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História do Juruá Memorial José Augusto resgata trajetória de governador apaixonado pelo Acre |
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“O Acre para os acreanos”, foi com esse slogan, um libelo do amor que dedicava à terra natal, que um jovem visionário, um homem de idéias por demais arrojadas para seu tempo, o governador José Augusto elegeu-se governador do Acre pelo voto popular, o primeiro depois da luta pela autonomia do Estado. Eram dias conturbados e de maneira súbita e avassaladora, um golpe político o apeou do cargo, abrindo uma lacuna na história desta região que somente décadas depois começa a ser contada. Numa cerimônia que mexeu com a emoção de dezenas de pessoas, o governador Jorge Viana inaugurou nesta terça-feira o Memorial José Augusto e o Museu de Cruzeiro do Sul, complexo cultural composto por um espaço de pesquisa histórica destinado à estudantes de todos os níveis e pelo Teatro José de Alencar, agora totalmente revitalizado. “O Acre resgata uma dívida com o José Augusto”, disse Viana dirigindo-se à família do ex-governador. Maria Lúcia de Mello, viúva de Augusto, não conteve as lágrimas quando ao adentrar no Memorial assistiu a uma pequena peça teatral em que o ator Renato Fayal representou os últimos minutos de seu marido no cargo de governador. No Memorial os visitantes poderão ver a faixa governamental usada por Farias e a caneta com a qual assinou o documento de posse como Chefe do Executivo Acreano, entre muitos outros documentos e objetos que resgatam a memória de Augusto. Sua curta, porém consistente, trajetória como governador não poderia ser contada em lugar mais à propósito que Cruzeiro do Sul, o lugar onde nasceu e subjugou as estruturas arcaicas de um Acre que ansiava pela modernização. O Museu de Cruzeiro do Sul possui arquitetura em estilo português da década de 40 do século passado, e seu prédio já serviu de sede para a Prefeitura local. Além disso, o prédio foi um dos palcos da integração do Estado do Acre, através da rádio A Voz dos Nauas, na década de 1950, quando também tornou-se referência para as artes, servindo como sede do Teatro José de Alencar, o primeiro do município, que foi testemunho vivo da pujança cultural da cidade, com as memoráveis apresentações do grupo folclórico das Pastorinhas. Foi, segundo os coordenadores do museu, ponte de ligação com a sétima arte através da exibição de filmes que promoviam o intercâmbio do povo de Cruzeiro com o que se passava no mundo em termos de cinema. Na década de 1980, com a mudança da sede da Prefeitura, a histórica construção foi fechada e esquecida, sendo agora reaberta e valorizada em toda a sua importância como um marco vivo da cultura histórica e do patrimônio material do povo acreano. Marcas de um tempo – Deposto pela ditadura militar que se instalou no Brasil em 1964, José Augusto de Farias deixou marcas profundas no Acre. Sua eleição foi resultado de uma luta que ajudou, o Movimento Autonomista. Trouxe ao Estado ações de inclusão social até então não vistas. “Ele pensava como o Jorge Viana, de incluir os mais pobres no processo de desenvolvimento econômico e social do Estado”, disse Ricardo Augusto, engenheiro civil de 46 anos, filho do ex-governador. No palco do Teatro José de Alencar, a família de José Augusto e o governador Jorge Viana ouviram uma cantora local entoar os hinos de Cruzeiro do Sul, primeiro, e do Acre, no encerramento. Viúva se emociona Acompanhada dos filhos Ricardo e Nazaré, da cunhada Diná Araújo, netos e sobrinhos, a viúva de José Augusto, Maria Lúcia de Mello Farias percorreu os espaços do museu e do Memorial, onde tirou fotos e pôde conhecer o esforço da equipe do Governo do Acre, assessores de Jorge Viana, em preencher o vazio histórico da vida de José Augusto que se impunha