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Rio Branco - Acre, domingo, 23 de fevereiro de 2003

Divulgação

David Pontes, com sua simplicidade, reinventa
a forma de fazer marketing

Sebrae traz camelô carioca
para palestra no Teatrão

David Mendonça ensina marketing para escolados no assunto

Ele é simplório, não completou o ensino fundamental e tropeça nas palavras, mas sabe vender seu peixe como ninguém. Sorridente e carismático, o camelô David Mendonça Pontes, de 47 anos, transformou sua banca de guloseimas, no Centro do Rio de Janeiro, no mais bem-sucedido ponto da economia informal brasileira. Fatura de 600 a 700 reais por dia. Tamanho êxito comercial alçou o camelô à condição de guru do marketing — e dos mais requisitados. Ele viaja de norte a sul do país para dar 15 palestras, em média, por mês ao preço de R$ 8 mil cada uma. Sua agenda está lotada de eventos até o fim do ano. A platéia costuma ser seleta, composta de empresários, economistas e executivos pós-graduados em cursos de MBA (Master in Business Administration).

O camelô carioca será a atração da semana do aniversário dos 12 anos do Sebrae no Acre. Na próxima terça-feira fará uma palestra para o público acreano, no Teatro Plácido de Castro, às 19 horas, com entrada franca.

“Achamos que o David representa melhor do que ninguém o espírito empreendedor. A fórmula mágica usada por ele tem nome: criatividade. Quando se pensa em criatividade, a primeira coisa que vem na cabeça é um artista excêntrico produzindo uma obra-prima atrás da outra. Ledo engano. David Mendonça é só um dos inúmeros exemplos que provam que a criatividade pode estar muito mais perto do que parece e pode render muito sucesso” definiu o superintendente do Sebrae Orlando Sabino.

Sabedoria - David encanta o público. Sua primeira ação de marketing foi o sorteio de uma bicicleta ergométrica, há oito anos. A promoção, cujo slogan era “A banca do David engorda, mas depois emagrece. Compre doces e concorra a uma bicicleta ergométrica”, foi parar na imprensa. “Chamou a atenção um camelô fazendo marketing e naquele tempo eu nem sabia o que era isso”, conta. “Tive a idéia para melhorar as vendas por causa da concorrência.” A partir daí, ele não parou mais de inventar.

“Não se deve vender o que o cliente não quer porque é o mesmo que botar uma gota de veneno num balde d’água: contamina todo o resto”

Os inventos de David

O camelô criou, entre outras modas, o marketing cai-cai (se qualquer mercadoria cai no chão a até 2 metros da banca, o cliente leva outra de graça), o genérico do David (toda vez que pede por um produto que está em falta, o consumidor ganha 50% de desconto na compra de um similar e leva de graça qualquer mercadoria caso a original não esteja disponível no dia seguinte) e a promoção Feliz Aniversário (os 5 mil clientes cadastrados têm direito a escolher uma gulodice de presente).

David também faz “marketing de incentivo”: dobra a diária dos três funcionários quando se ausenta para palestrar. “Eles chegam a rezar para eu fazer mais palestras”, afirma, entre risos. São estratégias como essas que vêm garantindo seu êxito.

Avesso a falar de renda, David tem, além da banca na Avenida Presidente Wilson, uma casa e um depósito em Nilópolis, na Baixada Fluminense, um sítio e um automóvel Golf 2.0, ano 2002. Ele pretende lançar um livro para contar suas lições de vida e marketing. Planeja abrir uma loja e fazer supletivo para completar os estudos. Assim, poderá usufruir a bolsa de estudos ganha da ESPM. “Aí ninguém me segura”, prevê. Também sonha com um programa de televisão.

Nada mal para um ex-morador de rua que se viu obrigado a perambular pelo Rio depois de ser despejado do barraco em que vivia com a mulher, Maria de Fátima, na favela da Rocinha.

“Eu tô me amando. Nunca pensei que ficaria tão grande.”

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