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Floresta e cidade encantam estudantes

Juracy Xangai


Estudantes de todo o Brasil, além de países da América Latina como a Argentina, Colômbia e até os Estados Unidos, participaram do XIV Encontro de Geógrafos, realizado em Rio Banco de 16 a 21 deste mês. Cada um deles apresenta diferentes conclusões sobre os diferentes locais por eles visitados no Acre, mas - e sobretudo - destacam a visão de devastação das florestas que viram ao longo da viagem para chegar ao Acre com a maior parte de suas florestas preservadas.

Lucas Paladino, acadêmico do terceiro período de geografia da Universidade de Córdoba, na Argentina, declarou: “Já havia lido e ouvido muita coisa sobre o Acre, mas estar aqui é muito diferente, muito melhor. Me chamou a atenção a destruição que vi até em Rondônia para chegar aqui e poder ver a floresta de verdade. No entanto, notei que há um rompimento muito forte entre a zona rural e a urbana do Acre, onde a cidade está com um padrão de vida tão bom quanto em cidades do Sul, mas no campo não acontece a mesma coisa”.

Patrícia Elisa Silva, que faz o segundo período de geografia na PUC de Minas, deu sua opinião: “A visão que temos lá é a de que íamos percorrer uma viagem de cinco mil quilômetros vendo floresta e até animais, mas o que vi foi um vazio, pastos e lavouras a perder de vista. É frustrante. Achei Rio Branco muito bonita, mas ainda não sentia que estava no Acre até conseguir finalmente pisar na floresta como aqui no Cachoeira, onde viveu o Chico”.

Para Suelem Guimarães da Luz, acadêmica do quarto período de geografia da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), “aqui tudo é muito surpreendente. Lá no Sul, nós temos uma visão idealizada, com animais correndo por toda parte, aves e árvores gigantescas. Não é dessa maneira, mas é fascinante pela coisa em si. Notei que no Acre o uso e a preservação da floresta são um assunto conhecido de todos, coisa que não acontece lá fora”.

Estudante de relações exteriores pela Texas AFM University, a colombiana Marcela Herrera veio participar do encontro de geógrafos do Acre. “Nos Estados Unidos se tem uma perspectiva de que há problemas com a natureza, mas, embora soubesse da questão madeireira e dos conflitos, não tinha dimensão de que fosse tão grande. Já Rio Branco está uma cidade muito bonita, fiquei surpresa”, destacou.

Alexandro Amaro, professor de educação ambiental e estudante do sexto período de geografia da UBRA, em Porto Alegre, declarou: “Estive aqui há 13 anos servindo no quartel do Exército. A cidade era suja e tudo um caos. Hoje está 100% melhor, mas as pessoas ainda reclamam muito da falta de água e de esgotos. Pelo que me disseram, as estradas rurais também estão péssimas e sem essas condições não há produção nem desenvolvimento”.

 
 
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Rio Branco-AC, 30 de julho de 2006
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