OPINIÃO
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Chagas Batista *

 
Estamos chegando à maioridade

Este ano, a Frente Popular do Acre completa 17 de sua fundação. No momento em que comemoramos elevadas conquistas alcançadas até aqui, é importante avaliar alguns aspectos dessa organização política que se constituiu em uma das alianças políticas e eleitorais mais vitoriosas, duradoura e forte que se tem notícia na história do Brasil.

No Acre, possibilidade de unidade dos partidos de esquerdas para um projeto eleitoral e de governo, só acontece em 1990. Antes, a esquerda propriamente dita, tinha sua influência limitada aos movimentos sindicais do funcionalismo público, trabalhadores rurais, juventude estudantil e dois vereadores em todo o estado. Os partidos conservadores tinham nada menos que o governador do estado, três senadores, oito deputados federais, 24 deputados estaduais, todas as prefeituras e, praticamente, todos os vereadores.

A Frente, aqui, nasce influenciado pela Frente Brasil Popular que havia contagiado o país com a campanha que levou Lula, com o slogan “sem medo de ser feliz”, para o segundo turno da eleição presidencial. Se no Brasil a unidade entre PT, PCdoB e PSB tinha dado certo quase elegendo um presidente, aqui também poderia ter sucesso, faltava o nome e o PT apresentou o até então desconhecido, Jorge Ney Viana. Jovem Engenheiro Florestal, com um perfil inovador e ousado. PT, PCdoB, PSB, PDT e PV formalizam a Frente Popular do Acre, apresentam Jorge Viana para governador e Mário Maia para senador, que no seu último ano de mandato aliou se à esquerda.

A primeira visita a Tarauacá merece um breve registro para lembrar esse dia de significado histórico. Mario Maia, o único com mandato, era quem apresentava os desconhecidos, inclusive o candidato a Governador. Era o primeiro comício da campanha. A festa foi no bairro da Praia. Jorge Viana antes de subir no caminhão para discursar, lembrava com ansiedade que, naquele dia iria fazer seu primeiro discurso em praça pública. A população compareceu em massa, nem a chuva suave que caia afastou os presentes. Mário Maia com seu discurso poético dizia que a Frente e a chuva eram femininas e generosas e não faziam medo. Jorge Viana mesmo sem a eloqüência e desenvoltura de hoje, falou com segurança e foi muito aplaudido. No final, minha mãe, que era PMDB de carteirinha, comentou: “O PMDB nessa eleição vai perder meu voto”. A campanha foi empolgando, ganhando as mentes e corações dos acreanos, ganha força na sociedade, um forte sentimento de mudança.

Derrotamos o PMDB e o aventureiro Rubens Branquinho, candidato das empreiteiras. Chegamos à disputa do segundo turno com o PDS, hoje PP. As forças conservadoras tomam um susto, mas como ocorrido no plano nacional, se recompõem e vencem com certa facilidade. A esquerda não era a mesma, sai fortalecida, elege três deputados estaduais e projeta uma personalidade política, alternativa para as eleições seguintes.

A unidade continuou sendo a principal arma para continuar avançando. Em seguida a Frente vence as eleições em Rio Branco e elege vereadores em várias cidades do Estado. Jorge Viana desenvolve uma gestão competente com grandes realizações, mas a base da aliança começa a ruir. As reuniões dos partidos para definir o projeto eleitoral de 1994 foram marcadas por acirradas disputas e incompreensões. Essas desavenças resultaram numa campanha desmotivada e não conseguimos sequer chegar ao segundo turno. Perdemos para o PMDB e para o PPR, outrora PDS. Ficamos muito abaixo das expectativas e possibilidades. Elegemos uma vaga para o Senado e mantivemos os três Deputados na Assembléia. A locomotiva precisava de reparos e não foi feito.

Em 1966 os problemas surgidos em 1994 se agravaram. Uma miopia aguda irradiou o horizonte dos principais dirigentes da FPA. Um processo de discórdia e cooptação interna, quebrou a unidade e a Frente foi dividida para a disputa nas eleições municipais. Resultado: o PMDB retoma a prefeitura de Rio Branco. A esquerda fica atordoada, parecia que tudo tinha sido perdido. Mas a chama continuava, a população exigia mudança, reprovava a desunião da esquerda e os seus dirigentes tiveram que reconhecer que não era inteligente continuar medindo força, quando podiam somar. Jorge Viana e Edvaldo Magalhões são os maiores comandantes desse entendimento.

Em 1998, a unidade estava refeita, o povo foi pra rua, a vitória aconteceu e a frente iniciou a primeira experiência para cuidar dos interesses do Acre. O caminho era cerrado, foi preciso enfrentar cobras e serpentes. O rumo não podia ser desviado, era vencer ou vencer. Primeiro foi preciso resgatar a legalidade institucional e a credibilidade política e administrativa, para em seguida começar a construção do novo projeto. O Acre começou avançar juntamente com a auto-estima dos acreanos. Em 2000, nas eleições municipais, a Frente não vence na capital, mas amplia significativamente o número de Prefeituras.

