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   VIA BRASÍLIA
Romerito Aquino  

Mudança repentina I

Foi impressionante a rapidez da mudança ocorrida na semana passada no comportamento do PSDB e do PFL em relação à crise política. Os dois partidos oposicionistas iniciaram a semana falando abertamente até em impeachment do presidente Lula. Mas foi só sair na terça-feira a notícia do envolvimento do presidente nacional do PSDB, o ex-governador e hoje senador Eduardo Azeredo (MG), no mensalão do publicitário Marcos Valério para, em menos de 24 horas, a fúria dos dois partidos refluir.

Mudança repentina II

Lógico. Quando sentiram na pele o peso da gravidade da participação de Azeredo e de deputados do PFL no esquema financeiro do publicitário mineiro, tucanos e pefelistas amanheceram na quarta-feira já falando em costurar com os partidos governistas uma pauta de governabilidade para o país. Até o próprio ex-presidente Fernando Henrique, pai dos tucanos, arrefeceu de imediato o seu discurso de ataque dos últimos meses. Claro. Afinal, a participação dos mineiros no mensalão poderia e pode ser o fio da meada para desvendar o grande escândalo de seu governo, que foi a compra de votos por R$ 200 mil, em 1997, para aprovar a emenda constitucional que permitiu a sua reeleição.

Hipocrisia na política

Aliás, a proposta do pacto de governabilidade da oposição veio justamente através do estridente líder do PSDB no Senado, senador Arthur Virgílio Neto (AM), que, em tom quase beirando a histeria, chegou a chamar Lula de “corrupto ou idiota”. Esse esbaforido senador foi o mesmo que, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo no ano de 2000, admitiu ter cometido caixa-dois em sua campanha para o governo do Amazonas nas eleições de 1998. É por essas e outras que a hipocrisia continua sendo um dos principais fermentes da baixíssima credibilidade que o Congresso Nacional desfruta hoje perante a opinião pública nacional.

População atenta

O Congresso pode até começar a semana tentando cumprir o roteiro de trabalho em favor da governabilidade, mas as investigações sobre mensalão, caixa-dois em campanhas eleitorais e compra de votos terão que continuar nas comissões mistas parlamentares de inquérito. Afinal de contas, a opinião pública já tomou ciência e está acompanhando atentamente a pauta das graves denúncias que colocam ex-dirigentes do PT e uma penca de parlamentares do Congresso no mesmo barco do tráfico de influência, do nepotismo e da corrupção.

Acre no foco da crise

Assim, a novidade da semana vai ficar por conta do início das investigações que serão feitas na CPI do Mensalão sobre a compra de votos no processo de votação em 1997 da emenda constitucional que permitiu a reeleição do então presidente Fernando Henrique. Esse assunto, aliás, tem tudo a ver com o Acre, pois o escândalo estourou no país com as confissões contidas em fitas gravadas com dois deputados federais acreanos, João Maia e Ronivon Santiago. Nas gravações, os dois acusavam outros três deputados do estado (Osmir Lima, Zila Bezerra e Chicão Brígido) de também terem vendido seus votos por R$ 200 mil cada.

Perpétua convoca ex-deputados

Sabendo disso, a deputada federal Perpétua Almeida (PCdoB-AC) se adiantou e apresentou requerimentos convocando os ex-parlamentares acreanos e o jornalista da Folha de São Paulo Fernando Rodrigues (que teria até ajudado a colocar os microfones escondidos por trás da lapela dos ternos do “Senhor X”, que gravou João Maia e Ronivon) como os primeiros a depor sobre o escândalo da compra de votos, que só não causou o impeachment de Fernando Henrique por claras manobras realizadas por sua base aliada no Congresso.

Decisão do João Maia

Aliás, o ex-deputado João Maia teria comentado certa vez com um amigo que se abrisse a boca para falar sobre o que se sucedeu nos bastidores do escândalo da emenda da reeleição dificilmente sobraria pedra-sobre-pedra no governo Fernando Henrique. Maia preferiu renunciar para não ser investigado e nem correr risco de vida.

Benke na prefeitura

Saindo um pouco da crise (e haja crise!), gostaria de parabenizar o prefeito de Marechal Thaumaturgo, Itamar de Sá, por ter nomeado o índio ashaninka Benke Pianco como secretário de Meio Ambiente de seu município. Por ser o Acre uma terra de população indígena significativa, bem que o gesto daquele prefeito e do governo do estado, que também já conta com uma secretaria indígena dirigida por um índio, poderia ser seguido pelos demais prefeitos acreanos. Todos os municípios só teriam a ganhar com isso!

 

 
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Rio Branco-AC, 31 de julho de 2005
   GIRO GERAL
Com Moisés Alencastro
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Com Leonildo Rosas
 
 
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