COTIDIANO

Cacho da banana cai para um real

Alta produtividade fez com que produtores recorressem ao baixo preço para não ficar no prejuízo

Regiclay Saady
No Mercado Elias Mansour, cachos
de banana-comprida são
vendidos por apenas R$ 1


Renata Brasileiro

Comerciantes de banana têm chamado a atenção da população no Mercado Elias Mansour com o volume excessivo da fruta, que chega a invadir boa parte da rua que dá acesso à porta lateral do comércio.

Tanta banana é proveniente de Acrelândia, município que no ano passado sofreu a maior crise de todos os tempos com os grandes incêndios que destruíram mais da metade da produção local. A terra deu a volta por cima, conta um dos produtores prejudicados com o desastre ambiental. E uma alta produtividade de banana surgiu de forma surpreendente, mudando o destino de centenas de famílias que vivem da agricultura naquela cidade.

“A recuperação foi rápida demais. Nem a gente acreditava que a terra fosse surgir tão fértil depois daqueles incêndios”, comemora o produtor, José Caetano Soares.

Se por um lado a boa produtividade é motivo para comemoração, Soares disse que por outro é motivo para preocupação. Isso porque a tendência é que o produto estrague mais rápido sem consumidor suficiente para comprar. E neste caso, o cacho da banana caiu para R$ 1, contrastando com o preço do ano passado, nesta mesma época, quando o cacho chegou a ser vendido a R$ 7.

“Foi a única alternativa que a gente encontrou para vender a banana mais rápido sem que ela estrague nas nossas mãos”, reforçou o produtor.

O preço de fato tem atraído muitos clientes ao mercado, conta Claudionor Depolo. Em dois, três dias, os produtores chegam a vender oito mil cachos de banana. Em contrapartida, há dias em que um produtor consegue vender R$ 5, R$ 6 ou R$ 7 de banana.

“Hoje o dia foi ruim para nós. Parece que as pessoas combinam para comprar tudo num único dia e quando chega o outro não aparece ninguém”, completou Raimundo Nonato da Silva.

O produtor está com mais de 150 cachos para ser vendido em dois dias. Ele diz que se não houver comprador, o prejuízo vem em seguida. “Se passar mais três dias essa banana vai estragar.”

Raimundo Nonato possui terras no Ramal Samaúma, na BR 364. Ele conta que está com a volta marcada para a próxima semana, quando vai retirar mais bananas que estão em uma área de 17 hectares.

“Ainda tem muita banana para ser comercializada. Daqui a 15 dias eu volto com um carregamento novo”, reforçou.

 

 
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