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Bilhetagem, ferramenta a serviço da comunidade

Saiba mais sobre os benefícios dessa nova tecnologia, que vai melhorar o sistema coletivo

Divulgação
Transporte coletivo de Rio Branco vem recebendo incentivo municipal para melhoria do serviço prestado à comunidade


A prefeitura de Rio Branco, por meio da Superintendência de Transportes e Trânsito de Rio Branco (RBTrans), acompanha passo a passo a implantação da bilhetagem eletrônica, a nova tecnologia que vai dinamizar o sistema de transportes coletivos de Rio Branco. Esse serviço é feito pelo Sindicato da Empresas de Transporte Coletivo, (Sindcol), que informou que todos os ônibus do município já passaram pelo processo de instalação dos leitores de cartões magnéticos, conhecidos como validadores e que agora entram em fase de testes.

Eles serão colocados à prova por 15 dias, antes de serem efetivamente disponibilizados à população. O sistema de bilhetagem já é uma realidade na maior parte das capitais e grandes cidades brasileiras.

“O sistema consiste basicamente no fato de agregar um validador à catraca, que tem a função de controlar e registrar a liberação de todos os giros. As informações coletadas pelo validador são transmitidas a um computador, por meio de tecnologia GSM. Com isso, teremos números atualizados, já que todos irão passar nas roletas, mesmo as gratuidades”, afirma Ítalo César de Medeiros, diretor de Transportes da RBTrans.

Desse modo, o uso indevido da gratuidade também será permanentemente fiscalizado. “Com base nesse controle, será possível finalmente ter um diagnóstico preciso do número de passageiros que fazem uso da gratuidade, tema bastante difundido em tempos de ajustes de tarifa”, diz.

Vantagens do sistema ao passageiro

O maior ganho, de fato, será a possibilidade de integração temporal e espacial. O Terminal Urbano deixa de ser o único ponto de integração, já que o usuário poderá desembarcar em qualquer trecho da viagem e prosseguir em outra sem pagar uma nova passagem. Com isso o tempo de viagem pode ser reduzido, o que representa maior agilidade nos deslocamentos, um número menor de pessoas no Terminal Urbano e maior qualidade no transporte.

Medeiros cita como exemplo o caso de um aluno da Universidade Federal do Acre que, eventualmente, seja morador do Conjunto Manoel Julião e que todos os dias segue ao terminal para em seguida se deslocar para a Ufac.

Esse aluno poderá desembarcar na avenida Getúlio Vargas e caminhar até o ponto do pronto-socorro, para em seguida seguir viagem sem pagar outra passagem, usando por exemplo, o ônibus da linha Universitário. A sugestão da RBTrans para os usuários é a de que comecem a fazer esse trabalho de planejamento, imaginando quais integrações poderão fazer nos deslocamentos do seu dia a dia, seja para trabalho, seja para o lazer ou seja para a escola.

Mas a RBTrans lembra que a integração não vai servir para alguns casos, como retornar no mesmo ônibus ou corredor de transporte em sentido contrário, ou para quem descer e alguns minutos depois tentar embarcar no mesmo coletivo.

“O usuário que pensar em descer do ônibus, resolver um pequeno problema e embarcar no mesmo ônibus, tentando usufruir da mesma passagem, não vai conseguir, pois a integração só funcionará em linhas que se cruzem em sentidos que proporcionem uma continuidade clara da viagem em outro sentido. Para que isso aconteça, estamos cruzando essas informações e validando no sistema”, afirma o diretor da RBTrans.

Início de operação do sistema

Para a implantação do sistema foi elaborado um planejamento estratégico que envolveu técnicos do Sindcol e da RBTrans, assim como seus diretores. A decisão foi por iniciar o imediato cadastro de estudantes, considerando que estes têm maior capacidade de aprendizagem e são mais de 27 mil cadastros anuais. Nesse mesmo tempo estão sendo cadastrados e treinados os funcionários das empresas. Somente após este período serão incluídas no sistema, as demais categorias, que são as gratuidades e o vale transporte.

