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Educação no caminho certo

Maria Correia esclarece na Aleac avaliação do ensino e mostra que sistema adotado traz resultados positivos

Cedida
Secretária Maria Correia esteve
ontem na Aleac para explicar
avaliação do ensino no Estado

A secretária de Educação do Acre, Maria Correia, esteve na Assembléia Legislativa nesta quarta-feira para prestar esclarecimentos sobre o desempenho do Acre nos exames de avaliação do ensino. “O Exame Nacional de Ensino Médio, o Enem, é um importante instrumento para avaliar o estudante, mas encontra dificuldades de comparações entre sistemas e escolas”, esclareceu a secretária, que foi à Aleac atendendo requerimento proposto pelos deputados Luiz Calixto e Naluh Gouveia para falar dos resultados do Enem, do Prova Brasil e do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb).

Em 1999, segundo recordou a secretária, ao optar por grandes investimentos na educação o Governo da Floresta concentrou esforço na base do ensino. Tempos depois, esses esforços apontam melhoria significativa do desempenho dos alunos da quarta e oitava séries.

Diante da situação encontrada, o salto foi significativo”, disse aos deputados. De acordo com a secretária, quando os resultados de uma avaliação por amostragem e de uma avaliação do universo apresentam resultados semelhantes, não há como negar que o projeto de educação do Acre está no rumo certo.

Todo o esforço feito num tempo relativamente curto (menos de dez anos) para ver mudanças qualitativas em educação está produzindo um resultado reconhecido pelo próprio Ministério da Educação. Os alunos que hoje estão no ensino fundamental quando forem avaliados no ensino médio apresentarão, em breve, um melhor desempenho.

Maria Correia detalhou a evolução dos exames utilizando telão apresentando gráficos comparativos dos resultados obtidos pelo Acre em avaliação geral e de matemática e língua portuguesa entre 1999 e 2005. Antes, lembrou que os dados são produzidos pelo Ministério da Educação por meio do Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais (Inep).

O órgão avalia os sistemas educacionais através do Saeb desde 1990, o que permite a construção de uma série histórica, possibilitando a comparação do desempenho do sistema a cada dois anos consigo mesmo e com outros Estados.

Essa é uma avaliação que subsidia as secretarias de Educação dos Estados e municípios na definição de políticas visando a melhoria do ensino.

Em 2005, além da avaliação feita pelo Saeb, o Inep realizou o Prova Brasil com as quartas e oitavas séries. A diferença entre um e outro é que o Prova Brasil trabalha com o universo dos alunos e não por amostragem, o que possibilita que a escola acesse o seu desempenho individual, permitindo tomadas de decisões mais imediatas no âmbito das unidades de ensino.

O Inep é também responsável pelo Enem, lembrou Maria Correia. Esse exame tem o objetivo de dar oportunidade de acesso a algumas universidades e à bolsa do ProUni, programa do governo federal para que estudantes de baixa renda possam ingressar no ensino superior em universidades particulares.

O Acre saiu do último lugar em 1999 para o 11º na Prova Brasil e em 2005 na avaliação em Língua Portuguesa da quarta série. O dado foi mais uma vez lembrado por Maria Correia.

Enem não avalia o sistema; amostra pode não ser representativa do universo escolar

Ao contrário do Saeb, o Enem não avalia o sistema porque não é obrigatório. Além disso, alunos que já concluíram o ensino médio há muito tempo também podem fazer o Enem. Considerando que a amostra de alunos dos terceiros anos que fazem o Enem nem sempre é representativa, qualquer generalização que se pretenda fazer pode ficar comprometida.

Quando analisados, os resultados do Saeb e do Enem mostram que em todo o país há problemas de desempenho dos alunos do ensino médio. Entre vários fatores, pode-se creditar esse desempenho ruim a uma série de políticas nacionais equivocadas para esse nível de ensino. Considerando que mudanças qualitativas não ocorrem em curto prazo em educação, quando se faz uma análise mais aprofundada dos resultados das avaliações realizadas pelo Inep pode-se constatar que os resultados do Enem e do Saeb mostram as fragilidades que os alunos trouxeram da base, ou seja, os alunos avaliados pelos dois exames (que cursavam o terceiro ano) em 2005 estavam na 6ª série do ensino fundamental quando o projeto de educação em curso se iniciava no Acre. Uma das maiores queixas dos professores do ensino médio é de que o aluno chega a esse nível sem os conhecimentos básicos necessários para que as disciplinas sejam trabalhadas de acordo com o que se propõe desenvolver no estudante.

