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Brincando com o perigo Brinquedos baratos e sem a devida certificação induzem pais ao erro na escolha de presentes |
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Está comprovado que os brinquedos ajudam na formação da personalidade das crianças. Os educativos, como os jogos, as bonecas e os bichinhos de pelúcia, são cruciais no desenvolvimento de múltiplas inteligências. No entanto, esse não é o tipo de brincadeira oferecida por camelôs e lojas que revendem linhas infantis falsificadas. O perigo é exposto pelo formato que alguns brinquedos ganham: armas que se confundem com as de verdade disparam “balas” de plástico a até 50 metros de distância. Os lançamentos estão aparecendo ainda mais perigosos nas prateleiras dos ambulantes que ficam no calçadão próximo ao Terminal Urbano de Rio Branco. Além de suscitar na criança o desejo de possuir um objeto de caráter destrutivo, apresentam, de fato, a finalidade que uma arma de verdade oferece. As “balas” de plástico machucam e até causam seqüelas às vítimas da brincadeira. “A gente sempre pede aos clientes bastante cuidado para não atingir o olho de alguém porque pode cegar. A bala sai com muita pressão da arma”, lembrou uma ambulante. Mesmo ciente do perigo que a arma de brinquedo representa, a comerciante disse que deverá comprar esta semana pelo menos mais duas dúzias do modelo. Os exemplares são para reforçar o estoque para o Dia da Criança. Animada com as vendas, ela afirma que o brinquedo “vende feito água até em datas comuns, imagine numa data festiva”. “Eu só não deixo essas armas expostas para vender mais porque os homens da polícia já passaram aqui uma vez dizendo que ela não pode ser vendida. Contaram para gente que elas são usadas em assalto, de tão parecidas que são com as de verdade”, completou. A arma vendida pela ambulante é similar ao modelo 9 milímetros, que é de uso exclusivo da Polícia Federal e das Forças Armadas. Além dela, a barraca repleta de brinquedos exibe outros modelos de armas, como os similares ao revólver calibre 38 e à pistola 380. Samu atende até dez ocorrências por mês Os revólveres e pistolas são apenas alguns dos brinquedos que não acrescentam - às vezes atrapalham - ao desenvolvimento da criança. Isso porque as barracas situadas no famoso “camelódromo” de Rio Branco oferecem outras peças infantis, aparentemente inofensivas à saúde, mas que também trazem grandes traumas. Brinquedos que se desmontam com facilidade e se transformam em peças pequenas devem ser mantidos longe de crianças abaixo de seis anos, segundo a enfermeira Lúcia Carlos, coordenadora estadual do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu). Ela revelou que de oito a dez ocorrências com crianças são atendidas por mês pelo Samu, todas de obstrução em vias aéreas por corpo estranho. “A maioria dos casos dessa natureza está ligada a crianças que engolem moedas ou peças pequenas de plástico que se desprenderam do brinquedo. Os pais precisam ter muito cuidado na hora de comprar um brinquedo. Esses importados, principalmente, são muito frágeis e se desmontam com grande facilidade. Jamais devem ser colocados em posse de bebês, pois eles costumam levar tudo à boca”, reforçou. Brinquedo como medida terapêutica Como brincar sem riscos? A professora Gorete Lima, da Brinquedoteca do Hospital da Criança, disse que é necessário que os pais acompanhem a brincadeira dos filhos para que eles aprendam a verdadeira emoção de “brincar” e desenvolvam a atividade sem riscos. “Seguros são os brinquedos de plásticos laváveis, os quebra-cabeças de madeira com peças maiores, que não possam ser engolidas, e jogos de encaixe, por exemplo. Mas para a criança desenvolver uma brincadeira saudável é interessante que os pais ensinem maneiras de brincar. A brincadeira é algo muito bom e pode ser usada até como medida terapêutica”, destacou a professora. Ela conta que essa é a função da Brinquedoteca montada no Hospital da Criança. Além de oferecer um suporte educacional para a criança, no período em que ela passa afastada da escola ou da creche por conta da internação, ainda traz bons efeitos na recuperação. “Isso prova o quanto é importante brincar”, enfatiza. O pequeno Joarle Lima, de 4 anos, é a comprovação do efeito. Sempre que está na brinquedoteca, o menino esquece a dor estomacal que o levou à internação e passa a exibir um sorriso no rosto. “Ele chegou tão triste que eu nunca pensei que ele fosse ter ânimo para brincar. Mas agora estou vendo que se não tivesse brinquedo aqui no hospital ele não estaria tão bem como está”, confirmou a mãe de Joarle, Francisca Silva. Indústria