A estrutura de atendimento montada na sede do Sindcol abrangeu mais de 30 pessoas, atuando de forma direta e com dedicação exclusiva. O trabalho, que teve início em 14 de janeiro, teve seu pico de atendimento nos últimos dias, sendo que diariamente mais de 850 pessoas chegaram a se cadastrar.

“Apesar do esforço de todos, ouvimos muitas críticas ao processo, mas estamos convictos de que foi um grande trabalho, pois, mais de 20 mil alunos já estão de posse de seus cartões, em menos de 60 dias. Esperamos agora que a situação se estabilize já que a média anual é de 27 mil cadastros, saldo este que deve ser diluído ao longo do ano”, ressalta Ricardo Torres, superintendente da RBTrans.

Ele lembra que, embora se considere os esforços dos últimos três anos, de melhorar o sistema, esperavam-se até 120 dias para que estes mesmos números de cadastros fossem atingidos.

O superintendente esclarece também que os alunos que ainda não tiveram suas matrículas realizadas ou não iniciaram suas aulas não precisam se preocupar, já que a emissão do cartão não pára.

“Houve um entendimento equivocado por parte dos interessados, que os levou a correria de última hora, e ainda o fato de que muitos deixam sempre para os últimos dias, de certa forma uma cultura comum no Brasil. O bloqueio que foi informado não era para a emissão dos cartões, mas sim para venda de passe escolar com carteiras antigas”, esclarece o superintendente.

A pedido do Procon, a direção do Sindcol e da RBTrans se fez presente na sede daquela instituição para esclarecer a representantes dos diretórios centrais dos estudantes, tanto da Ufac quanto da Uninorte, os encaminhamentos que seriam adotados para melhorar o atendimento. Os alunos cobraram mais pontos de venda e pediram visitas técnicas a universidade e à faculdade, para esclarecer melhor o funcionamento do sistema.

O Sindcol deverá se manifestar em breve sobre os pontos de venda, enquanto que a RBTrans promoverá palestras nestas duas instituições de ensino. O encontro foi considerado satisfatório por representantes do Procon e ficou o compromisso de que as reuniões técnicas serão acompanhadas pela instituição.

Cadastrados de idosos e de deficientes

Os próximos usuários a serem registrados no sistema serão os idosos e deficientes. Por isso, um esquema especial será montado. A idéia é a de que esse processo seja gradativo, passando inclusive pela substituição eventual do dia a dia, no caso de primeiro cadastro, emissões de segunda via ou aqueles que tenham interesse de possuir o cartão de imediato.

“Ainda não fechamos um entendimento de como atender esta demanda em especial, mas estamos buscando viabilizar outros pontos de atendimento ou um cadastramento em parceria com associações e entidades não-governamentais que têm ações voltadas para um trabalho junto aos idosos e aos deficientes. Este grupo merece atenção redobrada”, afirma Torres.

O calendário e a forma de como se dará a substituição serão divulgados até o final início de abril, pelo Sindcol e pela RBTrans. O superintendente lembra ainda que, independente do uso do cartão, a legislação garante ao idoso maior de 65 anos o embarque somente com a apresentação de um documento de identificação válido.

“Nos próximos dias estaremos convidando todos os órgãos de controle externo, como Ministério Público, Procon e associações para nos ajudar a planejar o esquema de atendimento a idosos e deficientes. Com mais pessoas envolvidas, teremos um conjunto maior e melhor de propostas na mesa para uma escolha mais acertada”, avalia o superintendente.

Compromisso de usuários e de operadores

A primeira via do cartão é cedido ao usuário, devendo este zelar pela integridade do cartão. Se bem cuidado o prazo de validade é de cinco anos. No caso de vale transporte e passe estudantil, quando acabar os créditos (as passagens) do cartão, estes serão carregados novamente, de forma rápida e segura, mediante solicitação junto ao Sindcol.

Continuam valendo os critérios de punição para o uso indevido, ou seja, quem for flagrado fazendo uso de um cartão que não seja o seu, terá a tarjeta retida e as penas vão de suspensão temporária do benefício até suspensão definitiva.

