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Rio Branco - Acre, sábado, 1 de março de 2003

Mercado informal é aquecido pelo ‘Carnaval como Antigamente’ na capital

Calçadas da avenida Eduardo Assmar estão sendo disputadas pelos ambulantes, que vendem da cocada ao tintol

Alta nos juros e aumentos nos preços sinalizam que é preciso buscar uma boa opção para faturar um dinheiro extra. Aproveitar o Carnaval é algo rentável. Enquanto milhares de foliões caem na quina carnavalesca de forma criativa, outros preferem comercializar produtos que vão de garapa às máscaras de Carnaval.

Foi preciso chegar cedo para garantir uma vaga em frente ao Calçadão da Gameleira, local que abriga uma das maiores festas do Carnaval de rua de Rio Branco. Nem bem o dia amanheceu e a calçada da rua Eduardo Assmar, após a restauração das fachadas, começou a ser preparada para a folia de logo mais: homens e mulheres instalaram suas barracas e carrinhos e esperaram a festa começar.

O estudante Felipe Russo aliou os conhecimentos adquiridos na faculdade de administração com a oportunidade que o Carnaval oferece e organizou um pequeno bar em sua garagem: pegou dinheiro emprestado com a avó, investiu em 80 caixinhas de Skol e refrigerantes, instalou dois freezers na varanda e espalhou mesas na calçada.

“Fiz isso no ano passado e valeu a pena. Pra quem só estuda é uma ótima oportunidade de ganhar dinheiro. Em 2002 faltou cerveja e a gente teve que sair em meio à toda agitação do Carnaval para comprar. Vendi 80 caixas de cerveja. Esse ano sei que vou vender mais porque vai tem menos gente vendendo”, comentou o estudante.

DESEMPREGO - Márcio Andrade dos Santos está na Eduardo Assmar desde quinta feira para garantir o lugar do carrinho de cachorro-quente que está sendo estreado neste Carnaval. O negócio foi comprado pelo tio, que também está desempregado e vai trabalhar com mais dois sobrinhos na quina carnavalesca.

“Nós viemos primeiro dar uma olhada no local para ver se íamos conseguir um espaço. Alugamos uma parte da calçada de uma loja e temos que ficar aqui o tempo todo senão podemos perder a vaga. Nossa expectativa é de faturar uma grana boa neste Carnaval. Está todo mundo da família desempregado e precisamos pagar o carrinho”, informou Márcio.

Ajuda contra o câncer

Antônio José da Silva está trabalhando para ajudar uma pessoa doente. Sua esposa está no último mês do tratamento contra o câncer e o custo dos exames que ela fará no próximo mês será o dobro do que já vem gastando.

Para arrecadar dinheiro ele pegou um carrinho de madeira esquecido no Rio Branco Futebol Clube, onde trabalha, comprou fiado um isopor, decorou com motivos carnavalescos e ganhou um espaço para trabalhar no Folia da Gameleira.

“Eu ajudei a mulher da Associação contra o Câncer a montar a barraca dela e ela me deixou ficar em frente ao seu local. Uma comerciante me deu umas máscaras infantis que vou vender junto com os refrigerantes, cerveja e água. Ainda bem que todos me ajudam. Eu me viro pra ganhar dinheiro: pinto, bordo, faço bico como garçom. Só não aprendi a beber e a fumar, de resto, se for preciso para ganhar dinheiro, eu faço”, disse Antônio.

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