OPINIÃO
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Luiz Weis *

 


Eleição polui investigação

Os que acham que a imprensa brasileira chega a ser pior do que políticos corruptos decerto vão achar ingenuidade, mas tenho por dever de ofício esperar dos jornais de amanhã - hoje não teria dado tempo - algum editorial condenado a “eleitoralização” do caso dos sanguessugas.

E aí os fatos são públicos e notórios. Os candidatos Geraldo Alckmin e Heloísa Helena perderam uma excelente oportunidade de ficar calados quando saíram a afirmar que a “matriz” do escândalo é o atual governo, porque um ex-ministro da Saúde de Lula, o petista Humberto Costa, teria sido citado nos depoimentos do capo mafioso Vadoin - o que o advogado dele nega - e porque outro, o deputado pemedebista Saraiva Felipe está entre os 90 parlamentares e ex já notificados pela CPI dos Sanguessugas para apresentar suas defesas prévias.

Levaram o troco em menos tempo do que leva para dizer bai-xa-ria. Mas o troco não despoluiu o debate.

O ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos e o da Controladoria Geral da República, Jorge Hage, convocaram uma conferência de imprensa para informar que, entre 2000 e 2004, a Planam, de Vedoin, ganhou 891 licitações [em 3.048 convênios com prefeituras] para fornecimento de ambulâncias com recursos federais, a partir de emendas parlamentares aos orçamentos anuais da União.

Todas, disseram os ministros, com “fortíssimos indícios de fraudes”, envolvendo 128 prefeituras do PSDB, 107 do PFL e 106 do PMDB [o mesmo partido cujos caciques são sempre corajosamente a favor do governo, qualquer que seja]. Prefeituras petistas fecharam apenas 19 convênios com a Planam.

Nada disso, em si, quer dizer muita coisa. PSDB, PFL e PMDB governam cada qual, muitíssimos mais municípios do que o PT. Devagar com o andor, portanto.

Segundo o jornal Valor, a sigla que teve o maior número de prefeitos envolvidos, em relação ao total de eleitos em 2000, foi o PDT (17%). Seguem-se o PPS (14%), PTB (13,6%), PSDB (12,9%), PT (10,9%), PFL (10,4%), PL (9,8%), PMDB (8,4%) e PP (5,9%).

De todo modo, é difícil não dar razão ao ministro Hage, da CGU, quando pergunta, retoricamente:

“Por que o governo que estourou e investigou o esquema [pura verdade] tem de ser posto na condição de réu?” E emendou de primeira:

“Não se trata de jogar os sanguessugas no colo do governo passado, mas de repelir o escamoteamento da verdade. A fonte da CGU não é A ou B nem quem está interessado em delação premiada. São dados objetivos. Desafio qualquer um a refutá-los.”

Eu conheço um pouco da história recente da CGU. No governo Fernando Henrique, a sigla era a mesma, mas o órgão se chamava Corregedoria e - o que mais interessa - ganhou novos poderes aos ser rebatizada de Controladoria. Desses poderes acrescidos a CGU fez bom uso no outro governo e continua fazendo neste. Nada sei que desabone o seu pessoal, antes ou agora.

Com a finesse de sempre,o líder tucano no Senado Arthur Virgílio em seguida cobriu o ministro Hage de impropérios. Chamou-o de taifeiro “que joga para debaixo do tapete as roubalheiras que o governo faz”. Mas esperar o que do nobre parlamentar?

O que conta realmente - e em relação a que a imprensa precisa tomar posição clara e forte - e não se permitir que as investigações e processos contra a vampiragem sejam contaminados pela disputa eleitoral.

Mesmo porque, infelizmente, nenhum partido pode atirar nos demais a primeira pedra, como se fosse a proverbial imagem de santa na casa de tolerância. Uns mais, outros menos, quase todas as principais agremiações representadas no Congresso, e algumas periféricas, têm suspeitos identificados de prestar serviços a Don Vedini.

Assim se distribuem os 90 políticos já notificados pela CPI [cujo presidente, por sinal, é um petista, e o vice é do PPS que apóia Alckmin - e ambos trabalham juntos pela verdade]:

PL 18
PTB 17
PP 17
PMDB 11
PFL 9
PSB 6
PSDB 4
PPS 2
PSC 2
PRB 2
PT 2


* (observatorio.ultimosegundo.ig.com.br) - Jornalista, pós-graduado pela USP, onde lecionou Sociologia da Comunicação. Escreve no Observatório da Imprensa e no jornal O Estado de S. Paulo.

 

 
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Rio Branco-AC, 28 de julho de 2006
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