| COTIDIANO | |
Acidente no Linhão pode deixar Rio Branco dois dias no escuro Sindicato, empresas e comunidade discutem sistema de energia |
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“Os aviões foram feitos para voar, mas caem. Assim, as torres do Linhão também podem cair e demora dois dias para levantar cada uma delas”, alerta o sindicalista Alberto Fernandes, servidor da Eletronorte e diretor do Sindicato dos Urbanitários. Alberto foi um dos oradores do seminário “Energia por um Fio”, realizado no auditório da Eletroacre durante todo o dia de ontem. Segundo ele, o parque térmico teve suas atividades suspensas por decisão do Ministério Público Federal, uma vez que a Eletronorte estava pagando por energia produzida em Porto Velho mas não a vinha recebendo. “Ela cumpria um contrato no qual, consumisse ou não, tinha que pagar pela energia produzida em Rondônia”, explica Alberto. Por essa razão o MPF determinou que a produção em Rio Branco fosse substituída pela de Porto Velho. O fim da geração de energia em Rio Branco foi um dos temas mais polêmicos discutidos no seminário. Interligado ao sistema elétrico nacional, o Acre passou a receber energia trazida por uma rede de transmissão de 500 quilômetros a partir de Porto Velho. Antes, toda a energia consumida na capital e nos municípios do Vale do Acre era produzida nas usinas termelétricas da Eletronorte gerada pela queima de óleo diesel. Mas, até o momento, esta mudança em nada alterou no custo para o consumidor final ou na qualidade do serviço. “A energia é comprada em leilão”, explica o presidente da Eletroacre, Celso Matheus. Quanto à qualidade do serviço, ainda deixa a desejar segundo a diretora do Procon-Acre, Silvana Maués. A Eletroacre foi a campeã de reclamações em 2005 e subiu para a terceira colocação em 2006, embora numericamente as queixas tenham diminuído muito pouco. A maior parte das reclamações, segundo Silvana, é contra os TOIs (Termo de Ocorrência de Irregularidades). Esse procedimento é a investigação em que a Eletroacre apura, principalmente, ligações clandestinas. Matheus informou que a empresa tem perda de 30% da energia distribuída no Estado, dos quais 20% são produtos de furto. “Até gente de alto poder aquisitivo furta energia”, revela. O prejuízo com as perdas chega a R$ 3 milhões mensais, dos quais R$ 500 mil seriam de impostos para o Estado. Os impostos que incidem sobre as contas de luz chegam a 46% do valor total, incluindo FGTS, PIS e Cofins. O pior, segundo Matheus, é que a Eletroacre precisa recolher o imposto mesmo que a conta não seja paga, como é o caso da astronômica conta do Saerb, de R$ 15 milhões. Esta herança assumida pelo atual prefeito, Raimundo Angelim, começou a ser paga neste ano. Privatização da Eletroacre não desperta interesse, diz Matheus Com um mercado consumidor basicamente residencial e de baixa renda, a Eletroacre não desperta o menor interesse das empresas para fins de privatização. Esta é a opinião do seu presidente, Celso Matheus. “Pelo menos 85% dos nossos clientes são famílias de baixa renda”, afirma o presidente. Falando a uma platéia predominantemente composta por seus funcionários, Matheus estava tranqüilizando os organizadores do seminário “Energia por um fio”, para quem a empresa não pode passar mais quatro anos no governo Lula figurando em um Plano Nacional de Desestatização. Despertando ou não interesse, é certo que a Eletroacre faz parte de um grupo de cinco empresas do setor elétrico que foram compradas dos seus respectivos estados pela Eletrobrás e, em seguida, foram federalizadas e preparadas para serem privatizadas. Eletroacre, Ceron (Rondônia), Ceam (Amazonas), Cepisa (Piauí) e Ceal (Alagoas) estão no famigerado PND desde o governo FHC. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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