| OPINIÃO | ||
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Marcos Inácio Fernandes * |
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Extensão e felicidade “Todo homem quer ser feliz, inclusive Depois que saí da Secretaria de Extensão Agroflorestal-SEATER e retornei as minhas atividades acadêmicas na UFAC, tenho tido mais tempo para desfrutar de coisas prazerosas. Caminhar pela manhã no Horto Florestal; selecionar, com calma, as músicas de meu programa semanal de rádio, “É Cantando que a gente se entende”; curtir uma redinha depois do almoço; passar de vez em quando na livraria Nobel e folhear as novidades literárias tomando um café expresso ou um capuccino frio delicioso; vez por outra, um “chope pra distrair” ou uma salada com sorvete, num final de tarde na Água na Boca; nos finais de semana vou curtir meus compadres e afilhados e cuidar dos meus papagaios e periquitos (sou o 1º criador legalizado pelo IBAMA de psitacídeos do Acre), tomando água de coco da produção, na minha chácara “EU QUERO É SOSSEGO”. Em síntese, é uma “vida mais ou menos”, com viés de alta, como dizem os economistas. Como eu sempre digo quando me perguntam – como vai? “Eu só não vou melhor, porque não quero mesmo”!! Mas, mesmo sem querer e sem saber por que, coisas boas tem acontecido na minha vida que me levam a desconfiar que tenho sorte e, sem querer ser arrogante nem presunçoso, que sou uma pessoa FELIZ! O tema da FELICIDADE tem despertado minha curiosidade e tem sido objeto de minhas leituras, extra-acadêmicas, no transcurso desse ano. Tem sido um deleite conhecer como os filósofos tem tratado essa obsessão contemporânea que é a FELICIDADE. Na antiguidade, a felicidade era uma prerrogativas dos Deuses; com os iluministas ela tornou-se um direito natural e, mais recentemente, um dever. “Somos obrigados a ser feliz” – viver como os Deuses ou, pelo menos, “se livrar dos nossos demônios” como disse Melissa Erico, citado por Darrin M. McMahon em “Felicidade – Uma História da Editora Globo. Além desse autor também já li e fiz apontamentos das seguintes obras e autores: “A Felicidade, desesperadamente de André Comte-Sponville; “A Conquista da Felicidade” de Bertrand Russel; “O que nos faz felizes” de Daniel Gilbert; Aprender a Viver – Filosofia para Novos Tempos” de Luc Ferry; “Viagem para a Felicidade” de Eduardo Punset e “Felicidade no Trabalho, tese de Mestrado do conterrâneo, amigo e colega da Academia Brasileira de Extensão Rural – ABER, Mário Varela Amorim. Mário, com a sua fidalguia, além de me presentear seu livro, com dedicatória, ainda me proporcionou um “banquete” de carne-de-sol com feijão verde e pirão de queijo com sobremesa de queijo de coalho assado com mel de engenho no restaurante do Bidoca em Natal em abril desse ano. Foi uma refeição de “juntar menino” como dizem no Nordeste. Mas como observou Platão num dos seus livros mais famosos, o Banquete, “numa refeição entre amigos o principal prazer não é a qualidade dos pratos mas a qualidade da conversa”. Nós da Extensão Rural sempre temos muitos assuntos para discutir, muitas histórias para contar e muitos causos” para compartilhar e, com Mário e sua esposa, a conversa fluiu e se estendeu prazerosamente. Agora, Mário e demais companheiros da ABER, criamos esse espaço de “encontros, achado e descobertas” para a gente se reunir e se unir, cada vez mais, em torno da Extensão Rural Pública Oficial. A Academia será, com certeza, um espaço privilegiado pra gente reavivar a nossa memória, a memória de um projeto educativo para o meio rural dos mais generosos que esse país conheceu. Estou feliz por ter sido agraciado com a indicação do meu nome pelos meus colegas da Extensão do Acre para fazer parte dessa Academia. Confesso que, os melhores momento da minha