OPINIÃO
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Francisca Trindade Lopes *

 

Faça você também a sua parte

Aproxima-se o verão, uma das quatro estações do ano, período de pouca ou quase nenhuma chuva. No Acre, devido à proximidade com a linha do Equador, e conseqüentemente do Hemisfério Norte, mesmo com algumas quedas de temperatura no mês de maio - o que tem ocorrido este ano com mais freqüência -, nosso verão chega mesmo para valer em junho, depois de uma boa friagem (frente fria) com temperatura de dez, doze graus.

Bom, isso era antigamente. Agora é difícil chegar aos 15, 16 e anos já houve que só ameaça com algumas noites e manhãs mais frias. Em compensação, a temperatura no período sobe mais e o noticiário alardeia que este ano vai ser recorde, tudo por conta do decantado aquecimento global.

Já da para imaginar o que nos espera: muito sol, calor, poeira, fumaça e mais uma infinidade de sujeira, invisível a olho nu, com odores diversos, que contamina o ar que respiramos, provocando doenças, principalmente do sistema respiratório.

É um período difícil. Até o céu azul, com ou sem nuvens e sol brilhante, noites de lua e estrelas, que tanto nos faz bem olhar e pensar que estamos próximos de Deus, fica encoberto por uma camada de fumaça resultante de queimadas, tanto da zona rural - grandes áreas de floresta são derrubadas e queimadas para plantio e formação de pastagens e outras atividades -, quanto da zona urbana, onde, em nome da limpeza de espaços, são queimados paus, folhas, pneus e tudo mais que é considerado entulho e pega fogo, acrescido da fumaça gerada por veículos e outras máquinas movidas à combustível, derivados de petróleo muito mais prejudicial ao meio ambiente e à saúde.

Dizer que na cidade os que queimam folhas, paus, plástico, papel moram em bairros afastados, que os carros da limpeza pública não recolhem o lixo, que a maioria veio do interior e não entende o mal que a fumaça causa a saúde, a natureza, tudo é pura balela.

Bairros considerados nobres, com suas ruas asfaltadas, calçadas nas laterais, garis limpando todos os dias, muitos de seus moradores, pessoas “esclarecidas”, limpam, mandam limpar seus quintais ateando fogo em tudo que consideram entulho e pode ser queimado.

Como se não bastasse, o Acre, por sua localização geográfica, ainda é receptor da fumaça de outros Estados que chega trazida pelo vento.

Dessa forma, mudança no ar para que possamos respirar melhor só depois de fortes chuvas, o que acontece lá para o mês de outubro ou novembro. Até lá nada temos a fazer a não ser engrossar as filas nos hospitais.

Mas será que não temos mesmo?

Sabemos que muitas doenças que atingem nosso sistema respiratório são causadas pela poluição do ar que respiramos e a fumaça é uma grande contribuidora dessa poluição, e com raras exceções somos nós os causadores.

Sabemos também que, atualmente, existe uma grande preocupação dos estudiosos quando constatam o aquecimento global do planeta e que esse aquecimento é o resultado das ações do ser humano aqui na terra, seja desmatando e queimando florestas, seja na queima de combustíveis fósseis (petróleo) nas indústrias, na geração de energia elétrica, nos transportes.

Por isso, novas fontes de combustíveis não-poluentes ou menos poluentes são buscadas pelos países, sendo encontrados na cana-de-açúcar, milho e outros mais, já com grande produção no Brasil e mercado consumidor sempre crescente.

Hoje é comum ouvir nos meios de comunicação que em muitos lugares, além de pesquisadores, pessoas da comunidade estão descobrindo fórmulas para reduzir o consumo de energia elétrica e água sem deixar de usufruir seus benefícios; que muito do lixo produzido está sendo reaproveitado.

Isso prova que as pessoas já passam a ter consciência do iminente perigo que é o aquecimento global para a humanidade. E aí me vem sempre na lembrança a fabula da formiguinha, que com os recursos que tinha carregava água para apagar um grande incêndio na floresta. Uma formiga bem maior a encontrou e perguntou o que ela estava fazendo toda molhada. A formiguinha respondeu:

- Não vê que estou carregando água para apagar o incêndio? A formiga grande deu boas gargalhadas e disse:

- Você ta é louca!

- Não, não estou louca! Só estou fazendo a minha parte.

Vamos fazer também a nossa parte? Neste verão, vamos limpar nossos quintais, terrenos ou qualquer outro espaço, sem queimar para não contribuir com o aumento da fumaça, e como conseqüência vamos ter mais saúde.

* Historiadora formada pela Ufac e escritora

 

 
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Rio Branco-AC, 31 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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