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VARIEDADES

Conhecendo os povos

Jornalista e arquiteta viajam pelo Brasil para registrar sua raça e crença. Em um fusca, elas chegam à Amazônia

Marcos Vicentti
Fernanda e Anouk registram cada
lugar do Brasil por onde passam


Andréa Zílio

Elas se conheceram na Bahia, mas antes de seguir pela mesma estrada, a arquiteta Anouk Garcia, 31, e a jornalista Fernanda Pennachia, 27, viveram muitas outras histórias que revelam o estilo aventureiro de cada uma. Depois de viajarem em um fusca, percorrendo mais de 6 mil quilômetros, em um tour pela Chapada dos Veadeiros, Chapada Diamantina, elas chegam ao Acre, onde pretendem conhecer e registrar sua gente e cultura.

Desde o último dia 25 elas estão em Rio Branco e se dizem surpresas com o que puderam conhecer até agora, mas é a floresta o encanto que buscam e querem ver de perto. Dizem que o desejo é conhecer as populações tradicionais e o Santo Daime.

Anouk já viajou por vários países e junto a Fernanda estão registrando todos os momentos da nova aventura no Brasil com os equipamentos que estão sempre com elas - uma câmera fotográfica, uma filmadora e dois notebooks. A idéia é dar corpo a esse material, seja por meio de reportagens, documentários ou até mesmo um livro.

No Acre as duas foram recebidas por integrantes de capoeira Cordão de Ouro, do mestre Xandão, e se hospedaram na casa do casal Everton Silva, o “Arrepiado” e Camila, ambos conhecidos de Fernanda, que também é capoeirista. Mas como essa aventura aconteceu para chegar até aqui?

Anouk Garcia é filha de fotógrafa e engenheiro, nasceu na cidade de Abidjan, na Costa do Marfim, África. Ela conta que sempre viveu perto de diversas culturas, mas elas dificilmente se misturam, e no Brasil isso é mais fácil de acontecer. “Na África os negros e os brancos dificilmente se misturam. Eu nasci entre negros, mas minha família tem descendência européia. Minha primeira língua é o francês, então foi complicado com tudo isso. Vejo que no Brasil todos se misturam facilmente, respeitam as diferentes culturas, é um país onde me sinto bem”, comenta.

Depois de atuar por muito tempo na arquitetura, trabalhando em outros países, entre eles China e Inglaterra, Anouk decidiu estudar antropologia, o que despertou ainda mais sua vontade de pesquisar sobre a cultura africana em outros lugares e dessa forma conhecer mais o mundo. No início do ano ela veio para o Brasil pela segunda vez, indo para a Bahia, onde encontrou Fernanda.

Da cidade de Sorocaba (SP), pai médico e mãe agente de viagem, Fernanda se formou em jornalismo e fez free lance para sites, jornais e revistas, entre elas a Revista Terra. Foi a trabalho que ela embarcou para a Bahia, mas a pauta que a levou até lá ficou para trás diante de tantos outros assuntos que encontrou.

Entre idas e vindas, Fernanda visita São Paulo, mas sempre volta para a Bahia e tinha vontade de vir ao Acre conhecer sua cultura, principalmente o Santo Daime. “Quando conheci o ‘Arrepiado’, só pensei em vir para cá conhecer o daime e a cultura do Acre. Estou surpresa porque vi que aqui tem muita coisa que rende maravilhosos trabalhos”, comenta.

Hora de se aventurar – Anouk desejava viajar o Brasil, Fernanda queria vir ao Acre e continuar visitando outros Estados. Motivos distintos e destinos conciliáveis. A arquitetuta comprou um fusca por R$ 3,5 mil e dividiu o custo da gasolina com a jornalista. Com a chegada ao Acre, elas querem aproveitar também para ir até o Peru. Para isso, estão vendendo o fusca, mas se não conseguirem, vão com ele até onde for possível. “Só fazemos planos em curto prazo. O bom dessa aventura é que nada é definitivo, vamos conhecendo o lugar e as pessoas e deixando elas nos conduzirem por meio de suas histórias e conhecimentos”, diz Anouk.

Ambiente aconchegante – “Rio Branco é uma cidade bonita, cheia de coisas interessantes. As pessoas são muito receptivas, parecem estar o tempo todo alegres. Nossa viagem é cheia dessas surpresas. Em cada casa que eu entro sinto como se as pessoas que estou visitando fossem popstars - quero filmar, fotografar e ouvir a história delas. Tem sido uma grande experiência”, comenta Fernanda.

O foco da pesquisa das aventureiras é a cultura, que deixou de ser somente a africana, mas a de cada lugar que visitam. Com isso, contam que encontram muitos outros temas que merecem ser registrados. Uma observação delas é que tudo está ligado ao meio ambiente, por isso o Acre se tornou um destino óbvio nesse roteiro de visitas.

Elas contam que o mais difícil da recente viagem foi sair da Bahia, preparar documento do carro e outros detalhes, e tiveram sorte porque o pneu não furou nem uma vez, já que não sabem trocar, mas encontrarão sempre alguém para ajudar. O mais divertido e fascinante dessa grande odisséia elas dizem ser o encontro com diferentes vidas, pessoas ricas em sua história, cultura e força.

 
 
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Rio Branco-AC, 29 de junho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
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