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Romerito Aquino  


Lúcio Flávio Pinto I

O ano de 2005 começou muito mal para a democracia e a liberdade de imprensa no Brasil. Os jornalistas de todo o país se sentiram indignados, desrespeitados e ofendidos com os socos, pontapés e as ameaças veladas de morte que foram desferidos de forma covarde em Belém (PA) pelo empresário Ronaldo Maiorana, dono do jornal O Liberal e da TV Liberal, contra o jornalista Lúcio Flávio Pinto, 54 anos, que edita o periódico independente Jornal Pessoal.

Lúcio Flávio Pinto II

Filho de pai acreano e ganhador de quatro prêmios Esso de Jornalismo e considerado o melhor repórter da Amazônia nas últimas quatro décadas, Lúcio Flávio foi violentamente agredido por Maiorana e dois seguranças dos quadros da PM do Pará enquanto almoçava com amigos num restaurante de Belém. O motivo foi o artigo ‘O dono da quitanda”, publicado pelo jornalista denunciando o monopólio que o grupo Maiorana exerce na opinião pública do estado e a forma como exerce esse poder para pressionar políticos e empresas do estado para agir de acordo com seus interesses.

Lúcio Flávio Pinto III

Com coragem e determinação de denunciar os grupos empresariais que perseguem a devastação da floresta e das riquezas naturais da Amazônia em troca do lucro fácil, Lúcio Flávio costuma publicar em seu tablóide, de dois mil exemplares, o que ninguém mais tem coragem de publicar sobre os principais conflitos da região amazônica, como a grilagem de terra, a exploração ilegal de madeira e a conivência do Judiciário com esses delitos.

Lúcio Flávio Pinto IV

Numa recente entrevista à revista Caros Amigos, o jornalista foi taxativo sobre o banditismo que impera hoje em grande parte da Amazônia: “Antes, o grileiro tinha o seu parceiro no 38. Hoje, os grileiros descobriram que o Judiciário, por desconhecimento, insensibilidade, omissão ou conivência, é o principal parceiro do grileiro na Amazônia”.

Lúcio Flávio Pinto V

Ao Lúcio Flávio, vai minha total solidariedade por ter tido a coragem de combater o que ele mesmo classifica como o maior monopólio de comunicação do Brasil (o dos Maiorana no Pará), aliás um dos principais males deste país, onde uma dúzia de famílias tentam, há décadas, controlar e manipular a opinião pública nacional em defesa única e exclusiva de seus interesses políticos e comerciais.

Gestão de Marina I

Em Porto Alegre (RS), no 5° Fórum Social Mundial, a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, destacou os avanços nas ações e nas políticas ambientais no Brasil durante os dois anos de sua gestão. Para a ministra acreana, pela primeira vez, o setor ambiental do governo federal participa da definição de estratégias e de ações para o desenvolvimento do país.

Gestão de Marina II

Marina usou como exemplos de avanços o novo modelo para o setor elétrico, a regularização ambiental de poços de petróleo e de gasodutos, as novas rodadas licitatórias de petróleo e de gás e os planos (em construção) de desenvolvimento sustentável da área da BR-163 (que liga Mato Grosso ao Pará) e de prevenção e combate ao desmatamento ilegal da Amazônia. “O desafio é continuar influenciando as políticas do governo federal”, afirmou a ministra.

Compromisso I

A Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), que tem como um de seus dirigentes o ex-deputado federal Marcos Afonso (PT), assinou acordo de cooperação com a Organização dos Estados Americanos (OEA) para ambos trabalharem em conjunto apoiando os esforços dos países amazônicos no desenho e na implementação de políticas que integrem prioridades ambientais com metas de desenvolvimento econômico que contribuam para o desenvolvimento regional da Amazônia.

Compromisso II

No acordo, as duas instituições se comprometem a executar projetos na área de meio ambiente e do desenvolvimento sustentável, concentrando esforços em temas como gestão de recursos hídricos, meio ambiente e saúde, proteção do meio ambiente e integração econômica, e conservação e gestão sustentável da biodiversidade.

Tião, 1° vice do Senado

O ano começa com mais novidades para o Acre no plano federal. O senador Tião Viana (PT-AC) está quase certo para ocupar a primeira vice-presidência do Senado Federal na chapa única que deverá ser votada para eleger o senador Renan Calheiros (PMDB-AL) novo presidente da casa. Isso vai significar que nas eventuais ausências de Renan, o Acre poderá fazer, pela primeira vez, um presidente do Congresso Nacional. E pode ir mais longe, assumindo inclusive a Presidência do país, em eventual ausência conjunta de Renan, do presidente da Câmara e dos presidente e vice-presidente da República.

Apoiando Greenhalgh

Na Câmara dos Deputados, a tendência da esmagadora maioria da bancada acreana será a de apoiar a eleição do candidato oficial do PT, deputado Luiz Eduardo Greenhalgh (SP), para a presidência da casa. A garantia foi dada pelo coordenador da bancada, deputado Nilson Mourão, que chegou todo empolgado de Roma na semana passada por ter beijado a mão do Papa João Paulo II.

 

 
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Rio Branco-AC, 16 de janeiro de 2005
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