e este ano, em parceria com o governo do Estado, Incra e movimentos sociais, pretende restaurar 1.100 dos 1.200 quilômetros existentes.

No primeiro ano, o serviço foi relativamente paliativo em razão da precariedade das estradas. Em 2006, confiantes de que estavam recebendo apoio e que poderiam escoar a produção, os agricultores fizeram maciços investimentos conseguindo com isso melhorar a produtividade e até quintuplicar o volume de alguns produtos. Esse foi o caso, por exemplo, do arroz, que transformou o município no maior produtor do Estado do principal componente da comida do brasileiro.

As parcerias com o Incra e Estado foram firmadas no mês passado, mas para cumprir a meta deste ano, antes mesmo da chegada do verão, a prefeitura já vinha trabalhando com apoio dos agricultores. Eles ajudam a prefeitura e a si mesmos. Produzindo mais ele ganham mais e assim deixam de fazer o desastroso êxodo rural que tanto “incha” a periferia das cidades de médio e grande porte.

Sena: maior município do Estado

O trabalho da prefeitura para atender a demanda dos produtores é grande por duas razões: o município é o maior do Estado (25 mil km 2) e os moradores da zona rural representam 1/3 da população, estimada hoje em 40 mil habitantes.

Dos 1.200 km das estradas existentes, boa parte não tinha condições de trafegabilidade. Esse é o caso, por exemplo, do ramal secundário Linha “C”, que liga o ramal Xiburema até a margem do rio Caeté. Ele estava isolado há oito anos. Lá, a dificuldade maior é porque a região é serrana e as águas da chuva estragam quase tudo que é feito. Nesta semana, uma das máquinas da prefeitura refez aterros de até três metros de altura e ainda abriu uma picada para que o programa do Governo Federal “Luz para Todos” pudesse chegar para as comunidades vizinhas. O programa vai instalar, neste ano, 100 km de linhas de transmissão no município. “Agora não temos que carregar nossa safra nas costas até a beira do rio. To satisfeito com o trabalho da prefeitura”, disse o agricultor Leônidas Custódio de Lima para o prefeito Nilson Areal, no momento em que ele e outros produtores assentavam madeira numa ponte que estava sendo construída no ramal.

Próximo dali, no ramal da Xiburema, sob a supervisão do pessoal da prefeitura, outros produtores também fazia um mutirão para recuperar ponte e cercas ao longo da estrada.

Inspecionando as obras, Nilson Areal lembrou que, em parceria, essas pontes que todo ano custam entre 16 e 18 mil reais cada para a prefeitura, agora têm um custo médio de menos de R$ 4 mil. Isso porque eles entram com parte da mão-de-obra e da madeira.

Do ramal Xiburema, Nilson Areal esteve na estrada Mário Lobão, às margens da qual fica o projeto de assentamento do Incra Joaquim de Matos, vulgo Toco Preto. A estrada corta o projeto, onde residem 166 famílias, e vai até à estrada Transacreana, em Rio Branco. Dentro do município, a prefeitura está iniciando os trabalhos de recuperação de 52 km, inclusive elevando as partes baixas da estrada para evitar atoleiros. Ela também está recuperando os 58 km dos ramais secundário (do Armando, Lázaro, Chicão, Castanhal, Cinqüenta e do Chico Nazaré). “Aqui antes, nunca tinha entrado uma máquina da prefeitura. O Nilson Areal é o prefeito número um para trabalhar em ramal”, disse Antonio Barroso da Silva, o conhecido Antonio Rita, morador do km 46 da estrada. Mais à frente, o prefeito recebeu o pedido do produtor Clóvis Fidélis Dias para que fosse construído um açude e que fosse doada uma máquina de beneficiar arroz para a comunidade local. Nilson Areal se comprometeu em atender ao pedido ainda neste ano.

Só nos projetos do Incra, a prefeitura vai beneficiar cerca de 3 mil pessoas

Ao todo são cinco frentes de serviço da prefeitura, Incra e Governo do Estado. As patrulhas mecanizadas, compostas por um trator de esteira, um caminhão de apoio e uma moto niveladora, estão trabalhando nesta semana nos ramais Pantico (projeto Favo de Mel), Ramal do Armando (PAR Joaquim de Matos), Linha “C” e Xiburema (Projeto Boa Esperança), Linha Seca, ramal de acesso do Pinduca, Caçaborá e Taboca (projeto Boa Esperança) e Ramal 16 (Boa Esperança e Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema).

A supervisão dos trabalhos é feita por técnicos e produtores ligados à Fetacre (Federação dos Trabalhadores da Agricultura do Acre) e pelo experiente vereador Biléu do Incra, que não se cansa de receber elogios dos produtores rurais, por estar diuturnamente trabalhando para eles e com eles.

Enquanto o governo do Estado e Incra entram com as máquinas, parte do óleo diesel e com a reposição de peças, a prefeitura participa dos trabalhos com os operadores das máquinas, com a alimentação e o pagamento dos salários deles, incluindo as horas-extras.

No município existem 14 projetos de assentamento do Incra (Boa Esperança, Joaquim de Matos, Edilza Carneiro, Uirapuru, Favo de Mel, Geraldo Fernandes, Lídia Craveiro, Riozinho, Valência, Providência/Capital, PAR Mário Lobão e São Jorge, este último localizado em terras amazonense). No final do ano passado, o órgão criou mais outros dois projetos: Wilson Lopes e PAR João Batista, localizados, respectivamente, às margens do igarapé Cassirian e do rio Macauã. Somente nessas localidades existem cerca de 700 famílias que serão beneficiadas com o trabalho da prefeitura.

Apoio estimula o crescimento vertiginoso da produção

Até o início da Administração Nilson Areal, a Secretaria Municipal de Produção existia de direito (no papel), mas não existia de fato. Depois que ela entrou em operação, a produção cresceu de forma vertiginosa. Há uma unanimidade entre os produtores que isso aconteceu porque foi feita a reabertura dos ramais e porque antes, para conseguir uma máquina junto à prefeitura eles tinham que recorrer ao secretário, ao prefeito e até buscar apoio junto aos vereadores. Agora o planejamento é feito pela prefeitura, Incra e Governo, com supervisão dos próprios produtores. A ajuda da melhoria do desempenho do setor rural também se deu graças ao apoio técnico e ao escoamento da produção que agora é feito com ajuda de três caminhões do município. Paradoxalmente, a melhoria dos números também se deu por causa da grande queimada ocorrida em 2005, incidente que se constituiu num verdadeiro desastre ecológico. Para não ter prejuízo total naquele ano, os produtores jogaram semente nas áreas devastadas. O resultado foi surpreendente. Os números da tabela abaixo confirmam tal afirmação. “Nossa prioridade é o fortalecimento do setor rural. Nossa ação, que é de caráter inclusivo, visa apoiar esse segmento produtivo e evitar que os produtores deixem o campo em busca da cidade, que nem sempre retribui a eles o que eles dão para a cidade”, diz o prefeito.

Produção Agrícola

Tabela comparativa dos dados do município de Sena Madureira, incluindo a produção das glebas convencionais, de ribeirinhos e dos moradores dos ramais e estradas

Produto 2005 2006
arroz 64 toneladas 430 toneladas
milho 100 toneladas 243 toneladas
feijão 10,5 toneladas 28,5 toneladas
farinha 53 toneladas 40 toneladas
café 153 toneladas 27 toneladas

 

 
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Rio Branco-AC, 28 de junho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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