COTIDIANO

Soldados da borracha no Acre são destaque em jornal americano

Matéria revela as angústias vividas pelos nordestinos arregimentados

Cedida
Seringueiros trabalharam
para os aliados na extração do látex durante a Segunda Guerra Mundial


Reportagem sobre a saga dos soldados da borracha no Acre é destaque na seção américas, do jornal The New York Times. A matéria, assinada pelo jornalista Larry Rohter, revela para o mundo as angústias vividas pelos nordestinos arregimentados, a maioria, a revelia, para servir aos aliados da Segunda Guerra Mundial na extração do látex, no Acre.

Um dos entrevistados é o seringueiro Alcidino dos Santos. “Mais de 60 anos após o fim da Segunda Guerra Mundial, Alcidino e centenas de outros brasileiros pobres que foram arrastados para o serviço como soldados da borracha ainda estão na Amazônia, aguardando que as promessas sejam cumpridas. Idosos e frágeis, eles estão lutando contra o tempo e a indiferença para obter o reconhecimento e a compensação que acreditam merecer”.

A reportagem, de duas páginas no jornal americano, explica que o programa “surgiu de um acordo entre os Estados Unidos e o Brasil, depois que o ataque japonês a Pearl Harbor cortou os Estados Unidos de sua principal fonte de borracha: a Malásia”, e que “o presidente Roosevelt procurou o ditador do Brasil, Getúlio Vargas, para preencher esta lacuna estratégica em troca de milhões de dólares em empréstimos, créditos e equipamento”.

Traz ainda as declarações do historiador Marcus Vinicius das Neves, presidente da Fundação Municipal de Cultura Garibaldi Brasil, segundo as quais os ‘soldados das borrachas’ foram enganados, na medida em que não puderam retornar a suas casas.

“Quando a guerra e o interesse americano acabaram, as pessoas que lucravam com o arranjo não se mostraram dispostas a perder sua mão-de-obra gratuita. Os chefes dos seringais “temiam um êxodo caso a notícia se espalhasse, de forma que muitos soldados da borracha ainda ficaram na selva por anos, sem ter conhecimento”, disse Marcos Vinícius Neves, um historiador que é diretor de uma fundação do governo para preservação histórica”.

Rohter esteve em Rio Branco, no início da semana passada, para preparar o material, que foi publicado nesta quinta-feira, 23, incluindo também uma versão multimídia com as declarações do seringueiro Alcidino dos Santos. O portal UOL traz a matéria completa em língua portuguesa, no endereço http://noticias.uol.com.br/midiaglobal/nytimes/. A versão multimídia da entrevista de Santos, no entanto, pode ser encontrada apenas no site do NYT, no endereço http://www.nytimes.com/pages/world/americas/.

 

 
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Rio Branco-AC, 28 de novembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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