OPINIÃO
   RETRATOS DO JURUÁ

Nelson Liano Jr.

 

Dois pesos, muitas medidas

Vida de jornalista não é fácil. Como costumava dizer o meu avô: “todo mundo vê as pingas que ele bebe e ninguém vê os tombos que ele leva”. Na semana passada, uma equipe de secretários da área de produção agrícola veio ao Juruá para ouvir os agricultores. Nós noticiamos na Juruá FM e demos toda a cobertura para a reunião. Elogiamos a iniciativa do governo de abrir esse canal de diálogo. Até aí tudo bem. Mas acontece que nesta semana o presidente do Sindicato dos Trabalhadores de Cruzeiro do Sul, Franco Severiano, também nos procurou para manifestar o seu descontentamento com a reunião. Segundo ele, o principal resultado da reunião foi o de marcar uma próxima reunião. E o ponto alto foi um almoço oferecido aos agricultores. De maneira serena e tranqüila, sem ser agressivo em nenhum momento, Franco disse que os trabalhos nos ramais estão muito lentos e aquém das necessidades dos agricultores. Alegou ainda que alguns secretários que participaram da reunião não tem “o verdadeiro conhecimento da realidade do Juruá”. Supostamente, vieram despreparados para enfrentar as reivindicações dos trabalhadores rurais da região. Também falou da falta de tato de um deles para dialogar com a categoria. “Ele falou não, não e não às nossas reivindicações”, afirmou o sindicalista. Franco apresentou ainda uma série de propostas e soluções para minimizar o triste problema de isolamento da sua categoria.

A situação vale algumas reflexões: 1) Talvez fosse importante que o governo colocasse juntos aos secretários técnicos a companhia de mais um secretário político. Nesse caso, o governo não tem um, mas dois Cacás na articulação política que conhecem bem a realidade do Juruá e são bastante habilidosos para tratar com situações delicadas. 2) A Sebastiana, presidente do Fetacre, com os anos de experiência, poderia dar uma grande contribuição ao processo de diálogo. 3) Talvez, seja o momento de o governador Binho Marques, que tem experiência com movimentos sociais, marcar uma reunião e ouvir pessoalmente os queixumes dos trabalhadores rurais. E, como governador, mandar os seus técnicos executarem as ações necessárias.

Tenho certeza que essa história tem tudo para ter um final feliz. É uma questão da ciência da paz, a famigerada paciência. Ramal é um nó. Mas que já está na hora de ser desatado.

Dois pesos, muitas medidas 2 – A missão

Por outro, lado sucesso total a abertura dos editais dos novos cursos do Ceflora que pertence a rede de formação profissional do Instituto Dom Moacir. Para as 350 vagas oferecidas pela entidade no Juruá apareceram cerca de 1.400 candidatos. O gerente do Ceflora, Rafael Galdini, tem se mostrado habilidoso e um bom divulgador das ações do governo na educação. Ficou provado também o interesse dos jovens da região em mudar a realidade do isolamento regional através do conhecimento. O presidente do Instituto, Iraílton Lima, tem orientado o seu gerente a ouvir a comunidade na hora de oferecer os cursos profissionalizantes. Pelo número de inscritos pode-se esperar muita coisa boa pela frente. Quando o diálogo flui entre governo e sociedade o resultado só pode mesmo ser positivo.

Dois pesos, muitas medidas 2 – O retorno

Tenho ouvido, dos mais diferentes setores da nossa sociedade, elogios ao secretário de saúde, Osvaldo Leal. É uníssono: “O homem é mais técnico do que político”. É verdade, na saúde não dá pra brincar. A experiência que tive de uma solicitação (em relação à saúde pública do Juruá) por telefone ao secretário foi tratada com seriedade e sem paixonites políticas. As ações estão aparecendo pouco a pouco. Parece, que por enquanto, o Osvaldo, com sua “nordestinidade”, tem conseguido agradar gregos e troianos. O critério competência e capacidade tem sido o mais importante na formação da sua equipe.

Recursos para todos

Numa entrevista, por telefone, o senador Tião Viana (PT-AC), que não pôde participar das comemorações dos 15 anos de emancipação do município de Rodrigues Alves, que aconteceram ontem, fez pela mídia a homenagem à população da cidade que faria no palanque. O ponto alto das comemorações foi a entrega de um centro de lazer à comunidade rodriguense, sonho do prefeito Dêda. O interessante é que, no mesmo dia, em frente a Rodrigues Alves, no porto, a prefeita Zila Bezerra assinava a ordem de serviço da variante que ligará Cruzeiro do Sul a Rodrigues Alves. Vale destacar que nas duas obras a liberação dos recursos teve a ajuda inestimável do vice-presidente do Senado, Tião Viana. Ponto para a democracia.

 

 
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Rio Branco-AC, 29 de julho de 2007
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