| COTIDIANO | |
Zé Jarina no Theatro Hélio Melo |
|
Quem nunca ouviu falar de Zé Jarina, o caboclo “avexado” que faz prosa e verso do cotidiano dos acreanos e encanta o público por onde passa? Pois é! Ele vai sair das “moitas de mato” por onde passa a vida catando sementes, para contar “causos” engraçados ao público que se fará presente no Theatro Hélio Melo, nesta sexta-feira, às 20 horas. O Zé, como é mais conhecido pelas crianças, além de artesão é um artista popular e aproveita os fatos do cotidiano para produzir músicas de humor. Personagens históricos e populares de seringais e bairros de Rio Branco, em especial o Seis de Agosto, são inspiração para os seus “causos”, mas a criançada também tem seu lugar no espetáculo. “Co-có-có-có-có-coró-có-có-có-có-có-coró! O galinho do terreiro anda um pouco cismado porque nasceu um pinto pedrez cacurucado. A galinha respondeu có-có-có-córocó, esse pintinho puxou pra sua avó”. Não tem jeito, qualquer conversa que se inicie com o Zé Jarina começa com uma pitada de bom humor, esteja ele em casa, na rua ou pelas matas, onde passa horas catando sementes para fazer belas jóias. Sim, ele é artesão, e dos bons!. César Farias já dá uma prévia do que o público pode esperar do espetáculo e das manhas do caboclo Zé. “Rapaz, maninha, é o seguinte: quem for ao show vai ouvir muita música e muita contação de história”, ressalta o não menos divertido ‘criador da criatura’. O artesão adianta que o Zé Jarina vai falar de personagens anônimos e populares de Rio Branco e dos seringais. Ele ressalta desde a história de Tufic Assmar, João Barrão e outras figuras que marcaram a história da cidade. Uma coisa que o Zé também retrata no espetáculo é o percurso das biojóias no Acre. Ele explica com muito humor como surgiu o trabalho com as sementes colhidas nos matagais. “O Zé Jarina vai estar falando de coisa séria, mas de forma engraçada para as pessoas rirem bastante. O povo precisa rir porque anda trabalhando muito”, completou César Farias. Qu ando perguntado sobre seu personagem, o artesão-ator dispara com um palavreado típico do próprio Zé: “Maninha! O Zé Jarina é o seguinte: O Zé Jarina surgiu da necessidade de falar mais da biojóia! - Êita! Segura o Zé Jarina! O Zé Jarina tá endoidando catando esses caroços. Diz ele que está pesquisando lá no meio do matagal. Zé Jarina colhia, cortava, lapidava e montava sempre muito ativo. Quando ia divulgar sempre alguém falava: Tu diz que é designer, artesão é pejorativo. E o Zé tinha vontade de chorar”, brinca. Há muito tempo o Zé Jarina cata sementes na floresta. Na época ele chamava para esse ofício o povo da região, mas hora do pagamento ninguém queria um tostão, diziam que as sementes estragavam pelo chão... Ai então, Zé Jarina trocava as sementes por foice, enxada e terçado. “O chamado sustentável lá, maninha lá ninguém tinha noção”. O espetáculo conta com o apoio da Fundação de Cultura Elias Mansour. Os ingressos estão sendo vendidos a R$ 10. |
|
|
|
| GIRO GERAL |
| Com Moisés Alencastro |
| NA TRIBO |
| Com Roberta Lima |
| PORONGA |
| Da Redação |
| |