
Marujada, Cobra Grande, Mapinguari,
Bloco da Terceira Idade
e outras atrações levaram milhares de pessoas à Gameleira
Rose Farias
A maior manifestação de cultura popular do país, o carnaval é um espetáculo que envolve arte e folclore. Dentro desse conceito o governo do Estado fez bonito no abre-alas do Folia da Gameleira – carnaval como antigamente.
Eram 16 horas de ontem e o pôr-do-sol já despontava na curva do Rio Acre, enquanto o batelão da secretaria de Hidrovias cruzava o rio Acre e atracava no Calçadão da Gameleira, trazendo à bordo os 35 tripulantes do Grupo Folclórico da Marujada, abrindo o Folia da Gameleira.
Para o historiador Marcus Vinicius Neves, diretor do Patrimônio Histórico da Fundação Elias Mansour, a intenção de introduzir a Marujada no Folia da Gameleira é uma forma de divulgar a cultura popular e manter a antiga tradição, que celebrava os vapores que traziam mercadorias pelo rio Acre e aportavam na Gameleira.
“Achamos que as pessoas precisam tomar conhecimento do que muitas festas bonitas, como essa da Marujadas, que há quarenta anos é realizada em Cruzeiro do Sul, o povo de Rio Branco não conhece e que tem tudo a ver com a história do Acre. Esse é o segundo ano que a Marujada entra na programação e esperamos que venham muitos e muitos outros”, disse o historiador.
O público composto por idosos, crianças, adolescentes e adultos, aguardavam para assistir a apresentação de uma das mais ricas expressões populares. E se encantou com o que viu. Caso da dona-de-casa Lucia Calvalcante (45), antiga moradora do Segundo Distrito.
“Eu me arrepio de ver que temos algo para mostrar da nossa cultura. Tenho é orgulho de ver que o Segundo Distrito vive um novo momento. Temos que agradecer e muito o trabalho que vem sendo feito pelo atual governo. Olha, não gosto de política, mas tenho que reconhecer o trabalho que vem sendo feito”, disse.
Abre-alas com Pierrot, Colombina e Arlequim
Aos poucos os foliões de diversos bairros da capital começaram a tomar o espaço do Calçadão para assistir o abre-alas puxado pelos tradicionais personagens Pierrot, Colombina e Arlequim, sob o ritmo da banda da Policia Militar, A Furiosa e com a participação do Bloco da Terceira Idade. Concentrado em frente a Tentamen o abre-alas adentrou a Eduardo Assmar, às 17 horas, na direção à Gameleira para encontrar com o Bloco da Cobra Grande, organizado pela Fundação Garibaldi Brasil e Prefeitura de Rio Branco, com a temática Rio Branco Lendas e Folia Carnaval 2003. O momento selou a união entre arte e cultura popular, levando os brincantes a caírem na folia.
Integrante do Bloco da Terceira Idade, Mercedez Chalub, moradora e defensora do Segundo Distrito, não conseguiu conter a emoção não poupando elogios ao grande evento, que para ela sela uma união em prol da comunidade.
“Acho que essa união entre o Bloco da Terceira Idade, a Cobra Grande e o Mapinguari, a Banda Furiosa e principalmente a parceria entre o governo do Estado e a Prefeitura isso é muito importante e gratificante para a nossa comunidade”, comentou a foliã.
Cobra Grande e Mapinguari
aportaram na Gameleira de Rio Branco
Personagens do universo lendário e cultural da Amazônia os bonecos criados a partir da inspiração no tema Rio Branco Lendas e Folia Carnaval 2003: a Cobra Grande e o Mapinguari chamaram a atenção da criançada que ficaram encantados com o tamanho e o colorido dos bonecos.
Entre as foliãs mais animadas estava a presidente da Fundação Garibaldi Brasil, Silene Farias. Para ela o carnaval representa o resgate da cultura popular.
“Hoje o Mapinguari está sendo apresentado pela Cobra Cobra da Gameleira e seus amigos. É sua estréia no carnaval de Rio Branco. Esse é um momento de integração cultural”, E foi mais longe: “A política nos separa, mas a cultura nos une, a cultura é muito mais, como Deus é muito mais”.
