COTIDIANO

Granja pode fechar por falta de pinto

Maior granja de frangos caipiras da capital não consegue pintos caipiras, variedade preferida pelos consumidores


Frango caipira tropical tem como características principais a rusticidade, resistência às doenças
respiratórias comuns ao clima da região
e por chegar ao ponto de abate com peso médio de dois quilos


Juracy Xangai

Dando sua contribuição para vencer o desafio de abastecer o mercado acreano com galinhas caipiras que substituíssem os milhares que entravam no Acre vindos de Rondônia, Floriano Monteiro Sloboda decidiu vender seu gado e, somando a isso algumas economias, investiu cerca de R$ 50 mil na montagem de uma estrutura suficiente para criar 5 mil aves de uma só vez.

Ao longo desses últimos dois anos e meio, aprendeu no dia-a-dia os segredos do manejo da galinha caipira tropical, uma variedade criada pela Embrapa de Brasília para atender aos pequenos produtores do Pará. Suas características principais são a rusticidade, resistência às doenças respiratórias comuns ao clima da região e por chegar ao ponto de abate com peso médio de dois quilos e uma carne tão firme e saborosa quanto a da galinha tradicional porque come pasto e fica pronta com 140 dias.

“Mantendo cinco mil aves no galpão, nós abatíamos uma média de 50 delas por dia para fornecer aos restaurantes e mercados da capital. Mas hoje temos apenas 1,5 mil e por isso tivemos de reduzir esse abate para 25 a 30 por dia porque estamos tendo dificuldade para comprar pintos e manter a regularidade na produção”, explicou Floriano Sloboda, que montou sua criação de frangos no Rancho F-2 que está localizado no ramal do José Carlos, onde se chega entrando à esquerda na curva do Itucumã.

Origem do problema - Atendendo aos apelos do governo para que fossem produzidas galinhas caipiras no Acre, Floriano experimentou criar o frango colonial ou caipirão, mas descobriu nele dois defeitos graves. O primeiro é o de que come demais e fica exageramente gordo, gerando uma despesa muito alta. E, o pior, por causa do tamanho e da gordura exagerado, fazendo com que atingisse mais de cinco quilos, ele não foi bem aceito pela maioria dos consumidores.

“Nossa inexperiência nos causou um grande prejuízo criando o caipirão, então descobri a variedade caipira tropical que o próprio governo do Estado começou a fornecer através de sua incubadora. O problema é que depois ele deixou de produzir esses pintos para produzir só o caipirão. Então, nós passamos a comprar os pintos de fora, mas com a saída da Varig do Mercado, a Gol não faz esse tipo de transporte e nossa criação está ficando inviabilizada”, esclareceu Floriano.

Com a incubadora do governo dedicada apenas à produção de pintos da variedade caipirão para atender aos pequenos produtores rurais que além do mercado da Capital irão abastecer o abatedouro industrial que está sendo montado em Brasiléia, Floriano está tendo dificuldade em manter sua criação.

“O mercado aceitou muito bem a galinha e o frango caipira tropical, mas não gostou do caipirão, por isso eu não quero trocar a variedade para repetir os prejuízos que já sofri. Por isso, para mim e outros que também trabalham no ramo, a solução seria a incubadora do governo voltar a produzir os pintos da variedade caipira tropical. Esse é o apelo que nós queremos fazer ou do contrário teremos que acabar com nossa criação porque o caipirão é inviável”.

Solução - No centro de incubação pertencente ao goveno do Estado, a chocadeira está trabalhando apenas com a produção de pintos do tipo caipirão e mal consegue atender à demanda dos produtores. Mas há ali uma segunda chocadeira, que está parada por falta de reparo que não custaria muito mais de R$ 3 mil, o que dobraria a capacidade do produção e permitiria tirar pintos da variedade caipira tropical para atender mais produtores.

“Hoje estou com os galpões vazios porque não consigo encontrar uma solução para fazer os pintos da caipira tropical chegarem até aqui. Dessa maneira, estamos encontrando uma dificuldade muito grande para manter nossa criação”, lamentou.

 

 

 
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