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Perpétua Almeida * |
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Esperávamos respeito No dia 30 de agosto de 2002, o Acre todo se consternou com a notícia do trágico acidente com o avião Brasília, da Rico Linhas Aéreas. O acidente matou 23 pessoas. Passados mais de dois anos do enterro das vítimas, a sociedade acreana recebe agora, estarrecida, as explicações e uma justificativa inaceitável da empresa. Pasmem! Um dos diretores da Rico, Lulas Frade, transferiu para os mortos a culpa do acidente. Mas, teria sido mesmo a falha humana da tripulação a responsável pelo trágico fim daquele vôo? Essa é a pergunta que fica em cada um de nós diante de uma justificativa inaceitável, de uma resposta acusatória que não permitiu contraditórios nem contra-argumentos, os quais já estão lacrados nos túmulos das vítimas. É muito fácil acusar quem já não está mais vivo para se defender! Então vejam: segundo a direção da Rico, a falha humana foi porque a “a tripulação se envolveu muito com os passageiros, contrariando as normas previstas no gerenciamento de cabine”. Para o diretor, a tripulação teria “um alto grau de convívio” com alguns dos passageiros daquele vôo a ponto de colocar em risco as próprias vidas e as dos outros passageiros. Talvez, na história dos acidentes aéreas no mundo, essa seja uma justificativa ímpar. O Acre esperou muito tempo para uma resposta da empresa. Por diversas vezes cobrei pressa até do DAC – Departamento de Aviação Civil. Só temos a lamentar que ela tenha vindo desta maneira. A empresa, em nenhum momento, assumiu a responsabilidade pela vida das pessoas que embarcaram naquele vôo para a morte. A empresa fez questão de se esquecer que é a responsável pela carga preciosa que se dispôs a carregar e que não é na tripulação morta que ela deve impingir a responsabilidade pela vida dessas pessoas. A direção da Rico mais uma vez foi infeliz nesse episódio inicialmente em não reconhecer prontamente que tinha responsabilidade no acidente do dia 30 de agosto. Foi infeliz em esperar por dois anos para se manifestar a respeito de um assunto que tanto abalou a população do Acre, a qual ainda hoje se vê forçada a confiar na própria sorte ao embarcar em aeronaves da empresa. A Rico, infelizmente, vem demonstrando não estar preparada para assumir a prestação de serviços de transporte aéreo de passageiros. Os moradores de Cruzeiro do Sul e do Vale do Juruá que o digam. É por isso que venho, insistentemente, junto a Gol, a VARIG e a outras empresas tentando mudar essa situação. Não são raros, os incidentes – e tomara que esta última palavra nunca troque o “in” pelo “a” – com os vôos que partem de Cruzeiro do Sul para Rio Branco. A Justiça já interveio no caso para forçar a empresa a tomar medidas mais rigorosas na manutenção das aeronaves, o que é um fato e não uma especulação. O mínimo que se esperava de uma empresa que se diz séria e que quer se colocar no mercado de transporte aéreo de passageiros, é que sua diretoria tenha o mínimo de respeito com a própria tripulação vitimada no acidente. Afinal, fica fácil culpar o comandante do vôo de envolvimento com passageiros e de descumprimento com as normas de segurança quando a chave de proteção G-Switch, que aciona uma caixa gravadora de voz dos tripulantes, chamada CVR, não estava em posição ligada e permanecia instalada no bagageiro do avião, contrapondo a recomendação da Embraer, a fabricante da aeronave, que sugeriu a mudança do dispositivo a fim de evitar o comprometimento do aparelho. O relatório final do Centro de Investigações e Prevenção de Acidentes Aéreos (Cenipa), confirmou que o CVR não funcionou porque não estava acionado. Sem CVR não há registro de vozes na “caixa preta”. A tripulação fica calada, nada revela e nada pode dizer para contrariar a responsabilidade que recebe agora, depois de morta, da diretoria da empresa. Não se quer aqui cobrar mais indenização a nenhum dos passageiros sobreviventes do trágico vôo e nem às famílias das 23 vítimas. O que se quer é respeito com a vida, respeito com as pessoas, respeito com o ser humano. Coisa que a Rico, há um bom tempo, tem deixado muito a desejar. É por estes e outros motivos que tenho cobrado constantemente do DAC – fiscalização nessas empresas, nas pistas, nos aeroportos. São vidas humanas que precisam de mais atenção, mais respeito! Que precisam ser poupadas! * Deputada federal PC do B-AC |
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