OPINIÃO
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SÉRVULO COSTA  

 

Mandioca, indústria e o Acre social

Leio nas folhas que o Professor José Goldemberg, 80, foi agraciado por uma Fundação Japonesa com o prêmio de 50 milhões de ienes (aproximadamente R$ 800 milhões) por “ter dado grandes contribuições na formulação e implementação de diversas políticas associadas a melhoras no uso e na conservação de energia”.

Desde o início de minha carreira profissional, em São Paulo, tenho acompanhado as idéias do renomado físico gaúcho. Sempre que posso participo de eventos ligados à área energética. O professor José Goldemberg, sempre enxergou o assunto sob uma visão diferenciada (“energia é um meio de alcançar objetivos sociais”), como a ouvir os ecos dos ensinamentos do antropólogo Darcy Ribeiro, de saudosa memória. Quebrou paradigmas, desenvolveu idéias próprias juntamente com a competente equipe que o rodeia. Defendeu tecnologias mais limpas, a exemplo do álcool combustível.

Quando membros da Organização das Nações Unidas (ONU) e do Banco Mundial começaram a alardear que os biocombustíveis seriam a causa do aumento da fome no planeta, me tranqüilizei ao ouvir entrevista do Professor Goldemberg na Rádio Jovem Pan, mostrando que nosso biocombustível nada tem a ver com o problema, o que, aliás, restou comprovado.

Ano passado, durante evento na poderosa Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), mais uma vez fui surpreendido com as tiradas inteligentes (e verdadeiras) do professor. Em sua fala, ele sustentou que a grande dificuldade encontrada pelo Brasil na busca pelo desenvolvimento durante a primeira metade do século XX, deveu-se à baixa escolaridade dos nossos representantes na formulação de políticas internas e externas. Na ocasião chegou mostrar números que comprovam sua interessante observação.

Fato semelhante ocorreu no Acre. Tenho defendido insistentemente, nas poucas e prazerosas visitas que faço a Rio Branco, que nossa UFAC é um divisor de águas no desenvolvimento do Estado, formando gente que vêm “encarando de frente” os desafios que se apresentam.

O grupo político que governa o Estado há cerca de 10 anos tem uma política de desenvolvimento sustentável definida e vem mantendo, com considerável sucesso, ambiente favorável para atrair empresários no risco de novos investimentos. Este ambiente se baseia no “Estado-indutor” (e não “Estado-produtor”), citado pelo “bruxo” Delfim Neto (Folha de São Paulo, 18/06/2008).
Como integrante desse grupo político o deputado Fernando Melo, interessado em trazer investimentos sustentáveis para o Estado do Acre, considerando a célebre máxima de Darcy Ribeiro (“A mandioca faz parte do cardápio do brasileiro. Ela é cultivada e preparada em todo o País do mesmo modo que os indígenas ensinaram no começo da colonização. É uma planta preciosa, porque não precisa ser colhida nem estocada. Mantém-se viva na terra por meses”), decidiu ir a campo na pesquisa dessa tuberosa a partir de entrevista havida com o pesquisador Amaury Siviero, da Embrapa-AC.

O deputado se tornou assim um entusiasta da mandioca, conforme tenho presenciado nos diversos encontros que tivemos em centros de pesquisas e profissionais nos quatro cantos deste País, onde o Deputado tem mostrado os potenciais do Acre para a cultura mandioqueira, no que se refere à produtividade, mercado, corredores de exportação, e, mais importante, o viés social que esta planta representa ao Acre.

Os frutos da campanha que vem sendo brilhantemente conduzidas pelo Deputado já mostram resultados. No dia 19 de junho, durante o VI Workshop Sobre Tecnologias em Agroindústrias de Tuberosas Tropicais, promovido pelo Centro de Centro de Raízes e Amidos Tropicais (Cerat), da Universidade Estadual Paulista Julio de Mesquita Filho, pelo menos dois palestrantes mostraram a mandioca como a cultura que pode levar inúmeros benefícios sociais à Amazônia e ao Acre em particular, citando as ações de Melo, que vem dando apoio incondicional ao setor, se dispondo, inclusive a montar na Câmara dos Deputados uma Frente Parlamentar Mandioqueira.

Não bastasse isso o empresariado já volta os olhos para o Estado do Acre. Divulgou-se em Botucatu que um grupo empresarial paulista, certamente levado pelo brilhante trabalho do deputado bem como pelo “estado de espírito” criado pelo grupo político atualmente no poder, demonstrou interesse em investir em nosso Estado. Isso é trabalho parlamentar!

O autor é acreano e diretor da MOA Manutenção e Operação Ltda, em São Paulo.

 

 
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Rio Branco-AC, 29 de junho de 2008
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