PÁGINA DO EMPREENDEDOR

Criatividade e ofertas garantiram funcionamento da maior locadora da cidade


Trabalhando como balconista de loja, Fred Lima, vislumbrou a chance de sua vida num anúncio de venda de uma vídeolocadora. Como não tinha dinheiro suficiente para iniciar o negócio juntou-se ao amigo Rogean e, para isso, venderam o que tinham, uma moto, máquina filmadora e as poucas economias para entrar no mundo dos negócios.

Fred deixou o emprego, Rogean continuou sendo bancário e o começo não foi fácil como relata o primeiro. “Dois desafios marcam o início de qualquer negócio, o primeiro é fazer ele dar lucro com o pouco que você tem, nós só tínhamos filmes antigos. O segundo é garantir sua sobrevivência. Vencemos essas dificuldades usando criatividade e ofertas promocionais que estimulavam as pessoas a pegar mais e mais filmes, o dinheiro foi aparecendo e a gente reinvestindo tudo na compra de novos títulos”.

A primeira lição sobre vídeolocadoras foi aprendida por observação antes mesmo de assumir o negócio. A que compraram pertencia a uma pessoa cuja família possuía diversas locadoras com sucesso em Fortaleza, mas o negócio não dava certo no Acre. “O problema é que ele não demonstrava interesse pela empresa, é preciso estar atento ao que o mercado oferece e ao que os vários tipos de público estão interessados em assistir”.

Hoje com quatro lojas, mais de 20 mil fitas e 30 funcionários a Thenny Vídeo destaca-se dentre as mais bem consolidadas lojas do ramo na capital. “Quando olho para trás lembro o quanto foi difícil o começo, mas compreendo principalmente o tanto que aprendi nessa caminhada. No início acreditava que as coisas só dariam certo se eu estivesse atrás do balcão, hoje entendo que administrar é garantir o bom funcionamento do negócio mesmo que você não esteja lá. O mais importante é a sensibilidade no relacionamento com o público e o planejamento de cada ação”.

Conversas com os clientes dão pistas do que o público quer assistir, mas segundo ele, não dá para negar a influência da mídia sobre o sucesso ou fracasso de um filme. “A maioria das pessoas assiste aquilo que a mídia está dizendo que é bom e nem todos são tão bons assim, mas esses vendem muito. Já outros filmes muito bons deixam de ser assistidos porque alguém da mídia disse que ele não vale a pena. Na hora da dúvida, o cliente pergunta e nós orientamos para as fitas que melhor se adaptem ao gosto e ao nível social ou cultural dele. Em resumo, há público para tudo” diz Fred.

Há um ano, Fred avaliava que as fitas de VHS ainda teriam uma longa vida pela frente, mas a partir de janeiro, com o lançamento de DVDs cada vez mais baratos e acessíveis, percebeu a tendência do mercado e hoje 90% das novas compras que vem fazendo é de DVDs.

Faltando um ano para concluir seu curso em administração e comércio exterior pela Firb, Fred hoje avalia alguns fatores que garantiram o sucesso de sua empreitada. “Sempre me relacionei bem com as pessoas, o Rogean também, e isso nos clientes permanece, pois são eles quem movimentam os negócios. Deixar o emprego e ficar aqui foi prova de que acreditava no sucesso dele e a chance de sucesso aumenta quando você gosta do que faz. Mas reconheço que a chave está no reinvestimento dos lucros para melhorar cada vez mais o negócio e nunca deixar a decisão na mão dos outros.”

Feira promocional da praça da Bandeira atrai populares

Os empresários da praça da bandeira foram à rua vender seus produtos com preços promocionais. A Feira Promocional da Praça da Bandeira aconteceu no sábado, dia 30 das 8 às 17 horas, na rua Epaminondas Jácome, numa realização do Serviço Brasileiro de Apoio à Micro e Pequena Empresa (Sebrae) em parceria com a Associação Comercial do acre (Acisa). O governo do Estado e prefeitura da capital são parceiros na realização do evento.

Os lojistas da Galeria Meta e das margens daquela rua também participaram da feira, comercializando confecções, calçados, ferragens, artigos de armarinho relojoaria e mercadorias de outros setores em oferta. Mais de 50 comerciantes prestigiaram e participaram do evento. Glauco Almeida, coordenador do Projeto Empreender, desenvolvido pelo Sebrae, relatou sobre todo um trabalho de revitalização da praça da Bandeira. “Desde o ano passado, os comerciantes daquela área participam do núcleo setorial empreender e recebem capacitação e consultorias do Sebrae na área de vendas e negócios”.

O trecho da rua Epaminondas Jácome, entre as duas pontes, foi interditado. Instalação de serviço de som e barracas foram armadas no meio da rua, proporcionando mais segurança e comodidade para o consumidor. Um animador esteve, durante todo o dia, realizando o sorteio de prêmios e brindes.Glauco Almeida disse que o objetivo da feira é revitalizar o comércio no local. “Há casos de lojistas ficarem sem vender um centavo sequer durante toda uma semana”.

Rubenir Guerra, presidente da Acisa fala sobre a necessidade de mobilizar os próprios comerciantes na busca de novos modelos de comercialização de seus produtos. A rua de acesso àquele tradicional centro comercial da capital, por ser uma via de grande circulação de pessoas, traduz-se, segundo Guerra, em um ponto estratégico de vendas. “A praça da Bandeira é um ponto histórico do comércio em Rio Branco e merece atenção especial”.

