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A Cultura não pára Ou: Leis, organogramas e breves reflexões “Quando eu for, levarei a mágoa de não ter sido cantora. Porque antigamente, era muito difícil, não tínhamos a liberdade que se tem hoje. Ninguém deixava a gente sair de casa, imagine subir num palco, era um crime!”, assim revelou-me Dona Guajarina numa simples conversa pouco antes do início da 15ª e última reunião do Fórum Preparatório para a I Conferencia de Cultura, na quarta-feira, dia 26. Então, eu fico pensando: hoje, a gente sobe num palco e fala e cala e canta e grita e dança. Não só isso, a gente reclama e reivindica e, se quiser, fica sem fazer nada mesmo, sobe só por subir, só pra ver como é a visão lá de cima. Hoje, Dona Guajarina vai discreta e tímida às reuniões do fórum. Ela não é uma grande cantora, mas de alguma forma, ela sobe num palco e solta a voz. Durante a nossa conversa, ela me fez algumas reclamações sobre as dificuldades para realizar as atividades e apresentações das Pastorinhas, um grupo de mulheres do Segundo Distrito. Ao ser questionado sobre o porquê que participa do fórum, ela simplesmente responde: “Minha filha, é que sou da Associação das Mulheres do Segundo Distrito”. Nas entrelinhas, ela deixa a mensagem de que está no fórum representando as culturas populares, embora enfrente as dificuldades e se sinta meio ‘tonta’ durante as discussões. “É um falatório...”, disse fazendo careta e gestos de desaprovação. “Eu não entendo muito o que falam, mas eu preciso vir pra aprender, fui professora, e nunca participei de um debate como esse”, explicou antes de começar a falar sobre o sonho de ser cantora. Na última reunião do fórum, a Fundação Garibaldi Brasil – FGB e a Fundação Elias Mansour - FEM expuseram algumas das dificuldades enfrentadas durante a execução das Leis de Incentivo à Cultura. A sociedade civil também aproveitou o espaço para expor suas preocupações, problemas e dúvidas em relação às questões burocráticas que a comunidade cultural costuma enfrentar a cada edital. Foram apontadas questões como: a troca de bônus e o relacionamento com os financiadores; comissão de avaliação dos projetos (como compor?); a formulação de projetos e a capacitação para que os proponentes sejam coerentes; o acompanhamento dos projetos aprovados (o que é realizado diante do que é aprovado, quem deve, pode e tem condições de fiscalizar?); o sistema de prestação de contas; os critérios de avaliação e os cortes nos orçamentos, entre outros. Falamos também sobre o atual organograma funcional da FGB, sobre os impasses de não ter um corpo técnico específico para a instituição. Na conferência de cultura, duas comissões deverão ser formadas: uma para apresentar uma proposta de processo de revisão da Lei Municipal de Incentivo à Cultura, e uma outra para descrever uma metodologia para o processo de reestruturação da FGB. Agenda Os encontros dos Painéis Temáticos que aconteceram durante o Fórum Preparatório já finalizaram. Agora, é só esperar a I Conferência Municipal de Cultura e efetivar o processo. Mais informações: 32242503 / 32247941 / 32240269. |
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