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| Elson Martins | |
“Empoderamento” de baixo custo Vocês conhecem a sorridente morena da foto ao lado? Ela se chama Terezinha Santana da Silva e nem sempre é tão sorridente assim. Quando necessário, endurece e afia suas garras em defesa da comunidade do Lago do Amapá, que lidera com o apoio de um grupo de mulheres valentes. Pois bem: nesta manhã de domingo Terezinha comanda uma festa reunindo mais de 300 pessoas de todas as idades. Trata-se do inicio da Copa Amapá, que envolve 10 times da regional I de Rio Branco, que engloba oito bairros da capital. O torneio vai se estender até setembro. Mas essa é apenas uma das atividades que Terezinha apresentou ao Governo do Estado para obter 22 mil reais de “empoderamento” de sua comunidade. Além do futebol, começa em agosto um trabalho com as crianças. A monitora cultural Neiva Nara Brãna Lima vai ensina-las a construir instrumentos musicais e artesanato com materiais colhidos na floresta. O antigo morador do Lago Amapá e excepcional artesão, Antônio Bezerra, que faz coisas lindas em madeira ensinará sua arte a meninada. Tem mais: As mulheres vão participar de um curso de corte e costura e, possivelmente, formar uma cooperativa para cuidar da produção e comercialização de peças que possam chegar ao mercado com a marca APA Amapá. Uma das peças poderá ser toalha de mesa para bares e restaurantes. Por que não? As três atividades que vão movimentar 300 famílias moradoras da região do lago vão durar todo o segundo semestre de 2007, ao custo já citado de R$ 22 mil. E esse valor está sendo liberado em parcelas, após muita briga, parte desta assumida pela militante petista Célia Pedrina, osso duro quando enfrenta a burocracia que atrapalha a ação comunitária. Mesmo fazendo yoga! Bom, Terezinha é presidente da AMPREA (Associação de Moradores e Produtores Rurais da Estrada do Amapá), entidade que em 2005 pressionou o ex-governador Jorge Viana para salvar o lago, ameaçado pela expansão urbana gerada com a construção da Via verde. Viana assinou decreto criando a APA Amapá, uma área de proteção ambiental de 5.600 hectares nas imediações de Rio Branco. A decisão do ex-governador foi muito festejada, mas o perigo não desapareceu de todo. Segundo Terezinha, construtoras e empresas imobiliárias do Estado continuam enfiando o nariz na APA descumprindo o decreto que a protege, sem dar ouvidos à queixa dos moradores. Muito menos, presume-se, aos órgãos de controle ambiental do governo. Quanto ao empoderamento...Estive refletindo se essa palavra não foi mal formulada pelos cérebros da política e do planejamento do país com o consentimento da burguesia científica e acadêmica. Na minha opinião, é o povo que tem poder e, bem ou mal “empodera” seus representantes. Os quais nem sempre reconhecem ou compensam essa confiança e generosidade. De qualquer modo, parabéns a Terezinha e sua turma do bem, que, determinadas, vão fazendo do Lago Amapá um pedaço do Acre do qual todos possam se orgulhar, como exemplo de sustentabilidade social, ambiental, econômica e cultural. Reza, Colorau! Uma festa no melhor estilo acreano, sem botas de cano longo e sem chapelão. Foi assim o lançamento do livro Suindara, da escritora Leila Jalul, sexta-feira à noite no Clube Tentamen. A casa estava cheia, e Leila inchou a mão de tanto escrever dedicatórias: estavam lá comprando o livro e se divertindo várias gerações do Acre de Galvez, Plácido de Castro e Chico Mendes. Teve boa música (ao vivo), petiscos, cobertura da imprensa, homenagem a personagens e muita curiosidade sobre uma possível atitude anarquista da autora, qualidade presente na maioria de suas crônicas. De fato, amigos e amigas como Carla Martins, que estavam fazendo a leitura de alguns trechos, escolheram o personagem Colorau, que inspirou a crônica “Balaio de Gato”, e lá veio: “O tal de Colorau, branco azedo, cabelos de fogo, era meio bobão. Circulava ali no Segundo Distrito. Seu ponto de parada era a casa do seu Oswaldo e da dona Edite. Lá recebia carinho, alimento e compreensão. Seu nome era João Miguel e foi criado pela dona Maria Torres. Mas a molecada não perdoava: Colorau e pronto”! “Nas procissões fazia questão de vir logo atrás do andor de Nossa Senhora da Conceição conduzido pelos catraieiros de braços e ombros fortes. Frei Peregrino e as beatas do tempo puxavam as rezas e as músicas”: - O meu coração é só de Jesus... - Colorau! Colorau! Reza, Colorau! Canta, Colorau! - A minha alegria é o cu da tua mãe”... Não, não! Não se ouviu gargalhada na Tentamen. O pessoal riu respeitosamente, como a imaginar o constrangimento do Colorau que, segundo Leila, ainda ofereceria ao provocador um cotoco escancarado. Respeitosamente - imagino - até pela lembrança do poeta anarquista Juvenal Antunes, falecido em 1942, mas revivido numa estátua de bronze fincada a poucos metros dali, na calçada em frente à Fundação Cultural.
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