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José Cláudio Mota Porfiro * |
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O Supermercado Araújo é um empreendimento digno dos aplausos da comunidade, principalmente, porque tem orgulho de ser acreano, numa alusão muito bem aproveitada ao mote publicitário do nosso Governo da Floresta. Quem é da terra, como nós, temos visto o espetáculo do desenvolvimento resplandecer, para a alegria dos bem aventurados que acreditam fazer desta parte do sopé dos Andes um pedacinho da civilização brasileira marcado pela justiça social e pelo trabalho perseverante. Eu vi os irmãos Araújo crescendo à custa de muito trabalho a partir da bravura de um pai que saiu do fundo do seringal para dar melhores dias aos filhos. E lutou e lutou. E conseguiu. Nos idos de 1986, inclusive, fui professor de um deles, o caríssimo Ádem, ainda hoje um amigo de quem faço questão de preservar a amizade. Sempre gentil, sempre solícito, de repente, aquele garoto tranqüilo, comportado, é hoje o líder maior dos comerciantes desta minha praça hoje tão promissora, por obra e graça desses outros garotos que tão bem dirigem este meu ótimo Estado d’alma chamado Acre. De parabéns estão todos! Ocorre-me, entretanto, sem querer dar-me o papel de conselheiro, fazer uma pequena sugestão; quase uma advertência. É que os tenho notado talvez imaturos e contemplativos olhando e cuidando do gigante que eles ergueram com os próprios punhos. E a atenção é tanta que lhes tem ficado no esquecimento um detalhe subtil que requer atenção maior. Já ouviram falar em cartel? Trata-se, ao pé da letra, segundo a norma jurídica, de um acordo comercial entre empresas que distribuem entre si cotas de produção e mercados, determinando os preços e suprimindo a livre concorrência. Ora, não há exatamente um acordo entre empresas, posto que os Supermercados Araújo são um só. E mais: eles agora são donos dos antigos Supermercados Dayane. Colocaram-lhes um nome fantasia - Avenida - mas toda a comunidade sabe quem são os verdadeiros proprietários. Ontem, sexta, à tarde, pude perceber que os preços da carne, por exemplo, sofreram uma elevação considerável de mais ou menos vinte por cento. O Dayane atendia uma faixa da população mais pobre - Estação, Julião, Esperança, Tangará, Tucumã, Rui Lino... - e vendia um quilo de alcatra a R$ 5,25. Hoje, o Avenida cobra R$ 7,55 – o mesmo preço praticado no Araújo do Aviário, vizinho de um dos metros quadrados mais valorizados do Brasil (os edifícios construídos pelo João Albuquerque). Sem dar maiores detalhes da minha compra, foram pagos R$ 33,96 por 4,499 kg da carne a que acima me referi. Ora, senhores! Eu estou no Acre, contribuo minimamente com a nossa história de bravos e também me orgulho disso porque nasci ali em Xapuri, o meu berço carregado de glórias. Não critico aleatoriamente. Advirto tratar-se de crime contra a economia popular. Está previsto em lei. Em pouco tempo, os preços serão ditados tão somente pelos Supermercados Araújo que podem, inclusive, apropriar-se, legitimamente, de frigoríficos e fazendas. E o nosso boi verde, a melhor carne do Brasil, será vendido a preços tão exorbitantes como os praticados em Brasília, onde quem dá as cartas é um cartel dominado, hoje, pelo francês Carrefour. Há até a possibilidade de o Supermercado Gonçalves, que vende a carne a preços melhores, ser sufocado pelo concorrente poderosíssimo. E afianço-vos que estes escritos não têm o conteúdo de uma denúncia. Faço aqui apenas de uma advertência cabal feita a pessoas por quem nutro grande admiração. * Proletário |
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