Depois do abre-alas, o espetáculo popular teve seu ponto máximo com o cantor Geraldo Leite, a Banda Pimenta de Cheiro, no vocal de Verônica Padrão e encerrou com os Mugs II, onde todos entoaram sucessos do carnaval tradicional, marchinhas e frevos.
E para os que não puderam participar do primeiro dia do Folia na Gameleira, logo mais às 17 horas, o espetáculo popular continua com o abre-alas, puxado pelo Bloco dos Palhaços e as apresentações do Bloco da Cultura, da Fundação Elias Mansour, Bloco Lourival Pinho, Fuxico, do bairro Quinze fechando com o Bloco 6+D.
O Folia da Gameleira é mais uma semente no resgate da expressão cultural do Segundo Distrito, que traz uma importância fundamental na formação social da cidade de Rio Branco, com seus personagens principais, como o regatão, seringueiros, seringalistas, migrantes, nordestinos, portugueses, espanhóis, italianos, que foram precursores na formação do Acre.
Juventus abre hoje como Vermelho e Preto
Com uma temática regional inspirado na Folia de Reis e no Folclore da Amazônia, - em personagens como o Caboclinho, Mapinguari, Iara, Boto entre outros -, escolhida pelos dirigentes do tradicional clube acreano foi apresentada ontem pelo presidente Rivaldo Guimarães, durante coquetel, que contou com a participação da imprensa e convidados, a decoração que fará parte da quadra carnavalesca.
O clube abre o carnaval 2003, logo mais a partir das 23 horas, com o Baile Vermelho e Preto, sob o comando da Banda Mitos.
“Abrimos com o Vermelho e Preto, que é o carro-chefe, na seqüência faremos mais três bailes e ainda os bailes infantis, amanhã à tarde e terça-feira. O baile infantil de amanhã é aberto para todas as crianças”, disse Rivaldo.
O presidente acrescentou que cerca de 96 homens farão a segurança dos foliões distribuídos no estacionamento e na parte interna do clube.
“Como o Juventus sempre fez, a segurança do folião estará garantida, considerando que sempre procurou fazer um carnaval para a família”, finalizou.
Na oportunidade os dirigentes aproveitaram para lançar durante o coquetel foi a nova camisa que o time do Juventus irá vestir no campeonato estadual.
Escolha do rei e rainha leva
multidão à praça Plácido de Castro
Não teve para ninguém. Elenice Lima da Silva, a morena escultural que disputava com outras sete candidatas, foi escolhida pela platéia a rainha do carnaval 2003 antes mesmo do veredito dos jurados. Raimunda, que não abusou da ornamentação como a maioria das concorrentes, mostrou samba no pé e simpatia suficiente para levantar a platéia e convencer o experiente corpo de jurados a decidir, por unanimidade, pela sua classificação.
A estudante Elenice sonha se formar em Enfermagem, mas este ano será mesmo a rainha de um reinado que durará cinco dias: a festa da carne. Nesse reino da folia não há ordem, não há leis. Há somente muita dança, brincadeiras e barulho. Uma oportunidade ímpar para extravasar todo um ano de estresses.
O novo - e provisório - rei de Rio Branco é Manoel Mendes de Freitas, que já concorreu duas vezes, mas conseguiu chegar ao título somente este ano.
Manoel, que tem 1m75 e 125 quilos, mostrou harmonia com a nova rainha, prometendo também um reinado de muita folia e diversão.
O concurso de rei Momo e rainha do carnaval foi promovido pela prefeitura de Rio Branco, numa iniciativa da Fundação Municipal Garibaldi Brasil e já se tornou marco no carnaval rio-branquense, apesar da praça Plácido de Castro, onde ele geralmente acontece, vir se mostrando o local cada vez menos indicado para esse tipo de evento.
Este ano oito mulheres disputaram o título de Rainha do Carnaval, três homens o de Rei Momo e outros seis brigarão pelo título de Rainha Gay do Carnaval. A festa é um dos principais atrativos turísticos da capital durante os festejos carnavalescos.