VARIEDADES

A arte na rua

Depois do artesanato, foi na pintura que Felipe Gaevitz descobriu talento e habilidade para criar obras de arte

Marcos Vicentti
Felipe descobriu na arte
plástica habilidade e talento


Andréa Zílio

Assim como grades nomes da arte plástica, o espanhol Pablo Picasso, o russo Eugene Lancere, o paulista Cândido Portinari ou o pernambucano Mestre Vitalino, Felipe Gaevitz, 28, é um autodidata da arte. Nas calçadas do centro de Rio Branco, ele demonstra habilidade, criatividade e talento, dando a pequenos borrões coloridos em azulejo, formas que recriam as belezas da natureza.

Mas antes de descobrir o novo talento – sim, porque o que faz hoje foi uma descoberta que causou surpresa ao próprio Felipe – ele era artesão e trabalhava com sementes. E foi dessa forma, que saiu de sua cidade, no sul do Paraná, chegou ao Mato Grosso, onde encontrou um artista plástico que pintava em azulejos, e apenas lhe mostrou algumas poucas vezes como fazia.

Chegando ao Acre, Felipe viu que sua arte como artesão não teria muito sucesso por aqui, pois o Estado possui diversos artesãos que trabalham muito bem com sementes que ele não conhecia. Precisando pagar as contas, e com o desejo de voltar a estudar, o jovem decidiu tentar fazer o que viu o homem do Pantanal criar. Foi então que descobriu um grande talento e habilidade para pintar.

Com algumas horas de dedicação, Felipe se viu criando imagens cheias de cores e bem definidas em pequenos, médios e grandes azulejos. Ele constrói sua obra em poucos minutos, cerca de 10 é o suficiente para criar uma paisagem. Basta ele começa a pintar em seu local de criação – a calçada no centro da cidade – que logo é rodeado por pessoas, que se impressionam com seu trabalho.

A partir da necessidade, Felipe descobriu uma habilidade invejável para as artes plásticas. A cada borrão de tinta que faz no azulejo, as formas vão surgindo, são frutos de movimentos rápidos, casas, floresta, mar, céu, sol, dentre outros são criados. Depois é só colocar a obra para secar, o que leva de dois a três dias. E para o cliente sair satisfeito, ele mesmo prepara pequenos cavaletes de ferro, gancho para colocar a arte na parede e uma caixa de embalagem.

Novo artista – Felipe que havia estudado até a 7série, teve de recomeçar a 1ª, porque não tinha documento para comprovar a escolaridade. Mesmo assim, não viu isso como obstáculo e hoje está terminando o ensino fundamental. Outra conquista, foi à mudança de matéria prima para criar suas obras, agora ele também usa a tela de tecido para pintar, o que representou um desafio, porque além dos dedos, agora também tem de usar pincéis.

Mas Felipe conta que tem se saído bem nas telas, e também em outro estilo, que são os retratos, algo mais realista. Há oito meses que tem feito obras com óleo sobre tela, mas não abandona os azulejos, que tem sido sua fonte de renda. As obras em azulejos grandes custa R$ 20, médio R$ 15 e pequeno R$ 10. Nos meses com datas comemorativas como dia das mães, dia dos namorados e outros, ele oferece generosos descontos aos clientes.

Aperfeiçoamento – O Sebrae reconheceu o talento de Felipe, e o convidou para inseri-lo em algumas ações da instituição, para isso, pediram que o jovem artista colocasse regionalismo acreano também em suas obras. Ele diz que tem um estilo próprio, e que tentará fazer isso sem mudar essa identidade, mas acredita que não será difícil, pois a natureza é sua principal inspiração e isso o Acre tem de sobra. “O povo também me ajuda a criar, pedindo cores e desenhos. O Acre tem uma história bonita e uma natureza generosa, é uma inspiração grande, acredito que posso retratar isso”, comenta.

Quem desejar conhecer os trabalhos de Felipe, ele fica diariamente na calçada em frente ao Colégio Acreano. E seu telefone de contato é (68) 9281-6492.

 

 
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Rio Branco-AC, 31 de maio de 2007
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
   NA TRIBO
Com Roberta Lima
   PORONGA
Da Redação
 
 
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