POLÍTICA

Sibá explica razões que o levaram a renunciar a presidência do CE

Senador acreano recebe o apoio de diversos parlamentares

Roosewelt Pinheiro - Agência Senado
Senador explica na tribuna por que renunciou a presidência do CE


Depois de protocolar na terça-feira à noite a renúncia do Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado Federal à mesa diretora, o senador Sibá Machado (PT-AC) subiu a tribuna do plenário na tarde de ontem para explicar os motivos que o levaram a tomar a decisão.

“Em toda a minha vida de militância política nunca fui de desistir das minhas tarefas. Fazer isso, pela primeira vez, foi muito duro para mim. Não queria e não imaginava que tivesse de chegar a esse extremo. As circunstâncias, infelizmente, levaram-me a comunicar formalmente minha renúncia na noite de ontem”, assim Sibá iniciou seu discurso.

O senador relatou o esforço que fez para desempenhar sua função de presidente do conselho com transparência e dignidade. “Senti que estava praticamente sozinho, assumindo uma responsabilidade que é da Casa e de todos os membros do Conselho de Ética. Eu entendo que não é esse o caráter dos colegiados do parlamento. Deve haver, em todos eles, uma responsabilidade comum e compartilhada entre os membros”, desabafou o parlamentar.

Sibá Machado disse que encaminhou os trabalhos do Conselho de Ética sempre pautado no que determinava o regimento interno do Senado. Afirmou que primeiramente assumiu interinamente como relator ad hoc no momento do afastamento, por motivo de saúde, do senador Epitácio Cafeteira.

Depois determinou que os documentos apresentados pelo senador Renan Calheiros fossem periciados por órgãos que dessem credibilidade à investigação e que o conselho, com base nisso, tivesse condições de decidir sobre a representação por quebra de decoro contra o presidente do Senado. “Na ausência de relator, já que eu, como presidente, não poderia assumir a função da relatoria durante todo o processo, passei de quinta-feira passada até o início da tarde de ontem consultando os líderes partidários para que encontrassem um membro do conselho para assumir a função de relator. Tudo fiz para não retardar os trabalhos, embora alguns dissessem o contrário. Um esforço inglório”, lembrou Sibá.

No discurso, o senador lembrou que presenciou o conselho ser contaminado por interesses políticos que inviabilizavam os trabalhos do colegiado. Segundo ele, foi também por isso que entendeu que não poderia mais continuar à frente da presidência do conselho.

Ao final, Sibá Machado disse que nos quatro anos e meio de Senado procurou cultivar dois valores de fundamental importância, aprendidos com sua mãe: a humildade e a lealdade. “São dois registros de conduta que considero inseparáveis. Entretanto, minha humildade e minha lealdade nunca deverão ser confundidas com subserviência”, concluiu, emocionado.

Sibá recebe apoio dos senadores

A primeira a falar depois que o senador Sibá Machado concluiu o pronunciamento que fez em plenário sobre seus motivos para pedir o afastamento do Conselho de Ética foi a líder do PT, Ideli Salvatti (PT-SC), para quem Sibá orgulha o partido por sua postura ética e firme. “Fui testemunha da sua agonia e dificuldade em encontrar um relator para um processo delicado como este. Vossa Excelência merece nosso apoio e nossa admiração”, declarou.

Já a senadora Fátima Cleide (PT-RO) fez questão de dizer que Sibá tinha legitimidade para conduzir os trabalhos do conselho e que repudia firmemente aqueles que dizem que o senador não poderia assumir a função por ser suplente. “Sibá tem uma história de luta dentro do nosso partido e se Marina Silva não fosse candidata ao Senado em 2002, Sibá certamente ficaria com uma vaga como titular. Tenho certeza de que o povo do Acre não hesitaria em elegê-lo senador.”

Arthur Virgílio, líder do PSDB, lembrou que Sibá nunca fugiu das suas responsabilidades e que vinha conduzindo os trabalhos do conselho com independência. “Sei da sua busca por um relator para essa representação contra o presidente Renan. Admito que muitos do meu partido não aceitaram tal tarefa. O senhor é um homem honrado, um homem pelo qual tenho imensa admiração.”

Ainda fizeram apartes ao discurso do senador Sibá Machado o senador Tião Viana (PT-AC), Eduardo Suplicy (PT-SP), Augusto Botelho (PT-RR) Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), Valter Pereira (PMDB-MS) e Garibaldi Alves (PMDB-RN). (Da assessoria parlamentar)

 
 
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Rio Branco-AC, 28 de junho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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