
Estrelas do PT se reúnem para fazer homenagens e comemorar 23 anos de luta
Partido dos Trabalhadores, durante esses anos, se comprometeu com a causa da liberdade e da consciência de mudança
Em café da manhã organizado no restaurante Anexo, no Parque da Maternidade, ontem pela manhã, o Partido dos Trabalhadores homenageou todas as pessoas importantes para a formação de uma cultura política diferenciada no país nos últimos 23 anos. Simbolicamente, a direção do partido destacou vinte e três nomes para receberem as honrarias.
Foi entregue uma espécie de certificado em que se lia o agradecimento por uma luta comprometida com a causa da liberdade e da consciência de que mudanças sempre foram necessárias.
In memoriam, foram homenageados João Eduardo, Chico Mendes, Matias, João de Deus e Bacurau. “As dificuldades históricas não calaram a voz de outras estrelas”, disse Cláudio Ezequiel, ex-sindicalista e atual secretário geral do PT.
Ezequiel mostrou em seu discurso que “um novo mundo é possível”, desde que haja um comprometimento por causas justas. “Essa luta de várias gerações de petistas mostrou que é possível a mudança e essas pessoas homenageadas hoje aqui acreditaram ser possível mudar quando ninguém, ou quase ninguém, acreditava. Lutaram quando ninguém queria praticar a boa luta”, lembrou o secretário.
As causas do Partido dos Trabalhadores foram sendo moldadas ao longo dos últimos 25 anos. O partido recebeu a adesão, principalmente, dos trabalhadores rurais (com destaque para a população extrativista) e, na zona urbana, do setor estudantil e dos movimentos populares.
O movimento ambientalista, que ganhou mais destaque, não foi uma bandeira prioritária do partido. A reivindicação pela causa ambiental foi conseqüência das lutas pela justiça social no campo.
Figuras importantes como Chico Mendes eram defensores da justiça social, antes de lutar pela proteção ao meio ambiente. A coincidência se concretizou porque, na Amazônia, falar em justiça social significa manter a mata em pé e explorá-la de forma racional.
Nesse aspecto, o líder Wilson Pinheiro teve uma atuação brilhante no final da década dos 70, transformando o Sindicato dos Trabalhadores Rurais da Brasiléia em um dos mais ativos de toda a Região Norte. Pinheiro era uma ameaça à ordem fundiária do momento. Junto com ele, cresceu a figura de Chico Mendes e do Partido dos Trabalhadores.
Nas cidades, sobretudo na capital, Rio Branco, os movimentos populares ganhavam força e começavam a mobilizar diversos setores da sociedade. “Bacurau” iniciou sua luta pela inserção dos portadores de hanseníase e teve apoio fundamental da Igreja Católica, que tinha à frente o representante o bispo Moacir Grecchi.
O bispo era uma das vozes da chamada “igreja progressista”, geradora das Comunidades Eclesiais de Base (Cebs), seguidora de uma linha marxista que colocava nos movimentos de contestação o grande mote de sua atuação.