| COTIDIANO | |
| Homem e meio ambiente Manejadores de fauna constroem entre si a solução do futuro |
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Começou ontem e vai até quinta-feira no Amazônia Eventos o II Encontro de Manejadores da Fauna Silvestre, que está reunindo criadores índios e não-índios de todos os municípios do Acre, numa oportunidade única para trocar experiências e propor soluções que viabilizem economicamente esse nosso setor produtivo. Durante três dias eles estarão debatendo, assistindo palestras e explicando como deram solução para cada problema que vem surgindo ao longo de seus trabalhos. Na quinta-feira, pela manhã será realizado um dia de campo com todos visitando o projeto Mapinguari que funciona no quilômetro 52 da BE-364 no rumo da estrada de Sena Madureira criando porcos do mato. Extensionista rural da gerência de manejo de fauna da Secretaria de Assistência Técnica e Extensão Rural – Seater, Maria Nogueira explicou que: “Estes encontros anuais geram uma oportunidade muito especial para os produtores aprendam uns com os outros, até porque falam a mesma linguagem e enfrentam problemas semelhantes em seu-dia-dia”. Abelhas sem ferrão Alzenor Macambira Kaxibawá, 26, pai de 5 filhos é morador da aldeia São Vicente, marge do rio Humaitá, localizada a quatro dias de batelão acima de tarauacá participou em junho passado do curso para a criação de melíponas (abelhas sem ferrão) oferecido pelo professor da Universidade de São Paulo, Usp, Paulo Nogueira Neto através da gerência de Manejo de Fauna da Seater. “Comecei há pouco tempo, mas já tenho 16 caixas onde crio urucu roxo, urucu boi e jandaíra, consegui tirar um pouco de mel que vendi em Tarauacá para comprar mais material para o serviço”, explica Alzenor. Na aldeia ele também está cuidando de um tanque com 16 matrizes de tracajá, da qual tirou sete covas e 60 filhotes neste primeiro ano. “A gente está apoiando a criação porque os traccajá e os jabutis diminuíram muito, sem ovo de tracajá não dá mais para comer arabu (mujangue) que a gente gosta muito”. Quelônios e mutuns O gerente do escritório da Seater em Assis Brasil, Marcos Antônio Santos vem orientando pequenos produtores e as comunidades indígenas Jaminawa e Machineri estimulando-as a iniciarem programas de manejo de fauna. “Os jaminawas não se interessaram muito pela coisa, mas os machineri que já haviam domesticado os mutuns para criar como galinha nos quintais, agora estão criando tracajás e porcos do mato, um deles, na colônia Cachoeira está criando 50 jabutis”. A preocupação dos machineri com a criação de tracajá foi explicada por Marcus: “Eles gostam muito da carne e dos ovos de tracajá e jabuti, mas hoje quando sobe o trecho de um dia e meio pelo Iaco desde o seringal Icuriã até a última aldeia, perto do abismo, é raro ver uma tracajá nas beiras de barranco. Nosso objetivo é que com as criações diminuirá a pressão sobre a caça nativa que vive na floresta, mas é necessário criar condições para que essa carne seja vendida e assim gere renda para os manejadores”. Tatupaca - Sem qualquer orientação técnica, Joaquim Rodrigues de Souza, 72 anos, pai de sete filhos, o qual há 25 anos recebeu do Incra um lote no projeto Bela Flor, em Epitaciolândia, sonhava reflorestar a área porque toda ela era tomada por uma pastagem e capoeira suja. Plantou 20 mil de seringueira dos quais perdeu a metade para o mal das folhas, mas do que lhe restou ainda hoje tira uma média de 23 quilos de borracha por dia. “Tinha vontade de criar animais, mas não sabia como fazer, até que o rapaz que trabalha comigo encontrou um jabuti, a gente pôs no cercado, meu filho conseguiu um casal de pacas com um boliviano, o macho fugiu, arrumei outro que acabou fugindo também, depois a fêmea também fugiu, passou uns dias na mata e voltou já enxertada, o filhote nasceu em abril e está bonito que só vendo”. Ainda antes das pacas, Joaquim tentou criar tatus, mas não conseguiu adapta-los bem ao cativeiro, apesar disso seu projeto continua usando o nome original de Projeto Tatupaca onde também está criando 15 jabutis. Suas matrizes foram cedidas pelo Ibama. Manejadores do Cazumba - A comunidade seringueira do Cazumbá, no rio Caeté, em Sena Madureira, é a única do Brasil que recebeu do Ibama a autorização para fazer o manejo de pacas e araras no ambiente natural. Eles também criam em sistema semi-extensivo 140 jabutis, 50 capivaras estão começando a criação de queixadas com seis animais. As araras e filhotes de jabuti serão negociadas com lojas de animais de estimação para paises da Europa. “Temos 30 famílias envolvidas com o manejo dos animais, mas nós acreditamos que só isso não basta para garantir o sustento da comunidade, por isso também trabalhamos produzindo farinha de qualidade, mantas de couro vegetal, artesanato em borracha, além de castanha e outros produtos. Decidimos que não vamos aumentar a criação de gado que já temos porque assim teríamos de derrubar mais mata, também não queremos fazer manejo madeireiro porque ainda não vimos produtor nenhum ganhar dinheiro com isso, vamos guardar a madeira para nossos filhos, quando eles crescerem ela vai estar valendo ouro”, afirmou Afonso Araripe da Silva. Já Ronaleu da Silva, 35 anos, api de cinco filhos foi enviado pela comunidade Cazumbá para fazer em São Paulo um curso de manejo e abate de animais silvestres. A própria comunidade bancou as despesas do treinamento a fim de preparar-se para administrar, ela mesma, o matadouro de animais silvestres e o frigorífico que estão recebendo do Ministério do Meio Ambiente. “Além da criação de animais, temos nosso roçados e outras atividades, é preciso combinar várias coisas para que a comunidade não fique dependente de uma coisa só. A gente não sabe o dia de amanhã”. |
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