POLÍTICA

Biodiesel no Acre

Dono da primeira patente de produção industrial do combustível, Expedito Teixeira visita instalações da Funtac

Regiclay Saady
Engenheiro visita o Acre a convite
de Jorge Viana e do governo do Estado


Andréa Zílio

Até 2008 será obrigatório, no Brasil, a mistura de 2% de biocombustível, o chamado biodiesel, a todo óleo consumido no país. O governo federal avalia que será necessário produzir quase 1 bilhão de litros por ano para atender essa demanda, e o Estado do Acre mostra-se atento ao mercado e investe nessa idéia, que também vai ao encontro de sua política de desenvolvimento sustentável.

Ontem, o engenheiro químico cearense Expedito Parente esteve em Rio Branco para acompanhar as instalações finais do equipamento montado na Fundação de Tecnologia do Acre (Funtac). Expedito é dono da primeira patente mundialmente registrada de um processo de produção industrial do biodiesel, e por isso ficou conhecido como “o papa do biodiesel”.

Acompanhado do ex-governador Jorge Viana, que hoje preside o Fórum de Desenvolvimento Sustentável do Acre, e do presidente da Funtac, César Dotto, ele esteve presente durante o funcionamento das máquinas - que começam a fazer testes com a mamona e o óleo de soja - e também participou de reuniões que visam articular uma terceira etapa no processo de biodiesel no Acre, que é o investimento privado.

Assim como no Estado, a empresa de Expedito, que fabrica o maquinário responsável pelo processo industrial de fabricação do biodiosel, já instalou mais nove laboratórios em todo o país, semelhantes ao construído na Funtac. Aqui, o engenheiro químico diz que está tudo muito bem feito, com boas estruturas, e que esse investimento será essencial para atrair empresas privadas para também investirem no biodiosel, pois sentirão mais segurança com o suporte da fundação.

E é isso que Jorge Viana deseja. Ele fala que não medirá esforços para desenvolver a terceira fase - de investimentos privados - no biodiesel no Acre. “O governo do Estado já fez sua parte, com forte apoio do senador Sibá Machado e do senador Tião Viana. Agora faltam outros investimentos. Garanto que estamos todos trabalhando para que, em pouco tempo, o Acre esteja trabalhando o biodisel através do setor privado. Energia é tudo: ou temos ou não temos. E sempre apoiei alternativas boas e viáveis como essa”, diz Jorge Viana.

O presidente da Funtac, César Dotto, argumenta que o Acre possui os melhores equipamentos para dar o suporte necessário com pesquisas. E que a primeira etapa, de estudos, e a segunda, de instalação e operacionalização, foram bem feitas e com êxito, agora é chegada a hora de avançar.

Biodiesel acreano – Funcionando no Centro de Referência de Energia de Fontes Renováveis, o projeto de biodesel no Acre há duas semanas também conta com a consultoria do engenheiro químico Carlos Eduardo, que comenta sobre a expectativa de o biodiesel levar energia até as comunidades isoladas no Estado e garante que o Acre tem tudo para ser uma das referências. “Estamos prontos para oferecer capacitação de pessoal, gerenciamento da linha de produção e pesquisas aqui na Funtac”, comenta o engenheiro sobre seu trabalho.

A gerente do Centro de Referência, Nádima Farias Kunrath, afirma que a empresa Brasil Ecodiesel está se instalando para comprar matéria-prima do Estado. Em parceria com o governo, a empresa está selecionando três mil produtores para serem seus fornecedores, mas o projeto é que posteriormente ela ou outra empresa instale indústria no Acre, para comprar matéria-prima e produzir no Estado.

Biodiesel da Amazônia - Expedito Parente é também professor da Universidade Federal do Ceará. Ele afirma que o biodiesel tem um papel muito importante, que vai além do econômico, abrangendo o social. “A terra está doente, uma das primeiras missões do biodiesel é ser um dos remédios de que ela precisa. O segundo é o foco social e ele tem energia para isso, gerando também muitos empregos e fortalecendo a economia. E na Amazônia ele ganha uma terceira função, que é a integração da região com o resto do Brasil. Será a amazonização do biodiesel”, comenta.

O Acre caminha rumo a uma outra economia, que é o biodiesel de forma ampliada, segundo os profissionais que atuam para o sucesso do projeto, trabalhando não só a produção do óleo, mas a cadeia produtiva como um todo. E isso, segundo Expedito, considerado um dos grandes entendedores do assunto, é uma vantagem que pode gerar bons resultados.

 
 
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Rio Branco-AC, 29 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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