Parlamento avalia situação do ensino e maioria vê avanços

Com a ida de Maria Correia à Assembléia Legislativa, os deputados puderam obter mais informações sobre a situação da educação no Acre. A maioria deles viu avanços no sistema. Moisés Diniz, por exemplo, alertou para a boa compreensão dos dados relativos ao ensino médio. “Esse nível de ensino atinge a fase mais difícil da vida”, afirmou. O deputado Gilberto Diniz enalteceu a ação do governo na educação e pediu mais bolsas de estudo para estudantes carentes. O deputado Delorgem Campos sugeriu mudanças na metodologia de avaliação do Enem. Luiz Calixto, um dos que pediram a presença de Maria Correia na Aleac, fez várias considerações sobre o desempenho do Acre no exame de nível médio.

Thaumaturgo Lima declarou que será a educação que vai colocar o Brasil e o Acre no rumo do desenvolvimento e lembrou que o ensino médio está em todos os municípios. “Temos o ensino médio na Foz do Breu e em comunidades do Rio Moa.”

Donald Fernandes pediu maior reconhecimento à escola Rodrigues Leite pelo seu bom desempenho no Enem. Naluh Gouveia falou das dificuldades da educação e que estão sendo superadas com muito trabalho.

“Problemas no ensino fundamental são históricos. Temos de enfrentá-los”

De acordo com dados já divulgados pela Secretaria de Educação, os estudantes acreanos receberam nota média 158,7 no Saeb 2003 e conseguiram 171,9 pontos ou 13,2 pontos a mais no Prova Brasil. As escolas Frei Peregrino Carneiro de Lima e o Colégio de Aplicação foram os que mais se destacaram: a primeira conseguiu 205,1 em língua portuguesa e o segundo, 203,9 pontos em matemática da quarta série.

Na 8ª série, os alunos se saíram melhor em matemática e subiram 8 pontos no Prova Brasil em relação ao Saeb: foram 231,1 na Prova Brasil e 223,1 no Saeb. O Colégio de Aplicação se destacou na 8ª série: 248,4 em português e 267,5 em matemática. Em todo o Estado, 14.132 alunos de 179 escolas de 22 municípios participaram da Prova Brasil. Foram 10.474 alunos de 122 escolas estaduais, 3.570 de 56 escolas municipais e 88 do Colégio de Aplicação. Os números remontam aos investimentos realizados desde a construção e reforma de escolas, melhorias salariais, plano de carreira profissional, repasse de dinheiro diretamente às escolas, autonomia escolar, capacitação e formação em nível superior, integração do sistema municipal com o estadual, entre outros. “Os problemas com o ensino médio são históricos no Brasil. Temos que enfrentá-los”, concluiu a secretaria, agradecendo pela possibilidade de estar na Casa do Povo apresentando explicações sobre seu trabalho. Vários integrantes de sua equipe estiveram presentes à sessão dedicada exclusivamente ao debate sobre a educação.

Que mudanças ocorreram nos últimos anos?

Maria Correia: “Quando assumimos a Secretaria de Estado de Educação, em 1999, o Acre disputava o último lugar com outros Estados do Norte e Nordeste nessas avaliações de ensino. De lá para cá, estamos fazendo um trabalho com a construção de um projeto claro para a educação que inclui a melhoria dos espaços físicos, a formação dos professores e as condições de trabalho. Enfim, isso vem dando um resultado demonstrado nas análises do Sistema de Avaliação da Educação Básica, o SAB.

Sintetize as avaliações do SAEB e Prova Brasil

Maria Correia: “O SAEB é uma avaliação que o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP), instituição do Ministério da Educação e Cultura (MEC), realiza em todo o país a cada dois anos. Ele avalia as quartas e oitavas séries e os terceiros anos do ensino médio. O Prova Brasil usa metodologia semelhante. Ele foi realizado em 2005 e avaliou o universo das quartas e oitavas séries. Essas avaliações permitem uma análise do sistema.

E o Enem?

Maria Correia: “O Enem, que é uma avaliação feita anualmente de egressos do ensino médio e pessoas dos últimos anos do ensino médio. Nessa avaliação nós temos dificuldade de fazer comparações e avaliar o sistema porque ela é opcional, ou seja, faz quem quer. Isso dá um viés nos resultados que dificulta a comparação. O máximo que se pode fazer com os resultados do Enem é a escola que colocou uma amostra significativa de alunos para as provas utilizar os resultados para trabalhar internamente.

Quais os benefícios do Enem?

Maria Correia: O Enem permite que o aluno acesse algumas universidades particulares e a bolsa federal do Pro-Uni. A dificuldade que se tem de trabalhar o resultado do Enem para efeito de comparação é porque depende da quantidade de alunos avaliados. Suponhamos que uma escola coloca dez alunos, que é o mínimo para a avaliação, e esse número se sair bem nas provas, o índice da instituição sobe, mas não é representativo do desempenho de todos os demais. Esse é o único complicador do Enem para efeito de comparação.


 

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Rio Branco-AC, 29 de março de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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