
José Cláudio Mota Porfiro *
Mesmo em férias, as sensibilidades gritaram tão alto que não pude deixar de meter o bedelho em problemas que afetam a comunidade. É parte de mim. Não posso fugir. Agirei sempre, desde que não seja para aplacar a ira do apequenado inimigo.
Historiadores e analistas de todas as épocas disseram e têm provado, sem maiores dificuldades, que, para cada século, ou era, há um mal a prejudicar a humanidade e, principalmente, a castigar as novas gerações.
Os clássicos se debatiam - pasmem! - contra o homossexualismo que grassava entre as castas mais ricas e cultas da Grécia e de Roma. Da Antigüidade até fins da Idade Média, a intolerância e a ambição humanas fizeram, em escaramuças horrendas, vítimas aos milhões. Neste mesmo período, e indo um pouco além, sucederam-se moléstias e pragas que dizimaram os homens e assolaram a Terra, a exemplo da peste negra.
Mais tarde, os homens se fizeram ainda mais ambiciosos e novamente passaram à autodestruição, em nome de causas que dizem respeito talvez tão somente à mente humana fomentadora da discórdia, como ainda hoje ocorre ao famigerado W. Bush e seu cãozinho escudeiro de nome Tony Blair.
Assim, ao lado da peste bubônica, do tifo, da varíola e da lepra, havia as carnificinas ainda hoje chamadas guerras. Depois desta época em que as moléstias eram comuns - tempo das rusgas belicosas e sangrentas e dos imorais - apareceu, enfim, uma geração que, a partir da França, se autodenominou romântica. E tudo isto está escrito nos monumentais livros do historiador inglês Eric J. Hobsbawn...
Então, os românticos morriam aos montes. Eles se apaixonavam por mulheres inatingíveis, ingeriam álcool e ópio, e iam para as intermináveis madrugadas em que cantavam seus versos mais sublimes dedicados à suas musas. Da serenata ao luar sob o sereno frio, vinha a tuberculose que ceifou vidas como as de Casemiro de Abreu, Junqueira Freire, Fagundes Varela Gonçalves Dias, dentre tantos, entre os vinte e três ou vinte e oito anos. Este fenômeno inquietante foi chamado mal do século.
Eric Hobsbawn fala do câncer, da SIDA, da fome entre os africanos. Falo-vos, eu, do mal que tem dado fim à vida de milhões de jovens, direta ou indiretamente, em todo o mundo. São as drogas, esse cancro social hediondo que se alastra celeremente sob os olhos de famílias bestificadas e autoridades sem ânimo ou força para aplacar-lhe a fúria.
É necessário, sim, uma ação conjunta contra as drogas, que envolva toda a comunidade internacional, uma vez que não se trata de um problema exclusivo do terceiro mundo. E então, um grande fórum mundial debaterá soluções drásticas para um problema drástico. E todos os culpados e envolvidos no problema serão julgados enquanto criminosos internacionais, por cortes que representem os países do mundo inteiro.
É por todos sabido que as nações avançadas têm tecnologia suficiente para erguer grandes colônias penais subterrâneas, nos ermos mais longínquos do Alaska e da Groenlândia, nos Urais, no Saara, no Gobi, para onde serão levados os condenados a serem esquecidos para todo o sempre, nestes calabouços modernos em que será vedado uso de televisão ou celular.
Afligi-vos, sim, senhores! A hora é gravíssima!... E já escrevera Castro Alves, uma das vítimas da tuberculose romântica, no poema “Vozes D’África”: Ó Deus! Onde estás que não respondes? Em que mundo, em que estrela tu te escondes, embuçado nos céus?!
Urge, em verdade, uma tomada de posição firme que declare guerra aberta contra todos aqueles a partir de quem as drogas se alastram.