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Para levantar o moral

Produtores de Plácido de Castro, que andavam desanimados com o baixo preço do amendoim, animam-se com essa nova cultura


Juracy XangaiJuracy Xangai

Cinco produtores rurais de Senador Guiomard viajaram neste domingo para a cidade de Jaboticabal (SP), onde vão conhecer a experiência da Cooperativa de Produtores de Cana e Amendoim. A idéia é observar o sistema de produção e comercialização que vem sendo realizado com sucesso por aqueles agricultores paulistas e aplicar seus conceitos aqui no Estado.

No Acre existem 228 produtores de amendoim nos municípios de Senador Guiomard e Plácido de Castro, enquanto outros dez estão iniciando o plantio em Mâncio Lima. O estímulo ao desenvolvimento dessa cultura como opção de ocupação e geração de renda vem sendo estimulado pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresa do Acre (Sebrae), em parceria com o governo do Estado e as prefeituras de Senador Guiomard e Plácido de Castro, além de instituições como o Senar, Embrapa e a Universidade de Viçosa (MG) - esta última está repassando os conhecimentos para o desenvolvimento de novos produtos comerciais a partir do amendoim.

Para isso foi realizada na manhã do último sábado, na sede da Associação Esperança dos Produtores do Projeto de Assentamento Triunfo, no quilômetro 75 da AA-40. Durante toda a manhã, os produtores debateram suas dificuldades e intenções com relação à cultura do amendoim e assim preparam seu plano de trabalho focados na produção, distribuição e comercialização.

A produção comercial de amendoim no Acre ainda está restrita aos 130 produtores do ramal da Limeira e vizinhança, depois outros 40 na área do quilômetro 75 da BR-317 na direção de Boca do Acre. Outros 30 pertencem à associação Céus Abertos e 28 à Esperança do Triunfo, ambas em Plácido de Castro. Dez famílias de Mâncio Lima iniciam esta semana o preparativo do plantio naquele município.

Esperança no campo

Paulinho Almeida, prefeito de Plácido de Castro, prestigiou a reunião dos produtores. Ele esteve na última semana em Brasília acompanhando o governador Jorge Viana e o governador eleito Binho Marques. “Plácido de Castro teve a maior parte de suas terras dividida para o assentamento de pequenos produtores e, apesar das dificuldades com ramais e assistência técnica, temos um grande potencial para o desenvolvimento agrícola imediato. O interesse dos produtores de plantar amendoim nos anima muito porque essa é mais uma boa alternativa para melhorar a renda familiar e gerar riquezas em nosso município”, afirmou.

“Volto de Brasília animado com as garantias do presidente Lula de que esse seu segundo mandato estará totalmente voltado ao apoio à produção. Já no plano estadual, o governador eleito Binho Marques já definiu que os três eixos de seu mandato serão a saúde, a educação e a produção como principal geradora de renda e riquezas. Com isso, os dois nos animam muito porque criam novas esperanças de desenvolvimento no campo”, enfatizou.

O presidente do Conselho Deliberativo do Sebrae do Acre, Fernando Lage, lembrou que a missão primordial do Sebrae é levar orientação para os empreendedores do campo e da cidade a fim de que tenham sucesso em suas empreitadas favorecendo o município, o Estado e o país.

“A falta de apoio e incentivo aos produtores rurais levou os jovens para a cidade e com as novas condições de hoje favorecem o desenvolvimento da produção e novas iniciativas como esta de vocês iniciando o plantio de amendoim nos anima muito, porque assim poderemos cumprir nossa missão de apoiar o desenvolvimento produtivo. A mecanização é uma necessidade tanto para aumentar a escala de produção quanto para o aproveitamento de áreas já devastadas, evitando também as queimadas.”

Dinheiro no bolso

Destacando a importância de estimular sistemas produtivos que gerem renda para o produtor rural, o superintendente do Sebrae do Acre, Cassiano Marques, lembrou uma comparação de vantagens do amendoim sobre a cultura do milho feita por um produtor do Quinari, onde essa cultura já é uma tradição.

