| OPINIÃO | ||
| CRÔNICA | ||
José Cláudio Mota Porfiro * |
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O complô Falam tão bem e falam tão mal uns dos outros... Aquele comentário enaltecedor, dignificante, é facilmente levado pelo vento. Até o alvo dos elogios muitas vezes dele se esquece. Entretanto, se as palavras ditas sobre outrem são injuriosas, a poeira do tempo não tão facilmente as carrega e a vítima da maledicência pode sofrer com o peso da infâmia até o túmulo. Historicamente, é mais ou menos o que tem ocorrido aos grandes pensadores que se ergueram contra o fausto dos impérios capitalistas erguidos à sombra do ódio, da intriga e enlameados pela fome, pela miséria e pelas lágrimas de quem foram usurpadas a dignidade e a esperança por tempos mais prósperos. Muitos foram os sonhadores que imaginaram um dia poder levar as castas mais humildes ao usufruto dos bens que a natureza não lhes nega. Negam-lhes, sim, os donos do poder. Aos mais pobres não é dado sequer ser feliz e suprir necessidades básicas como beber, comer, vestir e melhor habitar. Sócrates, Jesus Cristo, Gian Domenico Campanella, Philippe Buonarroti, Giordano Bruno, Henry de Saint-Simon, Robert Owen, Karl Marx, Vladimir Illitch Lênin, Antônio Gramsci e tantos outros mártires do poder tiveram má sorte, pereceram na forca, na fogueira ou no calabouço, mas a obra destes homens é que serviu de alicerce para que, hoje, estejamos começando a erguer as bases da pouca democracia que ainda se consegue respirar, aqui e ali, por estas neocolônias dos Estados Unidos e da Europa. Sócrates foi vítima de um complô de mentirosos que o levou a julgamento torpe onde foi condenado a ingerir cicuta. Com Cristo aconteceu quase o mesmo: uma meia dúzia de fariseus conduziu o povo a sentenciá-lo à crucificação. Campanella, italiano, passou trinta anos preso em Paris e foi torturado dez vezes, não tendo suportado a última. Buonarroti foi parar na fogueira. Saint-Simon, um aristocrata francês apaixonado pelas causas socialistas, morreu louco, esquecido e na miséria. Com Owen ocorreu o mesmo. Marx morreu de inanição depois de toda uma vida de privações e depois de ter visto falecerem todos os sete filhos e a esposa. (Friedrich Engels, um inglês rico, conseguiu prolongar os dias de vida de Marx, para que este escrevesse um pouco mais da sua magnífica obra, dando-lhe dinheiro e o ombro amigo.) Lênin, acima de tudo um grande educador, morreu doente e desassistido. Gramsci, um expoente da filosofia do século XX, morreu na prisão, onde compôs parte da sua obra. Fazendo um vínculo talvez absurdo entre o Cristo e os socialistas, convém traçar um paralelo entre as causas das condenações: foram, todos, sem exceção, vítimas do poder. Em vista da defesa exacerbada e corajosa das causas justas em nome dos mais humildes, foram imolados, violentados, pela covardia dos poderosos que têm (hoje) medo da influência e da liderança que os justos podem exercer em nome da igualdade entre os homens. Indo bem longe (e ficando próximo demais), afianço-vos que Chico Mendes e tantas outras vítimas do capitalismo internacional que dita as regras entre os brasileiros, sem guardar nenhuma proporção, inscrevem-se entre os mártires que pereceram por acreditar nos direitos de todos perante as leis que acreditavam ser dos mais justos. Quem os matou? Quais foram os assassinos? Onde estão os responsáveis pela chacina histórica de tantos justos e probos? É fácil a resposta. Foi a sanha do poder, a ganância irracional e, por fim, nos dois últimos séculos, foi, mais especificamente, a febre do capital. Foi a peçonha e o veneno burgueses que não hesitam em destruir a tudo e a todos em nome do acúmulo de bens e dólares... E muitos euros. Bem pior, no entanto, é o fato de que, à exceção de Cristo, cujo perfil traçado pelos burgueses é diferente do perfil admitido pelos proletários (há a igreja dos ricos e a igreja dos pobres), os demais, todos, têm histórias quase que completamente desconhecidas, principalmente, por aqueles a quem defenderam. Os poderosos - fariseus, aristocratas, burgueses - além de destruírem vidas tão preciosas, destroem as histórias dessas vidas, cassam-lhes as obras, mentem a respeito de tão célebres inteligências alardeando não terem sido o que diziam, que eram falsos profetas. Por que dizer que um governante probo rouba o erário sem nenhuma prova que sustente a acusação leviana? Um copo de cicuta seria a solução, se fosse possível. O objetivo dos detratores é confundir aos menos esclarecidos na busca dos votos que os levariam outra vez ao poder, hoje, no Acre e no Brasil. É como se as obras sociais não fossem concretas e não enchessem de orgulho o meu povo. Em verdade, o capital destrói o humano, assassina-o a partir do espírito. E quer muito mais. Tenta esconder as verdades ditas e escritas que se coadunam aos anseios dos oprimidos. Ide e conhecei Marx! Conhecei Lênin! Eram todos dignos e justos de coração, mas a canalha não o admitia. Eram, acima de tudo, humanos. Enfim, as arapucas são armadas por complôs cujo objetivo maior é atrair para a solução final os que se arvoram a defender os mais humildes, como fez Chico Mendes, um profeta moderno e um mártir às antigas. * Pesquisador do Depto. de Filosofia e C. Sociais/Ufac. |
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