| COTIDIANO | |
Tecnologia a serviço da vida Pesquisador que salvou as lavouras de banana do Acre vai embora esperando que seu trabalho seja continuado |
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Produtores de todo o Acre já colhem os frutos de bananeiras resistentes ao mal de Sigatoka, doença que na segunda metade da década de 90 ameaçou destruir a cultura desse que é um dos principais ingredientes da mesa acreana. Quem vê a beleza das palmas cor de ouro e sente o aroma doce prometendo sabor agradável nem desconfia que a salvação dos bananais vem contando com a mais alta tecnologia da clonagem praticada pela equipe da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) liderada pelo pesquisador Jonny Everson. Formado em agronomia pela Universidade Federal de Pelotas no Rio Grande do Sul, Everson fez mestrado em biotecnologia e melhoria de plantas em Toulouse, na França, lá completou também seu doutorado em genética. Aprovado em concurso público chegou no Acre no final de 2002 onde recebeu do então chefe de escritório da Embrapa local, Evandi Campos, a missão de montar e estruturar o primeiro laboratório biotecnológico de clonagem vegetal do Acre. “O foco principal do trabalho que faríamos seria reproduzir o mais rapidamente possível, mudas de bananeiras resistentes ao mal da Sigatoka para fornecermos aos agricultores. O único problema é que tudo estava no papel, não tínhamos equipamentos e nem dinheiro, então começou uma verdadeira maratona pela criação do laboratório”, recorda. Nesse momento foi fundamental o interesse do então prefeito de Acrelândia, Tião Bocalon que liderando município onde há a maior produção de bananas do Acre, abraçou a causa e com o apoio da bancada federal conseguiu junto ao Ministério do Meio Ambiente (MMA) os recursos necessários para montagem do laboratório na Embrapa de Rio Branco e de um viveiro de mudas na sua cidade. “Os recursos só foram liberados no finalzinho de 2003, nos apressamos e já em 2004 estávamos reproduzindo clones das variedades Preciosa e Maravilha, no ano seguinte estaríamos reproduzindo as variedades Pacovan Key e Japina. Em 2006 produzimos 30 mil mudas e neste ano umas 12 mil”. Ele então explica o motivo da redução: “A Embrapa é uma instituição de pesquisas, as milhares de mudas que fizemos estão sendo cultivadas pelos agricultores, os quais, estão reproduzindo as plantas e trocando mudas entre eles. Agora chegou a hora da iniciativa privada assumir seu papel, ou seja, de assumir a função de reproduzir e comercializar as mudas enquanto nós vamos desenvolver outros projetos que também são importantes e necessários para o desenvolvimento produtivo do Estado. A idéia é de que o laboratório montado por Jonny Ever passe a dar suporte técnico e treinamento a uma empresa que está sendo criada para assumir o controle da biofábrica, que a exemplo de centenas de outras espalhadas pelo Brasil, fará a comercialização destas mudas geneticamente puras e isentas de contaminação por fungos, bactérias e até dos vírus. “O laboratório está pronto, a tecnologia de reprodução está dominada, então é necessário que a iniciativa privada assuma essa função daqui por diante. Nós repassaremos a tecnologia e treinaremos seu pessoal acompanhando os resultados até que eles se tornem auto-suficientes e possam continuar o trabalho por conta própria. Esse é o nosso papel enquanto pesquisadores”, destacou. Despedida Jonny Everson que em apenas cinco anos conseguiu a façanha de montar um laboratório e treinar uma equipe que hoje é referência nacional na reprodução in vitro de banana, dendê, sacaca, abacaxi, orquídeas e uma série de outras espécies de interesse comercial para os ramos da alimentação, medicina, madeira e indústria química, está indo embora do Acre nesta semana. Parte para assumir controle sobre o núcleo de genética de plantas da Unidade Central do Banco de Genomas Brasileiros administrado pela Embrapa de Brasília. “Mais que um desafio, esta é uma oportunidade de poder contribuir com as 40 unidades de genética de todo Brasil que estão diretamente ligadas à unidade Central. Desta forma estarei contribuindo com o Brasil e com o próprio Acre, mais particularmente, até porque este é um estado em que fiz amigos e que quero ver desenvolvido, por isso podem continuar contando comigo”. | |
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