© Copyright Página 20 todos os direitos reservados
Rio Branco - Acre, sábado, 1 de março de 2003
O caminho do deserto

Francisco Dandão

Ao que tudo indica o pessoal da terceira idade desse imenso clube de futebol chamado Brasil descobriu definitivamente o caminho para as areias escaldantes dos desertos árabes e adjacências. Primeiro, no meio da semana, foi-se o Romário. Agora, especula-se, nos próximos dias vai o Muller.

Tudo a peso de ouro. Muita grana, de verdade. Coisa que não dá nem para pensar em recusar. Dinheiro para voltar acendendo charuto na própria nota, igualzinho faziam os coronéis de barranco aqui no seringal, no tempo em que a nossa borracha abastecia as fábricas americanas (grande farra!).

Fosse apenas o Romário, ainda dava para a gente ficar quieto. Com todo o nome e com todos os gols que ele já marcou (e ainda marca), nem seria coisa de se estranhar. Mas agora, com esse súbito interesse pelo Muller, ultimamente fora da grande mídia, aí até o velhinho aqui começa a se animar.

Claro, os árabes só vão se interessar pelo meu futebol se eu começar imediatamente um regime que me devolva rapidinho a cintura de atleta de vinte anos atrás. Mas isso até que não vai ser muito problema. Veneno de rato e remédio para emagrecer é o que mais tem na praça nos dias que correm.

Nesse carnaval que começa hoje (ou começou ontem, sei lá eu?), a propósito, para cumprir a minha missão de entrar em forma o mais depressa possível, eu já decidi: nada de cerveja, vodka, capeta, whisky, caipirinha, cuba libre ou assemelhados. Abstinência total e absoluta de álcool.

Comida pode. Aliás, o meu treino para acostumar o estômago com a culinária árabe vai começar no próprio Calçadão da Gameleira. Enquanto os foliões se danarem a encher a cabeça de cachaça, eu vou encher o bucho com os charutos, esfirras, quibes e arroz com lentilha da cantina da Socorro.

É por aí. Os meus planos para brilhar no futebol árabe a partir do mês de abril estão definidos. A coisa tem tudo para dar certo. Os requisitos de idade e antigo amante da bola, esses eu preencho numa boa. Com a abstinência do álcool e o treino para acostumar com a comida, um abraço.

Por último, é preciso que fique esclarecido um detalhe: eu não viajo sem a minha equipe de assessores. Só assino contrato se puder levar junto o Raimundo Fernandes (por causa dos seus novos anéis, lógico) e o Rodrigo Torres (para ver se a coalhada deles é igual à nossa). Pocotó pra vocês!

fdandao@zipmail.com.br
Amazônia
Colunas
Cotidiano
Expediente
Entrevista
Editorial
Estilo
Especial
Esporte
Política
Principal