Para aqueles que extraviarem o cartão, será cobrada uma taxa de dez vezes o valor da tarifa vigente, conforme estabelece a legislação.

“O cartão é de longa durabilidade, portanto qualquer usuário poderá passar até cinco anos utilizando-o, sem necessidade de retornar anualmente para substituí-lo, no entanto, o cartão tem um custo e a segunda via será cobrada em caso de perda ou extravio”, avisa César de Medeiros.

Os motoristas, os cobradores e os fiscais deverão “abrir viagem” com seus cartões, registrando data, hora e ônibus no início de cada uma delas. Com isso a RBTrans espera reduzir significativamente uma das maiores reclamações dos usuários, que é o cumprimento das “ordens de serviço” no horário previsto. O motorista, ao sair, deverá validar sua saída ou chegada e ficará registrado no sistema o exato momento dessa validação.

Com isso, a dúvida de cumprimento de ordens de serviço em função de divergências nos horários dos relógios não irá existir, assim como também uma eventual esticada no descanso do ponto final.

O novo sistema provocará demissão de cobradores?

Quem pensa que com o novo processo os cobradores ficarão sem espaço está enganado, eles terão papel fundamental. Os cartões de estudante e gratuidade só darão garantia de acesso ao ônibus, depois que o cobrador conferir a foto impressa no cartão e autorizar a passagem do usuário, já que ambos são pessoais e intransferíveis. Além disso, a Bilhetagem Eletrônica não tira o direito daqueles que preferem fazer o pagamento da passagem com dinheiro.

Durante o processo de implantação o cobrador será a peça chave para o sucesso do processo de implantação, pois atuará como um mediador. Em síntese, ele vai tirar as dúvidas e repassar instruções e dicas aos usuários que por ventura venham a ter dificuldades no uso do sistema.

Maior segurança nos ônibus

Outros benefícios diretos no dia a dia do usuário estão ligados ao critério de segurança, já que com a diminuição da circulação de dinheiro dentro dos ônibus o risco de assalto é reduzido e em caso de perda ou roubo do cartão os créditos não utilizados podem ser bloqueados, por meio de um telefone à disposição da população.

Uma aquisição adicional foi pactuada entre as empresas, que foi a de instalar em todos os ônibus câmeras de segurança. Somente 15% da frota possuíam esse monitoramento. A meta agora é a de que este número se eleve para mais de 50% do total de coletivos circulando. Atos de violência, assaltos, ou até de comportamento indecorosos serão registrados. Isso inibe o desrespeito aos idosos, os maus-tratos de operadores aos passageiros e vice-versa, possibilitando dirimir dúvidas e reclamações que chegam a RBTrans.

Cartões existentes

Meu Cartão Estudante – É assegurado o desconto de 50% (cinqüenta por cento) sobre a tarifa comum; aos estudantes dos estabelecimentos privados ou públicos municipais, estaduais e federais do ensino infantil, fundamental, médio e superior, reconhecidos pelo Ministério da Educação.

Meu Cartão Especial – Concedido às crianças com idade de até seis anos e aos portadores de deficiência física, mental, auditiva ou visual, com ou sem direito a acompanhante, conforme legislação vigente, com direito a isenção total no pagamento da tarifa.

Meu Cartão Idoso – Concedido aos idosos acima de 65 anos, de acordo com o disposto no Estatuto do Idoso – Lei Federal n.º 10.471 de 01/10/2003, que dá direito a isenção total no pagamento da tarifa.

Meu Cartão Vale-Transporte – Concedido pelo empregador aos seus trabalhadores, de acordo com o disposto na Lei Federal n.º 7.418 de 16/12/1985, sendo impedida a sua substituição por antecipação em dinheiro ou qualquer outra forma de pagamento;

Meu Cartão Operacional – Concedido aos operadores do sistema de transportes coletivos como motoristas, cobradores e fiscais das Empresas ou da RBTrans.

Meu Cartão Livre – Venda direta em dinheiro, a qualquer usuário que utilize o sistema, com sistema de créditos similar aos de cartões telefônicos.

 
 
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Rio Branco-AC, 29 de março de 2008
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