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Fogo deixa famílias na miséria Casa, gado, ferramentas, animais domésticos, tudo é consumido rapidamente pelas queimadas |
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As queimadas que atingem o Estado, mais especificamente os vales do Alto e Baixo Acre têm causado prejuízos incalculáveis para a economia e deixado famílias à beira da miséria. De uma hora para outra, o fogo destrói os pastos, mata os animais, queima as ferramentas e acaba com tudo que foi construído em anos de trabalho duro. Antônio Jobe Bispo é uma das vítimas. Ele, a mulher e dois filhos residiam numa pequena colônia de 35 hectares na quadra 16 do Projeto Redenção, em Acrelândia. No último domingo, o fogo implacável levou tudo que ele tinha, ficando apenas com a roupa do corpo e a terra seca. Nem mesmo os instrumentos de trabalho lhe restaram. Motosserra, boca-de-lobo, enxada, terçado, tudo foi queimado. Sua casa virou cinzas e os poucos animais que criava morreram carbonizados. “É duro ver os porcos que eu tinha. Ficaram todos queimados. E o meu cachorro, ele não teve como escapar. Eu mesmo e minha família só escapamos porque Deus ajudou”, contou quase em lágrimas Antônio Jobe. Um pouco mais distante dali, já na BR-364, no quilômetro 85, outra família perdeu quase tudo que tinha. Sobraram a casa, um velho trator e algumas peças de madeira que seriam usadas para construir um curral. O gado também sobreviveu, com exceção de algumas cabeças que não conseguiram fugir das chamas, mas não há mais pasto para alimentá-las. Os proprietários da fazenda são João Brito Andrade, 47, e sua esposa, Irleide Ricardo Nunes, 34. Os dois foram pegos de surpresa na tarde do último sábado e não houve tempo para reação. Graças a um trator que possuem, conseguiram trazer água de um pequeno córrego que passa próximo à estrada e, com baldes, lutaram para apagar o fogo obtendo pouco sucesso. “Há dias a gente ouvia a estaladeira de mato queimando aqui, atrás de nossa fazenda. A gente estava até esperando, mas quando o fogo chegou, foi tudo tão rápido que não tivemos tempo de fazer nada”, contou Irleide que, junto com dois filhos menores tentava apagar o fogo que ameaçava as estacas do curral, enquanto o marido ajudava os vizinhos a apagar o fogo que ameaçava outras propriedades. Os esforços de João Brito foram em vão. O fogo que vinha de sua fazenda, localizada na margem esquerda da BR, no sentido Rio Branco/Porto Velho, atravessou a estrada e atingiu a propriedade da frente. Atiçado por um vento forte vindo do norte, o fogo se espalhou como rastilho de pólvora e em minutos consumiu todo o pasto. Pastoreio à beira da estrada Na mesma BR-364, agora no quilômetro 48, na margem direita, Abílio Rufino da Costa, 70 anos, pai de quatro filhos, encontrou uma solução diferente para alimentar as 40 cabeças de gado que tem em sua propriedade. Ao perceber que o pasto estava seco e que as vacas estavam morrendo atoladas à procura de grama mais verde às margens de um igarapé que passa ao fundo de sua colônia, ele resolveu levar o gado para as margens da estrada, onde o capim aparenta melhor qualidade. “Já perdi uma duas vacas porque elas estão muito fracas e, quando ficam atoladas, dificilmente conseguem sair”, explicou Abílio. Ele contou que em período normal, suas vacas produzem em torno de dez litros de leite por dia, mas que com a seca a produção está quase a zero. “As vacas não têm o que comer, então não vão conseguir dar leite algum”, lamentou. Como o número de animais que possui impossibilita que todos se alimentem à beira da estrada ao mesmo tempo, Abílio escolhe as que estão mais fracas. Com a ajuda dos filhos ele espera pacientemente até que elas fiquem saciadas. Em seguida, escolhe outras e faz o mesmo trabalho. Perguntado se não tinha medo que um veículo as atropelasse e as matassem, ele disse: “Tem esse risco, sim, mas se não fizer isso elas vão acabar morrendo do mesmo jeito”. |
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