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Novos mecanismos de gestão cultural Ou: o que eu sou? Se a cultura fosse uma pessoa, ela viveria numa constante crise existencial. As discussões que acontecem durante o Fórum Preparatório para a I Conferência Municipal de Cultura de Rio Branco têm sido até confortantes para aqueles que vivem nas eternas entranhas das dúvidas. O consolo é a própria ‘cultura’. Afinal, dança é arte ou esporte? E quanto à capoeira? Arte marcial ou patrimônio cultural? Não é a história, o público, a atuação física ou mental da modalidade que irão definir. Portanto, dada a sua defesa, o jeito é fechar os olhos, levantar o braço e esperar o resultado da contagem. A maioria decide, é em regime de votação, pois. Até agora, as discussões sobre o Conselho Municipal de Políticas Culturais foram as mais polêmicas - e barulhentas também. A representatividade - ou a ausência dela - dá medo. Traz uma sensação de colocar em risco a “voz e a vez”. Afinal, confiar em quem? Quem pensa no coletivo? E quem pensa no individual? Ou melhor, quem defenderá os meus interesses e/ou os interesses do meu grupo? A plenária tem tido a consciência de que o conselho terá o poder de nortear – ou desnortear – muita coisa, pois ele vai indicar a funcionalidade dos outros mecanismos do sistema. O debate sobre a proposta de Fundo Municipal de Cultura já foi concluída. Este mecanismo será uma nova forma de financiamento, funcionando por meio de editais, visando a regularizar os apoios (o chamado ‘balcão’). Durante este painel, a Fundação Garibaldi Brasil expôs como chegou até a proposta sugerida e quais os princípios que a norteia. Expôs ainda, o orçamento da instituição. Na pré-proposta, a intenção é que o Fundo tenha pelo menos 10% do 1,5% que a cultura possa ter. A grande questão inicial era quanto às três áreas de cultura colocadas pela FGB no sistema: Artes, Esporte e Patrimônio Cultural. Propostas foram colocadas: deixá-las juntas ou separá-las? Falar de cultura não é fácil. Os livros nos oferecem várias definições para a palavra. É fácil dizer que a cultura é tudo. Mas quando se trata de mecanismos de financiamento, a definição parece ser diferente. O interessante é perceber como o documento vai se aperfeiçoando. E isso é tão simples. A proposta da FGB está lá, na tela, sendo lida. Quem discorda manifesta a sua opinião. Quem não entendeu, manifesta a sua dúvida. No debate, surgem observações, lacunas e detalhes que passaram despercebidos pela instituição... E, simplesmente com o diálogo, o texto e as idéias vão se afinando e se tornando o documento mais completo. Entre os vários questionamentos surgidos durante a construção de um modelo de Sistema de Cultura a ser implantado em Rio Branco, desportistas, artistas, profissionais da área do turismo, educação, gestores e produtores, etc, manifestam a sua dúvida e opinião sem medo de mudá-la logo em seguida. Aos poucos, os segmentos vão reconhecendo a importância de participar do debate e por em prática o seu direito à cidadania cultural. Agenda Segunda-feira (03), no Auditório Betho Rocha (Colégio Cerb), acontece a terceira reunião do Painel Temático sobre Mecanismos de Financiamento, agora para discutir indicativos para o processo de revisão da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. Participe! Mais informações: 3224-2503 - 3224-0269. |
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