
Recém-empossado na presidência, o sociólogo Glauco Arbix pretende ter nas mãos as linhas mestras do novo Ipea até o fim deste mês. Além do foco no planejamento de longo prazo, Arbix quer mexer na estrutura do instituto. O Rio, que sempre abrigou duas diretorias (de macroeconomia e social), terá Ricardo Varsano como diretor regional, encarregado da integração com Brasília.
As diretorias de Estudos Macroeconômicos e Sociais serão transformadas em coordenações. O economista Eustáquio Reis perde o cargo de diretor, mas permanecerá comandando a área de Estudos Macroeconômicos. Já Ricardo Paes de Barros será substituído por Lauro Ramos, promovido a coordenador geral de Políticas Públicas. Varsano, Reis e Ramos integram o quadro de economistas do Ipea há vários anos. Paes de Barros continuará no Ipea comandando as pesquisas que o tornaram um dos maiores especialistas do Brasil em estudos sobre pobreza e desigualdade.
A nova estrutura pretende imprimir unidade a um dos mais respeitados órgãos de pesquisa do país. A meta principal é ressuscitar a vocação do Ipea para o planejamento de longo prazo, que para Arbix tornou-se secundária não apenas no Brasil, mas em todo o mundo, em decorrência do modelo econômico dos anos 90. O novo presidente reconhece a qualidade dos pesquisadores e do conhecimento produzido pelo Ipea, mas se incomoda com o que chama de pulverização de esforços.
— A palavra integração será forte tanto internamente quanto na relação com os outros órgãos de governo. Vamos tentar articular o Ipea em torno dos estudos sobre programas sociais, inserção do Brasil na economia internacional e planejamento de longo prazo, com foco na área tecnológica — diz.
As demandas já começaram a surgir. Em menos de um mês na presidência, Arbix já participa das reuniões do ministro do Planejamento, Guido Mantega, com o presidente Lula sobre o Plano Plurianual 2004-2007. Recebeu do ministro da Educação, Cristovam Buarque, pedido de um estudo de avaliação dos gastos de sua pasta. Depois do carnaval, se reunirá com os presidentes do BNDES, Carlos Lessa, e do IBGE, Eduardo Nunes, para tratar de convênios e cooperações.
Conhecido como um dos quadros mais produtivos do Departamento de Sociologia da USP, Glauco Arbix garante que as parcerias do Ipea com organismos multilaterais em pesquisas serão mantidas. E ampliadas. Está nos seus planos, por exemplo, aproximar o instituto de entidades similares em países europeus e asiáticos.
— Isso pode agilizar processos de integração comercial, por exemplo — diz.
Chororô nas teles
Executivos das operadoras fixas queixam-se de que algumas idéias do governo para o setor agradariam em cheio à Embratel. Depois de decidir brigar pela troca do IGP-DI como indexador das tarifas, o ministro Miro Teixeira chegou a pôr em dúvida o cumprimento das metas de universalização. E, para aumentar a competição, defendeu o uso compartilhado das redes e a desagregação da última milha.
Direto da quarentena, o ex-ministro da Agricultura Pratini de Moraes comemora o anúncio da safra recorde, pelo IBGE. E prevê que a boa colheita de feijão pode ajudar o Fome Zero.
Subiu
Na véspera da última reunião do Copom, o modelo econométrico do Banco Central projetava IPCA de 10,6% para 2003 — mais de dois pontos percentuais além da meta de inflação de 8,5%. Um mês antes, o índice ficara em 9,5%. O cálculo, feito pela MCM Consultores, leva em conta a taxa Selic, o reajuste esperado para os preços administrados, o valor do dólar e a estimativa do mercado para a inflação do ano.
Estrelas
O Ibovespa perdeu feio, mas Carlos Reis, presidente da Comissão Nacional de Bolsas, tirou da manga meia dezena de ações de primeira linha que bateram ou chegaram bem perto da variação do CDI nos últimos cinco anos. Estrela da companhia, Embraer PN se valorizou 1.086%; Vale PN, 534%; CSN, 332%; Itaú PN, 241%; Petrobras PN, 117%. Desde fevereiro de 1998, aplicações indexadas ao CDI renderam 164%.
O PRESIDENTE da Petrobras, José Eduardo Dutra, estará no camarote Rio Samba & Carnaval ao lado de Ivan Zurita, da Nestlé, Brian J. Smith, da Coca-Cola, e Fernando Terni, da Nokia.
PARA QUEM ACHA que carnaval só casa com cerveja: o guaraná Kuat tem registrado participação de mercado acima da média nacional nas capitais onde patrocina a folia. Dados do Instituto Nielsen mostram que o refrigerante tem 3,2% de participação no mercado brasileiro, mas, em Salvador, o percentual chega a 7%; no Recife, 4,4%; e no Rio, 3,4%.
A CAÇULA TECIDOS, distribuidora de material carnavalesco no eixo Rio-São Paulo, está patrocinando a transmissão pela TV do desfile das escolas de samba do Grupo de Acesso, hoje no Rio.
O FMI, quem diria, foi atrás do trio elétrico.