COTIDIANO

Pára-quedista acreano morre em salto durante apresentação

Inquérito para investigar fatalidade foi instaurado pela Polícia Civil

Divulgação
Gilber Félix saltou de uma
altura de mais de 2 mil metros


Renata Brasileiro

Na tarde de domingo, Gilber Félix do Nascimento, 28, saltou de uma altura de 7 mil pés (o equivalente a 2.133 metros). Era o seu 18º salto e estava prestes a ingressar na categoria A, o mais alto nível a que o pára-quedista chega, correspondente ao seu grau de experiência.

Mas, por uma fatalidade ainda inexplicável, Gilber não conseguiu abrir o pára-quedas completamente. Sua chegada em solo, que deveria ser na pista do antigo aeroporto, aconteceu de forma trágica, quando quase em queda livre seu corpo caiu próximo ao estádio Arena da Floresta.

Devido à velocidade e impacto da queda, Gilber Félix teve várias partes do corpo fraturadas e morreu de hemorragia interna três minutos depois de receber o atendimento do Samu.

Foi a maior tragédia já registrada na história do pára-quedismo acreano e todos os esportistas estão de luto, segundo o presidente da federação no Acre, Getúlio Azevedo.

Para o presidente, responsável por dobrar o pára-quedas de Gilber Félix, a falha foi do próprio pára-quedista. Ele argumenta que a vítima não acionou o equipamento em tempo hábil e que já estava muito próximo do solo quando o procedimento foi feito. Por essa razão, Gilber Félix rodou várias vezes no ar até chegar ao chão.

“Quando ele puxou o pára-quedas reserva, também já estava baixo demais para amortecer a queda”, completou.

Na manhã de ontem, o delegado da 2ª Unidade de Segurança Pública, Ilzomar Pontes, disse que a polícia já instaurou inquérito para apurar os reais motivos que levaram o equipamento do pára-quedista a não abrir.

A polícia trabalha com todas as possibilidades no momento: o fato de ter sido uma falha do próprio Gilber Félix, ou ainda das instruções dadas pela equipe da federação momentos antes do salto.

“Vamos ouvir o presidente da federação para que possamos embasar melhor esse trabalho investigativo que começa agora. Dentro de 30 dias, ou menos, teremos o resultado dessa investigação”, destacou o delegado.

Quem está fazendo a perícia no local do acidente, bem como nos equipamentos utilizados pelo pára-quedista, é o Instituto de Criminalísitica do Acre.

“Ainda é cedo para falarmos o que aconteceu. A única informação preliminar que a polícia tem é de que aconteceu uma fatalidade na tarde de domingo e que há muitas questões para serem levantadas”, argumentou o delegado.

Dor da família

Gilber Félix era casado e tinha um filho de 4 anos, que talvez fosse o maior admirador de sua coragem e habilidade ao saltar. Sempre presente a cada apresentação do pai, o garotinho também visualizou a tragédia juntamente com centenas de pessoas que estavam no estacionamento do antigo aeroporto prestigiando a 4ª Etapa de Arrancadas. Os saltos seriam um show à parte.

“Não deixamos de nos envolver emocionalmente com a situação dessa. O menino tinha o costume de correr rumo ao pai toda vez que ele chegava ao solo. E nesse domingo ele notou algo errado, viu o pára-quedas enrolado no corpo do pai enquanto caía. Quando o corpo atingiu o chão, o menino quis correr, como sempre fez. Mas algumas pessoas o seguraram”, disse o delegado.

A mulher de Gilber Félix preferiu não dar entrevistas. Assim como ela, toda a família está abalada com a tragédia e prefere o silêncio no momento. O velório do esportista, que trabalhava como revendedor de produtos Brastemp, aconteceu ontem, na Capela São João Batista.

 

 
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Rio Branco-AC, 29 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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