A feira é realizada sempre no último sábado de cada mês. Iniciou em agosto e, nesta terceira edição, passará a integrar o calendário permanente de eventos da cidade. Em dezembro, por conta da proximidade das festas de final de ano, a feira acontecerá nos três primeiros sábados do mês.

Um projeto de reestruturação da praça da Bandeira já foi discutido pelo Sebrae e Acisa, com o prefeito eleito. “Já existe tudo mapeado, desde a reestruturação física, ao plano de reciclagem dos recursos humanos que trabalham no local”, comentou Guerra. Assessorias na área empresarial é outro aspecto importante para fazer o empresário ampliar sua visão de negócios e crescer. A existência de pontos de prostituição; de menores cheirando cola; e o comércio de drogas, preocupam a Acisa. O novo projeto prevê ruas amplas para circulação exclusiva de pedestres, construção de um centro de recreação, higienização e construção de Box’s padronizados.

A receita de uma família para um bom empreendimento

Eles chegaram em Rio Branco em 1977, depois de morar três anos em Boca do Acre, no Amazonas. Uma família de 11 filhos que veio com vontade de vencer.

Na capital acreana, o pai resolveu montar um mini-mercado. Não deu certo. Como solução para o problema, a mãe, Dona Jandira, começou a fazer pães e doces para distribuir em mercearias e mercados. Sempre com a ajuda dos filhos, que eram responsáveis pela distribuição do produto.

Montaram uma panificadora no bairro Estação Experimental, um investimento de 60 mil reais. Durante 13 anos o negócio tinha crescido. “Mas como em todo tipo de ramo havia concorrência e estava grande, não dava mais resultado”, comenta Célio, um dos onze irmãos.

Depois de 20 anos no Acre, decidiram parar a distribuição e partir para a venda direto ao consumidor. A família não era muito conhecida, afinal só trabalhavam com a rede de distribuição e os consumidores não sabiam quem eles eram.

Eles já tinham os equipamentos, faltava funcionários qualificados. “Foi difícil. Não existia qualificação na época”, lembra Célio. Começara com oito funcionários que, aos poucos, eram treinados e capacitados por eles mesmos. Mas as dificuldades continuavam.

Alguns funcionários, depois de treinados, resolviam ir embora para abrir o seu próprio negócio. “Eles achavam que era simples. Que era só abrir e pronto”, diz Célio.

Tudo estava indo tão bem que decidiram abrir um ponto de venda próprio. Escolheram o local, muitas vezes criticado pelos amigos, e fizeram a planta. O nome foi escolhido quando a estrutura da nova panificadora ficou pronta. E em 1997, foi inaugurado o Chalé do Trigo pães e doces.

Dos 11 irmãos, apenas três continuaram no ramo. “Os outros seguiram outros caminhos”, conta Célio que cuida da parte administrativa da panificadora com a irmã Iva. Zenilda é responsável pela linha de produção. Eles contam ainda, com a ajuda de Tiana, esposa de Célio.

O Chalé do Trigo é uma vitória para eles. “Depois que foi aberta, outras panificadoras de grande porte apareceram e em seguida, sumiram. Nós continuamos aqui. Significa que as pessoas gostam dos nossos produtos”, diz Iva.

Os produtos são feitos por funcionário treinados por profissionais vindos de São Paulo. Uma das grandes preocupações da família sempre foi a qualidade. “É ela que faz o diferencial de um estabelecimento comercial” comenta Iva. “As pessoas precisam se preocupar com a qualidade do que colocam à mesa. Precisam saber de onde vem”, completa Célio.

Tanto, que não raras vezes eles mostram onde são feitos os produtos para clientes que querem conhecer, verificar a higiene, como faz, quem faz.

Pães, doces, tortas doces e salgadas... Entre todos os produtos os mais comercializados, depois do pão, são os doces.

“As vezes a demanda é muito grande mas tentamos não deixar de atender alguém. Os clientes são muito importantes para nós”, enfatiza Iva.

O empreendimento de tão certo, que abriram uma espécie de anexo do Chalé do Trigo mas com uma estrutura diferente, o Café do Theatro. “Um desafio que está dando muito prazer”, comentam os irmãos. Chalé do Trigo e Café do Theatro empregam, diretamente, 48 funcionários, sem contar os indiretos como: garços, garçonetes, entre outros.

Eles não pretendem parar por aí. Há cinco anos oferecem produtos para coquetéis, aniversários e outros eventos. Resolveram experimentar o ramo de buffet. E gostaram. Eles já recebem encomendas para jantares e eventos de maior porte. Gostaram tanto que pretendem abrir um buffet próprio.

“Nosso melhor momento é agora. Não penso no que passamos anos atrás e sim no que estamos fazendo.”, conta Iva.

“Mas todo esse sucesso, que veio com muito trabalho e dedicação, temos que agradecer aos nossos funcionários que são nossos grandes colaboradores e clientes, que confiam e aceitam os produtos da Família Chalé do Trigo”, diz Célio.

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E x p e d i e n t e :
Textos publicados nesta página são de responsabilidade da Unidade de Comunicação e Marketing do Sebrae no Acre (Jornalista Responsável: Socorro Camelo (Registro Profissional: 065 DRT/AC) socorro@ac.sebrae.com.br), fotos: Evandro Souza. Colaboradores: Andréa Zílio, Isabel Barrosi. Sugestões, comentários e-mail para ascom@ac.sebrae.com.br

 

 
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Rio Branco-AC, 31 de outubro de 2004
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