OPINIÃO
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Mauricília Pereira da Silva *

 

Educação ambiental nas empresas: um processo necessário

Um programa de educação ambiental para ser efetivo deve promover, simultaneamente, o desenvolvimento de conhecimento, de atitudes e de habilidades necessárias à preservação e melhoria da qualidade ambiental, sejam no ambiente das empresas, escolas, nos espaços urbanos e rurais. A educação ambiental é ponto relevante para mudança de valores e atitudes, por tratar da educação do ser humano versus sua relação com o meio ambiente.

Como diz o físico austríaco e ecologista Fritojf Capra, autor do livro Teia da Vida: “Hoje, a educação é a capacidade de perceber as conexões ocultas entre os fenômenos”. A essa capacidade ele dá o nome de pensamento sistêmico: um pensamento que considera as relações, padrões e o contexto, integrando dimensões biológicas, cognitivas e sociais. A percepção de como viver em equilíbrio com a natureza requer um olhar mais holístico sobre o planeta.

Há mais de uma década, os acordos internacionais sobre meio ambiente e desenvolvimento humano vêm colocando como princípio a melhoria do desempenho ambiental das empresas.

O processo de sensibilização e conscientização para as questões ambientais voltado para o público interno das Empresas, comunidade de seu entorno e clientes, requer persistência e continuidade de ações com este fim, como palestras, gincanas, sessões de filmes ambientais etc., além da participação em fóruns, conselhos, redes, comissões, coletivo educador, onde temas como agricultura, educação, desenvolvimento, tecnologia e meio ambiente norteiam as discussões.

A Embrapa Acre, assim como as outras unidades da Empresa, tem investido em responsabilidade ambiental e social. É uma empresa que gera novas tecnologias, promove mudanças no modo de lidar com a terra e os recursos naturais. O grande desafio é conciliar a melhoria da qualidade de vida da população e fazer valer o conceito de desenvolvimento sustentável. Informar a respeito dos danos ambientais que nos afetam é um passo importante para sensibilizar e fazer com que cada pessoa se sinta responsável por estes problemas e motivado a cooperar para a redução dos danos. Uma vez que mesmo atividades rotineiras como tomar banho, comer e locomover-se deixam marcas no meio ambiente.

As empresas públicas e privadas ainda estão em fase de adequação às novas exigências da legislação ambiental e da cadeia de consumidores conscientes. Hoje, segundo dados da ONG Pegada Ecológica Brasil, a população do planeta excede em 30% sua capacidade bioprodutiva, ao considerarmos a necessidade de preservação da biodiversidade, esse desvio sobe para 50%.

Os temas ambientais globais relacionados à qualidade de vida no planeta precisam ser debatidos amplamente com a sociedade, como por exemplo, a queima de combustíveis fósseis (petróleo e derivados e carvão mineral) que movimenta a economia do planeta e é o maior causador do aquecimento global; a fome no mundo, o desmatamento das florestas tropicais, os recursos hídricos do planeta, entre outros. A informação é fundamental para sensibilizar e conscientizar, deve ser trabalhada por meio dos diversos tipos de linguagem, a fim de que se estabeleça a comunicação entre as partes sobre os temas abordados.

A política das empresas deve se voltar para a promoção de um modelo de desenvolvimento sustentável, com propostas que assegurem uma gestão responsável dos recursos naturais do planeta, a fim de preservá-los para as gerações futuras, como também atender as necessidades das gerações atuais. É fundamental, hoje, compatibilizar práticas econômicas e conservacionistas, que tenham notadamente reflexos positivos junto à qualidade de vida de todos.

A educação ambiental deve contagiar a todos em defesa do bem estar planetário, ser permanente e construir uma consciência crítica sobre o meio ambiente, fazendo com que toda a sociedade seja capaz de entender o princípio e a evolução dos problemas ambientais atuais que tendem ao agravamento se nada for feito. Em contrapartida aos problemas antrópicos gerados ao longo dos tempos, rastros da agressão exacerbada sobre os recursos naturais, é preciso lutar para que cada unidade de energia retirada do planeta tenha uma produtividade 10, 100, 1000 vezes maior do que aquela obtida nos dias de hoje. Ou isso, ou chegaremos ao fim em breve.

* Analista da Embrapa-Acre, pós-graduanda em Educação Ambiental - Senac/DF

 

 
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Rio Branco-AC, 28 de novembro de 2006
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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