Em 2002, o governo se prepara para o primeiro teste, a oposição usa todos seus recursos para barrar a continuidade da Frente no poder, radicaliza e organiza o MDA. O movimento uniu pela convergência e o enquadramento, todas as forças conservadoras e adversárias do governo. Exageraram na dose tentando ganhar no tapetão. Em conluio com a “justiça” saudosista e parcial, caçaram o direito do governador Jorge Viana de concorrer à reeleição. Ai foi o povo que radicalizou, indo as ruas, manifestando repúdio ao MDA e apoio a Frente Popular e ao governador. Jorge Viana resgata o direito de concorrer e vence de forma consagradora.

No segundo mandato, era preciso acelerar o motor, fazer uma gestão melhor que a primeira, não deixar a chamada fadiga do poder contagiar o governo. A unidade vai se consolidando, a credibilidade crescendo e chegamos em 2004 muito melhor para fazer a disputa das prefeituras. Vencemos em Rio Branco e mais da metade dos municípios. Se não fosse a visão ainda muito hegemonista do PT, teríamos ganhado muito mais. Mesmo assim, todos os partidos da aliança cresceram e a Frente dispara para concluir o segundo mandato e fazer de Jorge Viana o melhor Governador da história do Acre.

Em 2006, Chegou a hora da onça de beber água. Na história recente do Acre, mais especificamente, após a redemocratização do país, nenhuma força política havia conseguido se manter no poder mais que 8 anos. Pra desafiar ainda mais o poder de fogo da Frente, o candidato de maior potencial eleitoral, por razões legais, foi impedido de concorrer. A Frente resolveu ousar e apresentou um dos seus melhores quadros. Binho não era um potencial eleitoral, mas tinha o mais importante: o legado de Jorge Viana e da Frente Popular, uma militância invejável e a aprovação do povo para continuar a viagem.

O povo venceu mais uma vez, estamos começando mais uma etapa da construção de um caminho que faz bem ao Acre. Depois das imensas conquistas democráticas e sociais alcançadas, agora o governo da Frente carrega a tinta, para elevar os indicadores sociais e reduzir as desigualdades, com as ações direcionadas para fortalecer o poder do povo. Essas idéias, quando efetivamente começarem a andar, terão fortes impactos nos processos de gestão e na vida social, econômica, política e cultural. Mesmo que uns não queiram, o Acre está passando por um processo de grandes transformações. Não preciso aqui, enumerar os fatos ou voltar ao tempo para dimensionar o tamanho das nossas conquistas. Está tudo maravilha? Não. Estamos satisfeitos? Também não. Mas estamos no caminho certo e por isso, não podemos dar passos retrocedidos.

Acho importante assinalar alguns componentes que considero ter sido fundamental para as nossas vitórias e que continua sendo necessário para continuar mantendo a Frente Popular com saúde suficiente para viver ainda muito tempo. Primeiro, a capacidade dos nossos comandantes, temos bons timoneiros, com experiência para navegar em rios de troncos. Segundo, temos compreensão do valor da nossa unidade, como energia vital e sustentável pra nossa existência. Terceiro, compromisso com as mudanças. Não podemos perder de vista o sentido da nossa origem e objetivos estratégicos. A amplitude de forças processada na frente não pode comprometer o âmago do nosso projeto. A Frente não pode ser tábua de salvação ou casa de passagem para regenerar delinqüente.

A Frente é hoje um ‘partido’ influente e respeitado em todos os recantos do nosso Estado. É um referencial que orienta e alimenta os sonhos da nossa geração. A marca Frente Popular está gravada nas cabeças e nos corações acreanos. Os melhores anos de minha vida estão relacionados com suas vitórias e combates, o que nos motiva a coerência e a causa. Coerência esta que não existe na oposição, que não tem fisionomia própria, em cada disputa aparece com um nome diferente. MDA – Frente da Cidadania ou coisa que o valha. Todavia, não podemos subestimá-la. Sem força para fazer o enfrentamento em campo aberto, agora querem nos golpear por dentro.

O adjunto de 2008 é um momento decisivo para testar nossa unidade e coerência. Não podemos mais cometer os erros do passado, nossa trajetória nos ensinou lições. No mais, estamos chegando à maioridade, erro de adulto acarreta conseqüências mais drásticas. A Frente nasceu da generosidade do povo. Assim, devemos está sempre vigilantes para resguardar seus elevados interesses.

Encerro com a oferta de homenagens e honras a todos os combatentes emblemáticos dessa trajetória de conquistas e engrandecimento do povo acreano. Confio em nossos comandantes, sei que terão todo cuidado e não vão jogar nosso barco nas tronqueiras.

* Presidente do PC do B de Tarauacá

 

 
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Rio Branco-AC, 30 de junho de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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