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‘Pior tipo de violência é a institucional’ Em pouco tempo de funcionamento, Centro de Atenção à Pessoa Idosa recebe mais de 400 denúncias por mês |
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Inaugurado em 4 de dezembro do ano passado, o Centro Integrado de Atenção e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa (Ciapi) tinha como meta receber até 400 denúncias a partir do sexto mês de funcionamento. “Ultrapassamos isso já no primeiro mês”, revela Raimundo Dias Paes, presidente da Organização Social Amor e Vida, que gerencia a instituição. Dias afirma que os idosos sofrem diversos tipos de violência, que não se resumem apenas à física. “A institucional é a pior delas, porque nós não temos como interferir, não temos acesso às autoridades. É a mais dolorosa delas”, diz ele, referindo-se aos agonizantes momentos de espera e falta de informação em filas de bancos, de previdência e postos de saúde, apenas para citar as instituições campeãs de reclamações. A violência no trânsito também ocupa lugar de destaque na lista. Nos últimos anos, a ONG já contabilizou oito mortes de pessoas idosas por atropelamento por bicicleta, além de outras duas vítimas terem ficado inválidas. O desrespeito à faixa de pedestre também é flagrante. Raro é o motorista que se lembra de parar quando um idoso – ou pedestre de qualquer outra faixa etária – coloca os pés ali. Isso sem mencionar o verdadeiro massacre sofrido nos ônibus. “Você pode prestar atenção, no Terminal Urbano, o sofrimento que os idosos passam para entrar em um ônibus. Ninguém dá preferência, eles são espremidos naquele ‘empurra-empurra’ na hora de entrar. Agora, as pessoas têm que entrar por trás e as cadeiras preferenciais estão lá na frente, depois da roleta, e eles não são autorizados a entrar pela frente. Tinha que haver uma orientação”, reclama Dias. Disputa da família pela pensão Das centenas de denúncias e conflitos mediados pelo Centro, 80% envolve dinheiro. São idosos que vivem à mingua, enquanto seus filhos administram sua aposentadoria em benefício próprio. A surpresa dos mediadores é que geralmente quem denuncia não está interessado no bem-estar do aposentado, mas sim, em trocar de lugar com o denunciado. “Nesses casos, não temos alternativa a não ser redigir um termo de ajuste de conduta e fazer com que o novo administrador se comprometa em cuidar da melhor maneira possível do idoso, fazendo um plano de saúde, por exemplo. Não cumprindo isso, engrenamos em juízo”, explica Joseima Fernandes, coordenadora da instituição. Solidão, o mal silencioso Grande parte dos idosos que chegam para atendimento psicológico sofre de solidão. Por não ter com quem conversar, uma vez que os filhos passam o dia fora de casa, trabalhando, eles acabam sem ter qualquer contato com alguém e com o mundo exterior. Grupo de convivência - Pensando nisso, a instituição deve iniciar agora em abril um grupo de convivência, a fim de realizar atividades com esses idosos que vivem isolados dentro de casa. “Assim eles saem, têm contato com outras pessoas da mesma idade, conversam. Estamos pensando até em promover aulas de dança de salão”, planeja Joseima. Centro Integrado de Atenção e Prevenção à Violência contra a Pessoa Idosa Localizada na Rua Antônio da Rocha Viana, número 2552, o Ciapi é um espaço de referência para atenção e encaminhamento, proteção, apoio e prevenção à violência contra a pessoa idosa, conforme determina o Estatuto do Idoso. Sua finalidade é receber denúncias de quaisquer formas de discriminação, desrespeito e maus-tratos ao idoso, além de convocar e atender as partes envolvidas na denúncia, mediando conflitos. O Centro encaminha as denúncias às instituições competentes quando se faz necessário e promove ações de caráter educativo e preventivo, além de capacitar conselheiros, gestores, técnicos, dirigentes e profissionais que atuam nessa área. O local ainda é dotado de núcleos jurídico, de psicologia e serviço social. Tipos de abuso e violência Físico – Ato causado com a intenção de provocar dor, ferimento e coerção física; Psicológico – Agressões verbais ou gestuais com objetivo de aterrorizar, humilhar, restringir a liberdade ou isolar do convívio social; Sexual – Assédio e/ou ato sexual sem o consentimento do idoso; Abandono – Ausência ou deserção dos responsáveis governamentais, institucionais ou familiares na prestação de socorro a um idoso que necessite de proteção; Negligência – Recusa ou omissão de cuidados devidos e necessários, por parte dos responsáveis, familiares ou institucionais; Financeiro ou econômico – Exploração imprópria ou ilegal e/ou uso sem consentimento de recursos materiais e/ou financeiros do idoso; Auto-negligência – Conduta do idoso que ameace sua própria saúde ou segurança, pela recusa de prover cuidados necessários a si mesmo. Serviço Disque-denúncia – 3228-6000 (Ciapi); 3211-2463 (Conselho Municipal do Idoso); 3226-4324 (Conselho Estadual do Idoso); 0800-907-2078 (Ministério Público); 3223-0745 (Defensoria Pública).
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