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Padeiro, pedreiro e artesão As peripécias de um brasileiro que descobriu na natureza um jeito honesto de sustentar a família fazendo arte |
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O artesanato em sementes vem se transformando em alternativa de renda que hoje garante a sobrevivência de alguns milhares de famílias acreanas. Mais que um trabalho, através do artesanato, muitos tem redescoberto em si mesmo a criatividade e a esperança, qualidades fundamentais para a sobrevivência neste mundo cada vez mais competitivo. Antônio Hermínio da Silva, 37, pai de dois filhos, foi um dos primeiros moradores do Taquari onde, pouco mais que adolescente, foi o primeiro vendedor de pão, o que lhe rendeu o apelido de “Padeirinho”. Quando mudou de ofício dedicou 15 anos de trabalho à construção civil, mas problemas de saúde levaram a deixar o ofício. Foi nesse tempo que conheceu Edson Apurinã, com que passou dois meses trabalhando na furação e tingimento das mais variadas sementes, na produção de colares de tucumã, inajá e outras sementes recolhidas da floresta. “Logo o Edson foi embora, mas eu tinha prestado atenção no jeito que ele trabalhava, então resolvi que ia produzir as minhas próprias peças. Comprei um motor, lixas e tintol, comecei a fazer os colares, pulseiras, brincos, anéis e alianças sem nem ter a quem vender, mas esse era o jeito de arrumar dinheiro para garantir o sustento da família”. Sacola cheia, perambulou pela praça em busca dos vendedores ambulantes e das lojas espalhadas pela cidade, andou muito, suou outro tanto, mas voltou pra casa com dinheiro no bolso e a família tomou gosto pelo negócio. “Aquele primeiro dia saí de casa pedindo a Deus para que tudo desse certo, pois tenho fé nele e em meu trabalho. Nunca tinha vendido uma peça minha, mas vendi praticamente tudo e a um preço que dava para ajudar as coisas aqui em casa. Foi uma benção”, recorda Padeirinho agradecido pela arte aprendida dos apurinãs. Meses depois ele avalia os resultados: “A gente ainda não tem um freguês certo, uma loja para fornecer os produtos que eles precisem, mas vem dando pra gente garantir bem o sustento da família. Acho que o bom resultado teve como tempero principal o meu capricho n o acabamento das peças sempre bem polidas e arrumadas, o resto foi teimosia mesmo, cismei que ia dar certo, persisti e deu mesmo”. Família artesã - Dona Sirleide a esposa de Antônio faz parceria com os filhos Ângela e Gabriel em volta da mesa onde montam colares, cintos e pulseiras de desenho e feitio muito variado. “Vendi uma quantidade de sementes de açaí para uma mulher que tinha resolvido entrar no artesanato, mas desistiu em poucos dias, então devolveu as sementes com uns cintos e pulseiras dentro dos sacos. Gostei do modelo, prestei atenção na trama dos fios e me atrevi a fazer igual. Não é que deu certo. O pessoal gostou muito. No artesanato o importante é prestar atenção no que o povo gosta, fazer bem feito e não deixar o freguês na mão, ou seja, é preciso garantir a produção ao tempo e a hora que precisar”. |
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| Com Moisés Alencastro |
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