OPINIÃO
   OPINIÃO

Maria Regina Canhos Vicentin *

 

Jogo do amor

Muitas pessoas acham que o amor é um jogo. Ganha quem souber jogar melhor. Várias armas estão à disposição dos jogadores: sedução, dinheiro, beleza e poder são apenas algumas delas. O importante é impressionar o outro, encanta-lo e, às vezes, brincar com os seus sentimentos. A perspicácia em cada lance é algo que nos coloca adiante, e faz com que manipulemos a situação. Assim, temos as jogadas: “Hoje não ligo, assim ele vai ficar esperando o dia todo”, “Digo que vou, e não apareço. Ela vai ficar doida!”, “Você diz que me ama, mas eu quero uma prova”, Se você me amasse mesmo, faria isso por mim”. E por aí vai... Queremos envolver o outro em nossos mirabolantes esquemas egocêntricos. Vale tudo pra chamar a atenção e conseguir boa pontuação. Enquanto nos preocupamos em ter a melhor performance no jogo do amor, costumamos machucar várias pessoas, e nos esquecemos que nem todos estão dispostos a jogar. Tem gente que perde um grande amor assim, imaginando que o outro vai se prestar a esse tipo de entretenimento.

O amor não é um jogo, principalmente porque num jogo sempre há quem ganha e quem perde. O verdadeiro amor é um ganha-ganha. Você quer fazer o outro feliz e não apenas ser feliz. Você não deseja usar o outro com fins egoístas, mas usufruir sua companhia, seu contato, envolvendo-se num clima afetuoso. Essa estória de ligar para o outro somente quando se está carente, com o objetivo de levantar a auto-estima e afogar as mágoas de um dia difícil ou um casamento em crise, é realmente terrível. Fazer o outro de lenço, ombro amigo, depositário de contrariedades e frustrações, abusando de sua afeição ou bem querer, é de uma maldade sem tamanho. Mentimos, enganamos, fazemos tipo, qualquer coisa para atingir o objetivo de usar o outro em benefício próprio. Que coisa feia!

Seja verdadeiro. Pare de mentir. Pare de enganar. Assuma que você só quer passar um tempo com essa pessoa que diz amar, mas que verdadeiramente só lhe interessa na medida em que venha a atender seus caprichos e desejos. Pare de jogar. Pare de fazer sofrer. Coloque-se no lugar do outro e imagine como se sentiria se soubesse que está fazendo papel de palhaço. Que nos bastidores, seu grande amor lhe arma ciladas, isso sim. Joga com a vida. Joga com você e seus sentimentos. Isso não é amor.

Existem pessoas que passam pela vida da gente apenas uma vez. São corretas, íntegras, honestas, afetuosas, dedicadas e sensíveis. Estão em busca do verdadeiro amor. Sonham com isso, e têm a esperança de encontrar alguém semelhante. Se vacilarmos, corremos o risco de perde-las para sempre. Jogar com quem se ama é sempre um risco. Pode não dar certo. Lembremos do que já mencionei logo acima: num jogo há sempre quem ganha e quem perde. Podemos ser os perdedores. Cuidado; não se joga com quem se ama. Nunca se esqueça daquele velho ditado: “Quem ri por último, ri melhor”.

* Psicóloga e escritora. Conheça o site da autora: www.meguia.net/buscandoafelicidade

 
 
© Copyright Página 20 todos os direitos reservados    -      Imprimir       -       TOPO
Rio Branco-AC, 30 de outubro de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Com Leonildo Rosas
 
 
P E S Q U I S A

 COTIDIANO
 COLUNAS
 EDITORIAL
 ENTREVISTA
 ESPECIAL
 ESPORTE 20
 POLÍTICA
 OPINIÃO
 VARIEDADES
 EDIÇÕES
 EXPEDIENTE
 E-MAIL