reconhece erro e tira modelos do mercado Recentemente, a maior fabricante mundial de brinquedos, Mattel, anunciou a retirada do mercado de 7,2 milhões de produtos por conterem substâncias tóxicas e ímãs de tamanho reduzido. É a segunda vez em menos de 30 dias que a Mattel faz um recall (retorno à fábrica) dos produtos, depois de ter anunciado no início de agosto a retirada do mercado de 1,5 milhão de brinquedos devido ao excesso de chumbo nas suas pinturas. Os brinquedos afetados são da marca de bonecas Polly Pocket, ao ímã chamado Barbie Doll and Tarner, uma das figuras do Batman e um carro desenhado pela produtora cinematográfica Pixar referente ao seu filme ‘Cars’. A retirada desses modelos foi exigida pela Comissão Norte-Americana para a Segurança do Consumo. Por se tratar de uma grande exportadora de brinquedos, a Mattel tem modelos de seus brinquedos espalhados em todo o mundo. No Acre, algumas lojas que revendem a marca garantem que os três tipos de brinquedos já foram retirados das prateleiras e, apesar da exigência ter vindo justo no período que antecede o Dia da Criança, a venda dos demais produtos da marca não está comprometida. “Logo que a Mattel divulgou o problema nos brinquedos, fizemos a retirada das prateleiras. O problema em um dos modelos da Barbie, por exemplo, era no cachorrinho que vinha acompanhado. Foi constatado excesso de chumbo na pintura dele”, destacou o gerente da Casa de Brinquedos, André Paiva. A importância da certificação - O gerente afirma que não existe problema nenhum com as Barbies e que todos os outros modelos têm a venda autorizada, assim como os demais tipos de brinquedos da marca. “Cerca de 80% da loja é de brinquedos Mattel. É importante lembrar que o problema aconteceu com os tipos já retirados, e que todos os demais são seguros e prometem boas vendas para o Dia da Criança”, completa. Para o gerente, as vendas para o Dia da Criança não serão afetadas por conta do recall. Otimista, ele acredita que o volume de vendas aumentará em pelo menos 40% a partir desta semana. Paiva fez uma ressalva sobre a importância de os pais comprarem brinquedos originais, que apesar de serem tidos como mais caros não apresentam preços tão longe da realidade das famílias de baixa renda. “Temos brinquedos bons e muito baratos aqui. As Barbies, por exemplo, estão a partir de R$ 25.” O que comprar no Dia da Criança? O Sindicato dos Lojistas do Acre dá as dicas. Segundo o vice-presidente da entidade, João Batista Badate, o importante é conferir na embalagem do brinquedo escolhido se há o selo do Inmetro. “Se não tiver selo, é um brinquedo arriscado”, alerta. Mesmo com o selo na embalagem, o consumidor deve ficar atento para a faixa etária a que o brinquedo se destina. Seguindo conselhos simples como esse não há erro na escolha do presente da criança, lembra Badate. Com base na experiência de anos anteriores, a gerente comercial da loja Mundo dos Plásticos, Rose Charise, acredita que as bonecas e os carrinhos não perderão sua graça este ano. São os produtos mais vendidos no mês das crianças e por isso os fabricantes lançam uma grande variedade de modelos nesta época. Ainda de acordo com o sindicato, as vendas do Dia da Criança prometem ser uma prévia do Natal. “Será uma das datas mais aquecidas para quem trabalha com produtos infantis. A expectativa é de que aumente o volume de vendas em 30% a partir dos primeiros dias de outubro”, destacou Badate. Inmetro alerta a) No ato da compra, exigir o selo de identificação da conformidade ou selo de certificação. Ele demonstra que o produto atente a requisitos mínimos de segurança estabelecidos em normas e regulamentos. b) Não comprar produtos no comércio informal, mas no comércio legalmente estabelecido. Os produtos comprados no comércio informal, geralmente mais baratos, quase sempre são irregulares, falsificados e, apenas como exemplo, podem conter substâncias tóxicas na sua composição. c) Exija sempre a nota fiscal do estabelecimento onde comprou para que haja responsabilidade social em caso de acidente ou defeito no produto. d) Antes de entregá-los às crianças, leia atentamente as instruções que orientam quanto ao uso seguro do produto. Cuidados especiais devem ser observados na retirada das embalagens, que podem ter grampos metálicos, papéis com tintas inadequadas e outros incômodos. e) Particularmente para brinquedos, deve ser dada atenção à faixa etária recomendada para o produto. Peças pequenas, em especial, são muito perigosas se usadas por crianças com idades inadequadas. Cabe total atenção nos lares onde existam crianças com diferentes faixas etárias. |
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