vida, foi aqui no Acre e, mais particularmente, no serviço de Extensão Rural. Desde que entrei na EMATER/AC, em 1978, esse serviço foi uma escola profissional, de vida e de cidadania. A extensão brasileira criou uma cultura de servidores cívicos, abnegados servidores públicos. Fomos e, ainda somos, a presença mais avançada do Estado na implementação de políticas públicas para o meio rural – “A CARA DO GOVERNO NO CAMPO”, como disse Romeu Padilha, emérito extensionista e ex-presidente da EMBRATER. Conheço muitos extensionistas do Acre que comprometeram a sua saúde, contraindo malária, hepatite, doenças de pele, problemas de coluna (a síndrome dos Toyotões) prestando seus serviços nos lugares mais inóspitos e insalubres do Estado. Também o que nos dá orgulho da Extensão Rural Pública Oficial é que as instituições que prestam esse serviço, são instituições REPUBLICANAS. Em quase 60 anos de existência e mobilizando recursos financeiros consideráveis, o vírus da corrupção da malversação de recursos públicos não se instalou no nosso serviço. Isso não é pouca coisa, mormente, quando cotejamos o nosso comportamento institucional com a nossa histórica tradição patrimonialista e com os fatos recentes que atingem instituições políticas, corporações militares e até a alta magistratura jurídica do País. Fui feliz na Extensão, pois tive a oportunidade de viajar, conhecer lugares, conhecer pessoas e cultivar amizades. Fiz amigos por onde passei, no Acre e no Brasil. Através do Serviço de Extensão pude conhecer as “Barrancas do Juruá” e os “boulevards do Sena”; a pensão do “Bico do Urubu” no mercado de Cruzeiro do Sul e um “bistrô da Champs Elysêes” em Paris, num final de tarde na companhia do Mário Amorim, do poeta Nivaldo e do José Romualdo do Rio Grande do Sul. Na Extensão estive nos dois lados da trincheira. Fui dirigente sindical e dirigente institucional onde galguei o cargo de secretário. Porém o título que mais me envaidece e pelo qual sou mais grato aos companheiros da extensão foi o de ter sido eleito para presidir o 1º Congresso da FASER em Curitiba, em 1987, estando demitido da EMATER do Acre. Agora, 20 anos depois, também sem vínculo institucional com a extensão, embora continue extensionista, pois a “extensão é uma cachaça” (daquelas de Minas), sou agraciado com a Benemerência de Acadêmico da Extensão Rural Brasileira. Como no samba de Mauro Duarte e Paulo César Pinheiro – “Eu sei bem que mereço, mas não esperava tanto”. Dizer mais o que? Dizer que me sinto bem, e estou feliz. Para Platão, “ser feliz é ter o que se deseja” e segundo REISS (2001), são 16 os desejos básicos que levam a felicidade (está no livro que o Mário me presenteou) são eles: curiosidade, aceitação, ordem, atividade física, honra, poder, independência, relacionamento social, família, status, idealismo, vingança, romance, comida, economia e tranqüilidade. Sartre diz que “o homem é fundamentalmente o desejo de ser” e o “desejo é falta”. “O que não temos, o que não somos, o que nos falta, eis os objetos do desejo. Ter o que desejamos é, numa primeira aproximação, ser feliz”. Esta idéia de felicidade se encontra em Platão, Epicuro, Kant, Spinoza, Sartre e outros filósofos. Agradeço, por fim, aos companheiros que me distinguiram com a lembrança e a indicação. É bom ser aceito e reconhecido. Sinto-me honrado em fazer parte dessa Academia, como disse Machado de Assis: “essa é a glória que fica, eleva, honra e consola”. Espero e desejo que o nosso convívio seja agradável e produtivo e que nas reuniões sejam servidos um “café covarde” (acompanhado) como diz o Argileu. Prof MSc da UFAC, Extensionista e membro da ABER. |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Com Leonildo Rosas |
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