“Segundo os produtores, em um hectare bem cuidado eles colhem uma média de 80 sacas de 50 quilos de milho, que sendo vendidas a R$ 23 dão uma renda de R$ 1.840 na safra, enquanto a mesma área plantada com amendoim produz 88 sacas de 25 quilos, que vendidos ao preço de R$ 2 o quilo rendem R$ 3.606 na mesma área. Ou seja, pode continuar plantando milho para outras finalidades, mas já tem no amendoim um novo agregador de renda para melhorar as condições de vida da sua família. Nosso papel é contribuir para que isso dê certo.”

Esperança do Triunfo

Epitácio Bernardino dos Santos, presidente da Associação Esperanças dos Produtores Rurais do Projeto de Assentamento Triunfo, entidade que tem 52 famílias associadas, buscou no ano passado o apoio da prefeitura de Plácido de Castro para instalar ali seu primeiro plantio comercial de amendoim.

“Alguém já tinha experimentado, mas foi no ano passado que, com a ajuda da prefeitura, conseguimos do ‘Japonês do Quinari’ a semente para o plantio. Vinte pessoas experimentaram a lavoura e todo mundo gostou muito, por isso estamos interessados em aumentar a produção”, explicou o presidente.

Para que a produção do milho seja boa, os agricultores têm de plantar na segunda quinzena de agosto ou primeira de setembro, do contrário não terão boa colheita. O mesmo acontece com a lavoura do amendoim, que precisa ser planada no início do mês de outubro, mas as queimadas só foram autorizadas em oito de novembro, com isso as lavouras foram feitas com atraso, o que vai causar queda na produção prevista para o ano que vem, com conseqüentes prejuízos para o Estado e principalmente para as famílias dos produtores.

Cada quilo de semente recebido foi devolvido com outros dois quilos ao “Japonês”, mas para se ter uma idéia da vantagem para os produtores é que, segundo Epitácio, quem plantou três quilos colheu uma média de 30 sacas de 25 quilos com amendoim em casca. “É uma lavoura muito boa. O pessoal ficou animado, mas só não plantou mais porque faltou a mecanização e também porque a gente não podia queimar para preparar a terra. Proíbem a gente de queimar, mas não oferecem condição para produzir de outro jeito e assim as coisas ficam muito difíceis”, lamentou o representante dos produtores.

Multiplicação do dinheiro

O pioneiro no plantio do amendoim no projeto Triunfo é João Lopes Pereira, 44, que até dois anos atrás nunca tinha mexido com essa lavoura, mas animou-se com a chegada de uma família de Senador Guiomard que veio morar ao lado de sua colônia.

“Resolvi experimentar a primeira lavoura em 2004. Não cuidei direito, mesmo assim ela produziu bastante amendoim. Fiquei animado e no ano passado plantei sete quilos de semente e colhi mais de 1.400 quilos de grãos. O ‘Japonês’ prometeu pagar R$ 2,50 o quilo, nos cuidamos bem do produto e ele pagou. Já os que não fizeram o serviço direito receberam só R$ 2. Eu e meu parceiro vendemos da produção, o um quarto que me restou eu resolvi torrar orientado pela família do Quinari. Deu trabalho, mas aprendi a dar o ponto”, relatou.

A trabalheira redobrada acabou compensando porque, além dos 330 quilos de sua produção, ainda teve de comprar mais 200 de seu genro e 40 de um vizinho para dar conta de atender as encomendas. “Vendi os torrados na base de R$ 8 o quilo em dois comércios de Plácido de Castro e o resto atendendo as encomendas. Também aproveitava para vender junto dos campos de futebol, então deixava minha mulher vendendo e ia jogar. Ela me ajuda muito, principalmente com essa lavoura de amendoim, que está sendo uma grande ajuda na nossa vida.”

 

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Rio Branco-AC, 28 de novembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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