pela omissão de gestores que não se preocupavam em resgatar a importante fase do Acre vivida pelo ex-governador. “Esperamos que a população de Cruzeiro do Sul se sinta tão orgulhosa quanto nós dessa obra”, disse Maria Lúcia, ex-deputada federal. O QUE ELES DISSERAM “Tudo o que ele queria era o desenvolvimento de sua terra, o Acre” Ricardo Augusto, filho de José Augusto “Este museu e este memorial, tudo aqui, o teatro, os espaços são resultados de um trabalho coletivo. Muita gente ajudou” Marcos Vinicius, historiador, presidente da Fundação Garibaldi Brasil A história de um governador à frente de seu tempo José Augusto é o que se pode chamar de um homem a frente do seu tempo. Professor de Filosofia, e venceu Guiomard Santos na primeira disputa no período pós-Movimento Autonomista. Augusto tomou posse em março de 1963. Nascido no Vale do Juruá, José Augusto também foi o primeiro acreano a assumir o cargo de governador e sua vitória marcou o fim da hegemonia de algumas pessoas na política local. Em 1963 é promulgada a 1° Constituição do Estado do Acre. Nesse mesmo ano começa a operar em Rio Branco a o sistema telefônico com 200 terminais. Era a continuação de uma luta para integrar o Acre. Numa atitude futurista, o governador José Augusto cria mais seis municípios: Mâncio Lima, Assis Brasil, Epitaciolância, Manuel Urbano, Plácido de Castro e Senador Guiomard. Com o golpe militar de 1964, José Augusto já vinha sofrendo duras pressões para renunciar. Em 1971, o ex-governador morre no Rio de Janeiro. Cruzeiro do Sul ganha cartão-postal Avenida Mâncio Lima, um espaço de lazer para as famílias O que antes era um local mal cheiroso, onde poucos se aventuravam a andar, agora se tornou a Avenida Parque Mâncio Lima, em Cruzeiro do Sul. A segunda fase da obra foi entregue oficialmente ao uso público às 16h30 desta terça-feira pelo governador Jorge Viana. Uma multidão de cerca de 1,5 mil pessoas lotou a avenida para prestigiar o ato. Desde as 15h, no entanto, a Secretaria de Esportes coordenava uma série de atividades envolvendo a comunidade e estudantes. “Ficou muito bom”, disse o secretário de Esportes, José Alicio, ao ser indagado sobre a qualidade da obra. São mais 700 metros de urbanização daquela via. O governador defende que a via seja urbanizada até as margens do Juruá, de modo que a cidade possa ficar de frente para rio. Além de Alicio, estiveram presentes à inauguração os secretários Sergio Nakamura, de Infra-Estrutura; Mara Vida (Secretaria da Mulher), Sueli Melo, da Saúde; entre assessores e colaboradores, além de autoridades e membros da sociedade cruzeirense, como o pastor Carlos Alberto, da Igreja Evangélica Assembléia de Deus. “Passamos a chamar de Avenida Parque porque aqui é um parque”, explicou Jorge Viana. “Aliás, aqui é uma das avenidas mais bonitas do Acre”, completou. Viana falou das várias obras que havia entregado ao longo do dia sempre em atos públicos e de maciça participação popular. Citou também a questão da BR 364, cujas obras no Vale do Juruá seguem a todo vapor, e do programa Luz Para Todos, que está sendo acelerado em todo o Estado. “Vamos ser lembrados como o Governo que acabou com as lamparinas no Acre. Somos o Governo da luz elétrica para todos”, disse. Povos da Floresta – Seguindo o modelo do Parque da Maternidade de Rio Branco, a Avenida Parque Mâncio Lima terá um museu dos povos da floresta e um restaurante. O anúncio foi feito pelo governador. O prefeito em exercício de Cruzeiro do Sul, Estevão Silva, disse que não poderia deixar de reconhecer o trabalho que vem sendo desenvolvido em favor do povo de Cruzeiro e apresentou seus agradecimentos pelo que o Governo realiza na região. “Hoje Cruzeiro do Sul está feliz”, disse o prefeito. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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