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Lábio leporino Pacientes com problemas faciais se beneficiam com criação de ambulatório na Fundhacre |
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Para isso, a Fundhacre organizou uma equipe multidisciplinar de profissionais, incluindo dentistas, buco-maxilos, pediatras, psicólogos, fisioterapeutas, otorrinologistas, assistentes sociais, pedagogos, nutricionistas, fonoaudiólogos, enfermeiros e toda uma equipe de apoio. Os médicos cirurgiões-plásticos João Lorenzo Rocha e Geruza Rezende Paiva são de Pouso Alegre, sul de Minas Gerais, e irão fazer parte da equipe. De acordo com eles, começou hoje o processo de avaliação para que as cirurgias comecem o mais rápido possível. Ontem a tarde foram atendidos 16 pacientes, que serão avaliados pela equipe médica, e de acordo com a necessidade serão encaminhados à cirurgia plástica. Atualmente cerca de 80 portadores da doença estão à espera da cirurgia. A fissura lábio-palatina é uma abertura na região do lábio ou palato (céu da boca), ocasionada pelo não fechamento dessas estruturas, que ocorre entre a quarta e a décima semana de gestação. Segundo o médico, trata-se de um defeito de nascença, com causas que ainda não são totalmente conhecidas pela ciência. Ele compara a incidência dessa fissura com a da Síndrome de Down, para cada 600 crianças que nascem vivas uma já nasce com a doença. O que muda com o novo ambulatório De acordo com o gerente da Fundação, Alexandre Barros, esse tratamento já era realizado. Só que os pacientes tinham que esperar cerca de um ano, até que uma equipe dos Estados Unidos viesse ao Acre. Através desse sistema 300 pessoas foram beneficiadas. “Agora a Fundação posssui todos os equipamentos necessários e uma equipe multidisciplinar, que também inclui cirurgiões-plásticos, para atender à população de acordo com a demanda do Estado”, diz o gerente. Lorenzo garante que veio para Rio Branco para dar continuidade ao trabalho que já vinha sendo desenvolvido pelo Estado, só que com mais agilidade, trabalhando na retarguarda dos profissionais das outras áreas. Além desse tipo de cirurgia, também serão realizadas todas as outras cirurgias plásticas restauradoras, de acordo com as necessidades que forem surgindo. Experiência comprovada Lorenzo tem 27 anos de experiência na área de cirurgia-plástica, durante esse tempo já operou 300 portadores da síndrome. Segundo ele o tratamento é bastante complexo e possui um custo elevado. “Na maioria das vezes, assim como nos casos de pacientes com câncer, os portadores da doença não têm como pagar pelo tratamento. Daí a importância de iniciativas como a da Fundação, de oferecer todo o acompanhamento necessário ao tratamento, que começa quando a criança nasce até por volta dos 6 anos”, diz ele. Senador garantiu acesso dos mais pobres à cirurgia O grande responsável pelo convênio que permitiu o acesso das pessoas pobres à cirurgia é o senador Tião Viana. Segundo os médicos que fizeram o atendimento, os pacientes jamais conseguiriam pagar uma cirurgia dessa natureza na rede particular por causa de seu elevado custo. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) existem no Acre cerca de 700 pessoas portadoras de fissuras palatais. A primeira visita da equipe da comitiva norte-americana aconteceu em 1999, quando somente oito pessoas submeteram-se às operações. Com a atuação do senador, dezenas de pessoas passaram a obter o benefício, que devolve auto-estima dos paciente. O problema é de origem genética e nada tem a ver com doença mas é prejudicial porque acaba excluindo os portadores do convívio social: muitos nem falam e a maioria não estuda, não namora, enfim, não tem vida pessoal. Os médicos afirmam que “é uma satisfação poder dar oportunidade delas viverem com mais dignidade”. |
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