| OPINIÃO | ||
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Nena Mubárac * |
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Santa Inquisição... Santa Ignorância! Em certos momentos, não dá para ficar calada, sob pena de parecermos comungar de algumas mesmas imbecis idéias. Bem que eu gostaria, mas como disse Glória Perez, “os cretinos estão em toda parte - no Acre também”. Para esses, portanto, é preciso algumas vezes dar-se ao trabalho de responder. Mas... em primeiro lugar, responder a quem? A coluna que publicou notas sobre a minissérie “Amazônia...” e sua autora, e que nutre um mórbido prazer de achincalhar pessoas, é assinada por ninguém. Aí fica difícil saber se esse ninguém acha alguma coisa mesmo, se é capaz de pensar alguma coisa sobre qualquer coisa ou se consegue, nesse contexto, discernir o que é moral ou o que é imoral. Muito fácil usar o anonimato como escudo na hora de emitir opiniões. Principalmente as caluniosas e, na maior parte das vezes, as que vêm carregadas de hipocrisia. É bem verdade que, no meio (como sabemos, os jornalistas), a gente tem idéia quem é o (ou a) ninguém, que adora publicar notinhas medíocres como esta que, sempre travestida com o falso manto da indignação, apenas teve o infeliz intuito de desrespeitar o trabalho e a pessoa da novelista Glória Perez. Supondo que não sabemos a identidade do (ou da) ninguém, permitam-me dirigir-me, agora, à falta de generosidade do Lhé - que teria todo direito de gostar ou não gostar e, inclusive, o de opinar sobre o que está vendo na minissérie “Amazônia”, desde que para isso não tentasse jogar na vala comum das maledicências a honra da autora e, muito pior, dos seus antepassados. Na verdade, a vulgaridade das informações publicadas na coluna do(a) ninguém, complementadas por uma frase infeliz, mentirosa e de muito mau gosto de autoria do Lhé, em nada torna a abordagem desse ou de qualquer assunto positiva. O que elas revelam, apenas, é a ignorância do(a) jornalista/ninguém, já que existe uma coisa, na dramaturgia, chamada licença poética, que dá ao autor ou autora a liberdade de criar seus enredos e suas personagens. É a partir dessa licença poética que o Padre José, por exemplo, pode ser homenageado, na minissérie, através de uma personagem que tem seu nome, que faz o que ele fazia, que conta os causos que ele contava mas que, necessariamente, não precisa ser ele, ou estar no seu tempo ou nos lugares por onde andou. Aliás, não fosse a licença poética, uma das maiores cantoras do Brasil não poderia igualmente ter sido homenageada, numa cena que misturava ficção e realidade: a da magistral Dalva de Oliveira presente à inauguração da nossa Rádio Difusora. Com certeza, para a autora, a inauguração da Rádio Difusora mereceria tamanha honraria. E assim ela o fez na sua história; por licença poética e porque seu ofício é este: transformar a vida em arte. “Amazônia - de Galvez a Chico Mendes” não é um relato oficial da nossa história. É uma história da nossa história, que está sendo contada pela maior criadora de sonhos que o Brasil conhece, ama e respeita. Por Deus, não nos envergonhem, ninguém e Lhé, com suas misérias humanas. Não sejamos nós, conterrâneos de Glória Perez, a ressuscitar a Santa Inquisição - que condenava, por simples vontade, idéias inovadoras e censurava toda a produção cultural da época, com torturas e fogueiras. Era da inquisição a idéia de que a “acusação era equivalente à culpa”. Será? Por falar em Inquisição - esse tribunal eclesiástico instituído pelo Papa Gregório IX, por volta de 1232 -, seria aqui oportuno lembrar o tratamento dado às mulheres naquele período negro, quando eram ameaçadas de morte se, entre outras coisas, não fizessem sexo com um sacerdote. Delatando-as como bruxas, os “cristãos” da Inquisição as submetiam a todo tipo de tortura: muitas vezes, não fossem jogadas na fogueira, eram deixadas nuas e torturadas publicamente. Não custa também lembrar ao (ou à) jornalista/ninguém que ainda hoje, nesse mundo cheio de avanços sociais e modernidades tecnológicas, o Brasil precise de uma Lei chamada Maria da Penha, para tentar ser mais duro e justo no combate à violência que, longe dos tempos da Inquisição e dos seringais, continua a atingir com igual selvageria muitas mulheres. Acumulam-se, na Delegacia da Mulher local, denúncias contra homens que abusam, ameaçam e maltratam mulheres. Mulheres descendentes de mulheres que descendiam de mulheres que viveram quase que penitentes a opressão e a violência do tratamento desigual, que lhes era dirigido dentro de alguns dos seringais acreanos do início do século passado, tão bem retratados na trama global. Junto-me aos que exigem respeito a Glória Perez. E rezo para que mais essa triste demonstração de hipocrisia, intolerância e deselegância do jornalismo acreano não volte a ser reprisada. Afinal, isso não vale a pena ver de novo! * Jornalista |
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| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
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