28 de junho - Dia Mundial de Orgulho Gay I
Em 28 de junho de 1969, ocorreu, na cidade de Nova York, o que veio a ser conhecido como a Rebelião de Stonewall. Stonewall era um bar de freqüência gay que sofria repetidas batidas policiais sem justificativa.
Naquele dia, os freqüentadores se revoltaram contra a polícia e a rebelião que se seguiu durou três dias, mudando para sempre as atitudes repressivas das autoridades perante os gays e dando início à luta pela igualdade de direitos.
***A partir daí, todo o ano nos mais diversos países, a data é celebrada por meio de paradas e outros eventos culturais e sociais, que acontecem em datas-satélite, ou seja, datas próximas ao dia 28 de junho, a fim de tornar exponencial a expressão de orgulho - e não de vergonha - de assumir publicamente a orientação sexual.
28 de junho - Dia Mundial de Orgulho Gay II
Em homenagem, Giro Geral publica um e-mail enviado por Francisca Hilda, de 66 anos, que mora em Fortaleza (CE), faz parte da Igreja Evangélica Assembléia de Deus Canaã, que por felicidade é minha mãe.
Pode me chamar de gay. (Pedro Bial, Jornalista da TV Globo.)
Pode me chamar de gay, não está me ofendendo. Pode me chamar de gay, é um
elogio. Pode me chamar de gay, não me importo de ser confundido. Ser gay
me favorece, me amplia, me liberta dos condicionamentos. Não é um
julgamento, é uma referência. Pode me chamar de gay, não me sinto
desaforado, não me sinto incomodado, não me sinto diminuído, não me sinto
constrangido.
Pode me chamar de gay, está dizendo que sou inteligente. Está dizendo que
converso com ênfase. Está dizendo que sou sensível. Pode me chamar de gay.
Está dizendo que me preocupo com os detalhes. Está dizendo que dou água
para as samambaias. Está dizendo que me preocupo com a vaidade. Está
dizendo que me preocupo com a verdade. Pode me chamar de gay. Está dizendo
que guardo segredo. Está dizendo que me importo com as palavras que não
foram ditas. Está dizendo que tenho senso de humor. Está dizendo que sou
carente pelo futuro. Está dizendo que sei escolher as roupas
Pode me chamar de gay. Está dizendo que cuido do corpo, afino as cordas
dos traços. Está dizendo que falo sobre sexo sem vergonha. Está dizendo
que danço levantando os braços. Pode me chamar de gay. Está dizendo que
choro sem o consolo dos lenços. Está dizendo que meus pesadelos passaram
na infância. Está dizendo que dobro toalha de mesa como se fosse um pijama
de seda.
Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou aberto e me livrei dos
preconceitos. Está dizendo que posso andar de mãos dadas com os anéis.
Está dizendo que assisto a um filme para me organizar no escuro. Pode me
chamar de gay. Está dizendo que reinventei minha sexualidade, reinventei
meus princípios, reinventei meu rosto de noite. Pode me chamar de gay.
Está dizendo que não morri no ventre, na cor da íris, no castanho dos
cílios. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou o melhor amigo da
mulher, que aceno ao máximo no aeroporto, que chamo o táxi com grito.
Pode me chamar de gay. Está dizendo que me importo com o sofrimento do
outro, com a rejeição, com o medo do isolamento. Está dizendo que não
tolero a omissão, a inveja, o rancor. Pode me chamar de gay. Está dizendo
que vou esperar sua primeira garfada antes de comer. Está dizendo que não
palito os dentes. Está dizendo que desabafo os sentimentos diante de um
copo de vinho. Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou generoso com as
perdas, que não economizo elogios, que coleciono sapatos.
Pode me chamar de gay. Está dizendo que sou educado, que sou espontâneo,
que estou vivo para não me reprimir na hora de escrever. Pode me chamar de
gay. Que seja bem alto.
A fragilidade do vidro nasce da força e do ímpeto do fogo.
|